Com o lugar comprado e os documentos necessários para abrir sua empresa, Henrique adquiriu os móveis e decorou o ambiente com a intenção de gerar um clima agradável. Como pretendia manter um capital para sustentar a empresa enquanto ela ainda era pequena, decidiu continuar vivendo de aluguel e, talvez, comprar um carro mais tarde, quando o negócio começasse a dar frutos. Quanto mais economizasse, melhor seria o resultado.
Porém, ainda faltava algo: contratar alguém para ajudar na recepção. Colocou anúncios em todos os lugares que conseguiu imaginar, mas já havia se passado algumas semana e ninguém tinha se candidatado. Ele estava frustrado; apesar de saber que essa parte seria difícil, a experiência ainda era ruim.
Debruçado sobre o balcão, ele criava coragem para levantar-se e fechar o lugar. Mas foi tirado de seus pensamentos ao ouvir alguém lhe chamar. Ao recompor sua postura, olhou para frente e viu uma jovem de cabelos castanhos ondulados e olhos em tom azul acinzentado; ela parecia familiar, mas ele não sabia de onde a conhecia.
"Senhor Henrique, o senhor ainda está procurando por uma secretária?" perguntou a jovem.
"Estou sim," respondeu Henrique, curioso. "Eu por acaso te conheço de algum lugar?"
"Conhece sim, mas entendo que seja normal você não se lembrar," respondeu a jovem com um sorriso caloroso. "Meu nome é Jeanne, sou filha de Joaquim, o porteiro do seu prédio."
"Ah, então é isso. Você é a cara do seu pai! Vejo que está muito bem de saúde, nem parece aquela menininha que não saía da cama," disse Henrique com um sorriso afetuoso.
"Isso são águas passadas, agora sou uma pessoa completamente saudável," disse Jeanne, entregando seu currículo para Henrique.
"Você acabou de se formar em Economia?" questionou Henrique, curioso.
"Sim, o senhor acabou se tornando um exemplo para mim e eu também achei a área fascinante," respondeu Jeanne, um pouco tímida.
"Exemplo? Seu pai não falou para você por onde andei durante esses tempos?" disse Henrique, arrependendo-se de ter perguntado.
"Falou sim. Sei que você errou, mas seus erros não apagam o que você fez por mim. Então, quero lhe ajudar... Além disso, está difícil encontrar emprego; geralmente pedem experiência. Pensei que poderia em ganhar experiência trabalho com você. Podemos nos ajudar a realizar nossos objetivos," explicou Jeanne pacientemente.
"Isso é incrível! Você realmente se parece com seu pai, não só na aparência," disse Henrique, impressionado. "Seu currículo é muito bom. Se quiser, já pode começar na segunda-feira."
"Muito obrigada, o senhor não vai se arrepender," agradeceu Jeanne.
Após conversarem mais um pouco sobre como seria o emprego, despediram-se. Satisfeito com o resultado do dia, Henrique resolveu voltar para casa e descansar. Quando estava saindo, encontrou-se com Amanda, que parecia tão deslumbrante quanto da última vez que se encontraram por coincidência.
"Oi! Aconteceu alguma coisa?" questionou Henrique ao notar sua expressão preocupada.
"Nada importante. Apenas vim chamá-lo para jantar e terminarmos de discutir o plano para pegar Bruno. Sua colaboração vai ser muito importante e você não pode errar!" disse Amanda com um olhar intimidador.
"Tudo por você, a mais bela delegada!" afirmou Henrique, sorrindo levemente.
"Então vamos logo, antes que eu perca a paciência com você," disse Amanda, segurando a mão de Henrique e puxando-o em direção ao estacionamento.
O caminho seguiu-se silencioso, enquanto Amanda lançava olhares furtivos para Henrique; ela parecia pouco amistosa. Ele achou sua personalidade muito inconstante, não sabia se ela tinha ou não alguma simpatia por ele, mas gostava de sua companhia.
Amanda, por outro lado, esperava que ele falasse algo e aguardava pacientemente que ele iniciasse uma conversa, sem perceber o quanto estava sendo intimidadora ao apenas olhar em sua direção.
Chegando ao restaurante, fizeram seus pedidos e rapidamente começaram a conversar sobre o plano, da forma mais discreta. Na verdade, tudo já estava perfeitamente elaborado e não havia muito o que conversar; o assunto rapidamente mudou. Amanda estava curiosa para saber como estava indo o progresso dele fora da cadeia e ficou impressionada com a rapidez com que ele estava agindo. Abrir um negócio exigia muito planejamento e ele fez isso tão rápido que parecia ser um dom natural.
Quando ele contou sobre a secretária que havia contratado, percebeu que havia muitas coisas sobre ele que ela ainda não conhecia. Jeanne era uma menina de saúde frágil que ficava constantemente doente. Os médicos da rede pública de saúde não conseguiam descobrir a causa, então Henrique pagou todos os exames e tratamentos em um hospital particular. Graças a ele, ela cresceu forte e agora já era uma jovem mulher lutando por seus sonhos.
Amanda não gostava de falar muito sobre sua vida pessoal e não se sentia pronta para falar sobre isso com Henrique, então manteve o foco da conversa nele. Após terminarem o jantar, ela o levou até o apartamento onde ele estava morando. Ela tinha dispensado Pedro mais cedo e, quando chegaram, pediu para Hélio, o outro policial que alternava os turnos com Pedro, vir.
"Você não quer subir um pouco? Tomar um pouco de água?" questionou Henrique ao sair do carro.
"Só um pouco, e porque estou com sede," respondeu Amanda rispidamente.
Ao subir para o apartamento de Henrique, ela o achou realmente pequeno. Mesmo tendo alugado o imóvel já mobiliado, havia poucos móveis na sala: um sofá, uma estante e uma TV na parede. À frente da porta, uma pequena janela; do lado esquerdo da sala, a entrada para a cozinha; e do lado direito, a entrada para o quarto. Ela analisava tudo enquanto esperava ele voltar da cozinha com o copo de água.
"Espero que goste, tá geladinha. Eu não fiz compras ainda, então só posso te oferecer isso," disse Henrique, entregando o copo gentilmente.
"Não tem problema, mas você deveria fazer compras rápido. Ainda está muito magro," reclamou Amanda.
Henrique achou estranha a afirmação e olhou para o próprio corpo, se perguntando se estava realmente magro, mas apenas concordou, dizendo que ia fazer isso o mais rápido possível. Enquanto Amanda terminava de beber sua água, Henrique esperava pacientemente com um sorriso estampado no rosto.
"Eu preciso ir agora. Hoje o dia foi muito cansativo," disse Amanda, devolvendo o copo.
"Eu imagino. De qualquer forma, muito obrigado pela companhia," disse Henrique, sem saber como se despedir. Amanda o surpreendeu dando um beijo em seu rosto.
Sem falar mais nenhuma palavra, ela saiu apressadamente do apartamento, deixando Henrique com um sorriso bobo enquanto tocava sua bochecha, sentindo o doce toque de seus lábios.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Fatima Vieira
q lindo
2025-02-06
0
Jeane Campos Campos
pela primeira vez eu vi uma personagem com meu nome apesar do meu ter só um n 😍
2025-01-22
1
Fatima Gonçalves
muito lento quase parando
2024-10-24
0