Deitado em sua cama, totalmente desconfortável, Henrique tentava dormir. Porém, sabia que se ele fizesse isso, talvez não acordasse vivo no dia seguinte. Tendo passado tantos anos preso, ele sabia exatamente o que poderia acontecer. Embora uma parte dele já tivesse aceitado seu destino, ele desejava intensamente uma segunda chance para corrigir seus erros e ter uma vida normal, quem sabe até mesmo encontrar alguém para se apaixonar e dividir sua vida.
Não havia um dia em que ele não se arrependesse do seu amor cego por Vitória, que havia sido sua ruína...
Ao escutar alguns passos, ele saiu de seus pensamentos. O pavor tomando conta de seu corpo fez com que tentasse se esconder embaixo das cobertas. Quando ouviu o barulho das chaves abrindo a cela, seu coração estremeceu e ele fechou os olhos.
"Hey, saia já daí, seu covarde!" disse um policial, retirando o lençol do rosto dele.
Por um instante, Henrique não entendeu o que estava acontecendo. Não parecia ser a voz de Elias; ao abrir os olhos, confirmou que realmente era outro policial.
"O que aconteceu?" questionou Henrique, sentando-se na cama.
"Venha comigo. Dona Amanda quer falar com você", respondeu o policial.
Sem reclamar, ele prontamente seguiu o policial, que, como praxe, o algemou. Sabia que Amanda era justa e temia que Elias aparecesse. Ao chegar na sala, viu Amanda acompanhada por um advogado, aumentando ainda mais sua surpresa. Tentou examinar seus olhares para descobrir algo, mas eles continuavam sérios. Então, ele apenas sentou-se calmamente.
"Henrique, o que você contou para Erick nos ajudou bastante", começou Amanda. "Graças a essas informações, pressionamos Elias e ele entregou todos os comparsas que ainda estavam do lado de Bruno. Então, vamos ajudar você...", completou Amanda e olhou para o advogado ao seu lado.
"Olá, Henrique. Meu nome é Geraldo. Erick me contratou para lhe ajudar", disse o homem, deixando Henrique atônito. "Pelo que vejo aqui, sua pena já foi reduzida por causa do seu bom comportamento e, como você nos ajudou a prender muitos criminosos, consegui reduzir o restante. Então, você já pode sair agora mesmo", completou Geraldo.
Henrique não sabia se ria ou se chorava. Esse era o milagre que ele estava pedindo se realizando?! Sim, só poderia ser isso. Sentiu-se grato por receber ajuda, mas não imaginava que ela viria de quem mais deveria odiá-lo. Tentava secar as lágrimas desajeitadamente, pois ainda estava algemado, e sorria quase soluçando.
Talvez ele nunca soubesse o quanto Amanda havia feito por ele naquela noite, até mesmo acordar um juiz, e ao exigir o pagamento de um favor, conseguiu que ele assinasse a soltura dele ou até mesmo o que ela era a pessoa que secretamente mandava-lhe os livros para ele. Quais seriam as chances dela admitir... Era algo que Amanda com certeza não queria fazer.
"Muito obrigado, Doutor Geraldo, Delegada Amanda", disse por fim Henrique.
"Você deveria agradecer a Erick. Ele, apesar do que você fez, pediu minha ajuda", disse Amanda com um pequeno sorriso.
"Tenho certeza de que ele não vai querer ver minha cara nem pintada de ouro, mas farei isso se tiver oportunidade", respondeu Henrique.
Amanda entendia perfeitamente o que ele estava sentindo. Em muitos anos na profissão, já tinha visto muitos casos onde a pessoa não era ruim, porém tinha escolhido caminhos errados, e Henrique era um desses. Após explicar mais algumas informações para Henrique, ela pediu para o policial que o trouxe retirar suas algemas. Informou que um policial à paisana iria segui-lo, pois temia que Bruno o procurasse se soubesse que ele estava livre, e Henrique agradeceu.
Após finalizar alguns trâmites burocráticos, Henrique recebeu seus pertences e pôde finalmente sair da cadeia. Verificou que em sua carteira tinha um pouco de dinheiro, então resolveu caminhar um pouco até encontrar um carro, já que seu celular estava descarregado. Porém, depois que andou alguns metros, percebeu que um carro se aproximava lentamente e parou ao seu lado.
"Você tem onde ficar esta noite?" questionou Amanda, saindo do carro.
"Bom, eu tenho um apartamento, mas tantos anos desocupado, deve estar inabitável," respondeu Henrique pensativo. "Não se preocupe, vou tentar achar um hotel para passar a noite."
"Você não tem família para pedir ajuda? Se quiser, eu empresto meu celular para você ligar para eles," sugeriu Amanda, procurando o celular na bolsa. Ela sabia a resposta, porém não queria deixar tão claro o quanto conhecia sobre ele.
"Família?" disse Henrique como se não entendesse a palavra. "Não, não, eu não tenho isso, vivi boa parte da minha vida em um orfanato," concluiu ele, gesticulando as mãos como se fosse algo banal.
"Então vou te levar até um hotel, essas ruas são muito perigosas e já está de madrugada" informou Amanda rispidamente.
"Você é sempre tão brava assim?" disse Henrique com um sorriso brilhante, ele estava tão feliz que não parava de sorrir.
"Só com quem merece! Entre logo no carro," respondeu Amanda, fazendo o sorriso de Henrique sumir.
"Desculpa, acho que estou passando dos limites," respondeu Henrique, baixando o olhar e assim não vendo a expressão tímida de Amanda.
Durante o percurso até o hotel, ele permaneceu em silêncio, evitando o contato visual. Amanda supôs que ele estivesse exausto, e, respeitando seu espaço, também se calou. No entanto, seus olhos ocasionalmente se voltavam para ele, tentando decifrar o turbilhão de pensamentos que ela imaginava se desenrolando em sua mente. Ainda era possível ver alguns hematomas em seu rosto, e Amanda ponderou sobre a dificuldade que ele deve ter enfrentado ao desafiar Bruno e suportar as represálias. A impossibilidade de se comunicar com o mundo exterior, sabendo que os policiais e agentes penitenciários aliados de Bruno poderiam interceptar qualquer mensagem, parecia um fardo quase insuportável.
"Amanhã bem cedo, o policial que eu recomendei vai começar a te vigiar, acho bom você não tentar nos enganar se comunicando com os foragidos Vitória e Bruno," disse Amanda se despedindo e caminhando a passos largos. "E boa noite," virou ela para falar, logo depois entrou no carro e partiu sem esperar a resposta de Henrique.
Olhando para a atitude de Amanda, ele achou curiosa suas ações, deixando um sorriso bobo escapar. Contudo, o cansaço falou mais alto e ele entrou no hotel e, ao ver que seu cartão de crédito ainda estava funcionando, comemorou internamente. Ele tinha uma boa economia e torcia para conseguir reconstruir sua vida, talvez vender o apartamento, mesmo que por um preço mais barato, pois ele deveria precisar de uma reforma.
Mas ele tinha uma nova chance e não desperdiçaria. Dessa vez, ele faria tudo da forma certa e não se deixaria enganar por falsos amores. Contudo, naquela noite, ele apenas agradeceu por poder tomar um banho quente e dormir em uma cama confortável. Não sabia o quanto sentia falta desse simples conforto. Ao deitar na cama, ele apreciou a textura do lençol e rapidamente dormiu, pensando no que iria fazer no dia seguinte.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Mariane Saldanha
estou amando a história, tomara que o Henrique consiga se reerguer e estou ansiosa pelo que vem a seguir 👏👏
2025-03-22
2
Bárbara Santos
quero ver ele com a Amanda colocando ele na linha kkkk
2025-04-03
0
Aparecida Fabrin
Que ele consiga se reerguer e segui sua vida honestamente.
2025-03-05
1