A luz da manhã se espalhava pela pequena aldeia nas montanhas, iluminando as casas de pedra e palha que compunham o vilarejo. Suer, agora com onze anos, caminhava pelo caminho de terra batida acompanhado por seus dois amigos mais próximos, Daimon e Nargol. Os três estavam a caminho do santuário de Apolo, onde Hélios havia prometido ensiná-los mais sobre a importância da fé e do fortalecimento espiritual.
Daimon, um garoto robusto com cabelos castanhos e olhos verdes, carregava um pequeno cesto de ervas que ele e Suer haviam coletado na floresta. Nargol, um pouco mais alto e com uma cicatriz distintiva no rosto, andava ao lado deles, sempre vigilante.
— Então, o que Hélios vai nos ensinar hoje? — perguntou Daimon, olhando para Suer com curiosidade.
— Ele mencionou algo sobre a importância da fé e como ela pode nos fortalecer em tempos de dificuldade — respondeu Suer, segurando o cesto junto de Daimon.
— Eu nunca entendi muito bem essa coisa de fé — admitiu Nargol, franzindo a testa. — Mas se Hélios acha que é importante, deve ser algo que vale a pena aprender.
Chegando ao santuário, os três garotos foram recebidos por Hélios, que os esperava com um sorriso acolhedor.
— Bom dia, rapazes. Hoje vamos falar sobre como a fé pode ser uma fonte de força e coragem, mesmo nos momentos mais difíceis — disse Hélios, gesticulando para que eles se aproximassem de uma área sombreada onde havia bancos de madeira.
— Fé é mais do que apenas acreditar nos deuses. É sobre confiar neles e sentir sua presença em nossos corações, especialmente quando enfrentamos desafios — continuou Hélios, olhando para cada um dos garotos. — Agora, contem-me, quais foram os momentos mais difíceis que vocês já enfrentaram?
Daimon foi o primeiro a falar. — Para mim, foi quando minha mãe ficou doente no último inverno. Eu não sabia o que fazer, e tinha medo de que ela não fosse se recuperar.
— Eu me lembro disso, Daimon — disse Suer, colocando a mão no ombro do amigo. — Você ficou muito preocupado, mas foi forte para ela.
Hélios assentiu. — E como você encontrou forças para lidar com essa situação, Daimon?
— Eu pensei nas coisas boas que ela sempre me disse sobre os deuses, e rezei muito. Pedi ajuda a Apolo para que ela ficasse bem — respondeu Daimon, com um tom de gratidão na voz.
— E isso, Daimon, é um exemplo de como a fé pode nos fortalecer. Acreditar que os deuses estão conosco nos momentos difíceis nos dá coragem e esperança — explicou Hélios.
Nargol, que normalmente era o mais calado do grupo, falou em seguida. — Para mim, foi quando enfrentei aqueles bandidos que estavam tentando roubar nossa colheita. Eu estava com medo, mas sabia que precisava proteger nossa comida.
— Isso foi muito corajoso, Nargol — disse Suer, admirado. — Você enfrentou o perigo para proteger a aldeia.
— E você, Suer? — perguntou Hélios, virando-se para ele. — Qual foi o momento mais difícil para você?
Suer pensou por um momento antes de responder. — Acho que foi quando eu comecei a aprender sobre a minha herança como clérigo. Sentia que havia tanta responsabilidade em mim, e tinha medo de não estar à altura.
Hélios sorriu. — E como você encontrou força para continuar, Suer?
— Minha mãe sempre me disse que os deuses me escolheram por um motivo, e que eu precisava confiar neles e em mim mesmo. Isso me deu a coragem para continuar — respondeu Suer, com um olhar determinado.
— Exatamente, Suer. A fé nos ajuda a encontrar força dentro de nós mesmos, nos lembrando de que não estamos sozinhos — disse Hélios, olhando para os três garotos com orgulho.
Ele então pegou um pequeno frasco de óleo perfumado e começou a ungir as mãos dos garotos, um por um.
— Este óleo representa a luz e a proteção dos deuses. Quando vocês enfrentarem dificuldades, lembrem-se deste momento e saibam que a fé está com vocês — disse Hélios, com um tom solene.
— Obrigado, senhor Hélios — disse Daimon, sentindo o conforto do óleo em suas mãos.
— Agora, quero que cada um de vocês me ajude a preparar um altar de gratidão. Vamos oferecer nossas preces aos deuses e pedir força para os desafios futuros — instruiu Hélios, apontando para uma área com pedras e flores.
Os garotos começaram a trabalhar juntos, escolhendo as pedras mais lisas e as flores mais bonitas. Enquanto faziam isso, eles conversavam sobre o que haviam aprendido.
— Acho que nunca pensei que a fé pudesse ser tão importante — disse Nargol, colocando uma pedra no altar.
— Eu também não, mas faz sentido. Sentir que os deuses estão conosco torna tudo um pouco menos assustador — concordou Daimon, ajustando algumas flores.
— E não estamos sozinhos nisso. Temos uns aos outros, e isso também nos fortalece — disse Suer, sorrindo para seus amigos.
Depois de terminarem o altar, Hélios conduziu uma breve cerimônia de gratidão, onde cada um dos garotos fez uma prece silenciosa. Suer fechou os olhos e pediu força e sabedoria para continuar sua jornada como clérigo, sentindo uma paz interior que nunca havia experimentado antes.
Quando a cerimônia terminou, Hélios olhou para os garotos com um sorriso satisfeito.
— Vocês fizeram um excelente trabalho hoje. Lembrem-se sempre da importância da fé e do apoio mútuo. Esses são os verdadeiros pilares de força em nossas vidas — disse Hélios.
Enquanto caminhavam de volta para a aldeia, Suer, Daimon e Nargol sentiam-se mais conectados uns aos outros e aos deuses. Eles sabiam que, com fé e amizade, poderiam enfrentar qualquer desafio que o futuro lhes reservasse.
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Atualizado até capítulo 45
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