O Encontro com Daimon

A aurora despontava timidamente sobre a pequena aldeia nas montanhas. O canto dos pássaros preenchia o ar, anunciando um novo dia. Suer, animado com a possibilidade de novas descobertas, saiu de casa cedo, decidido a explorar uma área da floresta que sua mãe sempre mencionara, mas nunca visitara com ele: o Bosque das Sombras.

Lyra havia falado do Bosque das Sombras com reverência e cautela. Segundo ela, era um lugar onde a magia da natureza era particularmente forte e, por isso, poderia ser tanto perigoso quanto benéfico.

— Lembre-se, Suer — dissera Lyra na noite anterior —, o Bosque das Sombras é um lugar de grande poder. Se você for até lá, deve estar em sintonia com a natureza e mostrar respeito pelos espíritos que o habitam.

Com essas palavras em mente, Suer partiu. Atravessou a praça central da aldeia, onde alguns aldeões já começavam suas tarefas diárias. Ele acenou para Thrag, o orc com a cicatriz, que estava empilhando lenha.

— Bom dia, Suer! Indo em uma nova aventura? — perguntou Thrag com um sorriso.

— Sim, vou explorar o Bosque das Sombras — respondeu Suer, tentando esconder sua excitação e um pouco de nervosismo.

Thrag franziu a testa ligeiramente, mas depois deu um tapinha amigável no ombro de Suer.

— Tenha cuidado. E lembre-se do que sua mãe lhe ensinou. Se precisar de ajuda, estarei por aqui — disse ele.

Suer agradeceu e continuou seu caminho. Ele seguiu a trilha que levava ao bosque, observando como a vegetação ficava mais densa e as sombras mais profundas à medida que se aproximava. Finalmente, chegou à entrada do Bosque das Sombras. O ar parecia mais frio e havia um silêncio reverente, quebrado apenas pelo som suave das folhas se mexendo.

Enquanto avançava cautelosamente, Suer ouviu um som distinto de passos leves. Ele parou, tentando identificar a origem do som. De repente, uma figura ágil e de olhos brilhantes surgiu das sombras: era um jovem orc, com cabelo castanho desgrenhado e uma expressão astuta.

— Quem é você? — perguntou Suer, mantendo uma postura defensiva.

— Eu sou Daimon. E você, o que faz aqui? — respondeu o orc com um sorriso enigmático.

— Meu nome é Suer. Estou explorando o bosque — disse ele, tentando parecer confiante.

Daimon riu suavemente.

— Explorar? Não sabe que este lugar pode ser perigoso para aqueles que não o conhecem? — disse ele, aproximando-se um pouco mais.

Suer sentiu um calafrio, mas manteve sua posição.

— Minha mãe me ensinou a respeitar a natureza e seus espíritos. Eu não estou aqui para causar problemas — explicou Suer.

Daimon pareceu considerar suas palavras por um momento antes de responder.

— Bem, se você realmente respeita este lugar, talvez possamos ser amigos. Eu conheço bem este bosque. Posso mostrar-lhe alguns segredos, se estiver interessado — disse Daimon com um sorriso travesso.

Suer hesitou, mas a curiosidade venceu.

— Está bem. Mostre-me o que você sabe — disse ele, tentando parecer mais corajoso do que se sentia.

Daimon conduziu Suer por trilhas escondidas, mostrando-lhe plantas raras e explicando suas propriedades mágicas. Em um ponto, eles chegaram a um pequeno lago cristalino, onde a água parecia brilhar com uma luz própria.

— Este é o Lago das Almas — disse Daimon, com uma voz mais suave. — Dizem que aqueles que olham para suas águas podem ver reflexos de suas verdadeiras naturezas.

Suer olhou para a água, intrigado.

— Verdadeira natureza? O que você quer dizer? — perguntou ele.

Daimon se ajoelhou ao lado do lago e olhou para sua superfície.

— Todos nós temos forças e fraquezas, Suer. Às vezes, é difícil ver isso em nós mesmos. O lago pode ajudar — disse ele, antes de gesticular para Suer se aproximar.

Suer se ajoelhou ao lado de Daimon e olhou para o lago. No começo, viu apenas seu reflexo. Mas então, como se as águas estivessem respondendo à sua presença, imagens começaram a surgir. Viu-se ajudando os viajantes feridos, trabalhando ao lado de sua mãe, mas também enfrentando seus próprios medos e inseguranças.

— Veja, Suer. Sua força não está apenas na magia que você aprende, mas também na coragem e no coração que você coloca em suas ações — disse Daimon, observando a reação de Suer.

Suer ficou em silêncio, absorvendo o que via e as palavras de Daimon. Ele sentiu uma nova determinação crescer dentro de si.

— Obrigado, Daimon. Acho que entendo um pouco melhor agora — disse Suer, olhando para seu novo amigo com gratidão.

Daimon sorriu e deu um tapinha no ombro de Suer.

— Sempre é bom ter alguém com quem compartilhar esses segredos. Você é bem-vindo aqui, Suer. Mas lembre-se, o respeito e a humildade são fundamentais — disse ele.

Os dois passaram o resto do dia explorando o bosque, compartilhando histórias e aprendendo um com o outro. Quando o sol começou a se pôr, Daimon conduziu Suer de volta à entrada do bosque.

— Até mais, Suer. Espero que volte em breve — disse Daimon, antes de desaparecer nas sombras do bosque.

Suer acenou, sentindo-se mais forte e confiante. Ele sabia que o encontro com Daimon e as lições aprendidas naquele dia seriam cruciais em sua jornada para descobrir sua força interior e seu verdadeiro propósito.

Enquanto caminhava de volta para casa, Suer sentiu a presença reconfortante do bosque ao seu redor. Ele estava pronto para enfrentar novos desafios, com a certeza de que a verdadeira força vinha de dentro e da conexão com o mundo que o rodeava.

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Comments

Brennda Germany's

Brennda Germany's

Suer com medo??? não acredito

2024-07-17

2

Brennda Germany's

Brennda Germany's

gente o que será que esse cara tá aprontando?

2024-07-17

2

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