A manhã seguinte ao festival da colheita trouxe um novo dia à pequena aldeia nas montanhas. O ar estava fresco, e a luz suave do sol nascente iluminava as casas de pedra e palha, ainda decoradas com as cores vibrantes das festividades. Suer e sua mãe, Lyra, estavam na cabana deles, organizando os ingredientes e ervas que haviam usado para preparar poções no dia anterior.
— Mãe, você acha que posso realmente ajudar a aldeia como você faz? — perguntou Suer, enquanto arrumava cuidadosamente os frascos de poções em uma prateleira.
Lyra parou por um momento, observando seu filho com ternura.
— Claro que sim, Suer. Você tem um dom especial. Não apenas pela magia que aprendeu, mas pela sua bondade e compaixão. Isso é o que realmente importa — respondeu ela, com um sorriso encorajador.
Suer pensou sobre as palavras de sua mãe enquanto se preparavam para sair em uma caminhada. Ele sempre se sentiu diferente dos outros orcs por causa de sua herança meio-sangue e dos ensinamentos únicos de sua mãe. Mas, ao mesmo tempo, sentia que havia algo mais profundo dentro de si, uma força que ainda não compreendia totalmente.
Eles caminharam até a floresta próxima, onde Lyra costumava ensinar a Suer sobre as plantas medicinais e a magia de cura. A floresta era um lugar sagrado para os habitantes da aldeia, um refúgio de paz e sabedoria ancestral. Árvores antigas erguiam-se altas, suas copas se entrelaçando e criando um dossel verde que filtrava a luz do sol, lançando padrões de sombras no chão coberto de musgo.
— Hoje, vamos aprender sobre a raiz de mandrágora — disse Lyra, parando ao lado de uma planta com folhas largas e flores brancas.
Suer ajoelhou-se ao lado da planta, observando-a com curiosidade.
— Dizem que a mandrágora tem um grito mortal quando é arrancada do solo, mas é também uma das ervas mais poderosas para a cura e a proteção — explicou Lyra, com um tom sério.
Suer olhou para sua mãe, intrigado.
— Como podemos usá-la sem nos ferir? — perguntou ele.
— Há uma maneira segura de colhê-la, que envolve rituais e cânticos específicos para acalmar seu espírito. Vou te mostrar — disse Lyra, começando a entoar um cântico suave enquanto desenhava símbolos no solo ao redor da planta.
Enquanto Lyra cantava, Suer sentiu uma energia diferente no ar, como se a própria floresta estivesse prestando atenção. Ele observou atentamente cada movimento de sua mãe, absorvendo o conhecimento e a sabedoria que ela compartilhava. Após alguns momentos, Lyra cuidadosamente arrancou a mandrágora, revelando suas raízes retorcidas sem qualquer grito ou sinal de perigo.
— Viu? Com respeito e compreensão, podemos usar os dons da natureza para o bem — disse Lyra, entregando a raiz a Suer.
— Obrigado, mãe. Eu prometo usar esse conhecimento com sabedoria — respondeu Suer, segurando a raiz com reverência.
De volta à aldeia, Suer sentiu-se mais confiante em suas habilidades. Ele sabia que tinha muito a aprender, mas cada lição o aproximava mais da compreensão de sua própria força interior.
Ao chegarem em casa, encontraram um grupo de aldeões esperando por eles. Entre eles estava Thrag, o orc com a cicatriz no rosto, que Suer havia encontrado anteriormente.
— Lyra, Suer, precisamos de sua ajuda. Há um grupo de viajantes feridos na borda da aldeia. Foram atacados por bandidos nas montanhas — disse Thrag, com um tom urgente.
Suer olhou para sua mãe, sentindo um misto de medo e determinação.
— Vamos, Suer. Esta é uma oportunidade de usar o que aprendemos para ajudar aqueles que precisam — disse Lyra, pegando sua sacola de ervas e poções.
Eles seguiram Thrag até o local onde os viajantes estavam. Havia quatro pessoas, todas com ferimentos visíveis e expressões de dor e cansaço. Suer observou enquanto sua mãe começava a tratar os feridos, aplicando pomadas e poções curativas.
— Suer, traga a mandrágora e prepare uma infusão. Precisamos aliviar a dor deles — instruiu Lyra.
Suer obedeceu rapidamente, usando o que havia aprendido na floresta para preparar a infusão. Enquanto fazia isso, um dos viajantes, um homem de meia-idade com um corte profundo no braço, olhou para ele com gratidão.
— Obrigado, jovem. Nunca vi ninguém tão jovem tão habilidoso na cura — disse o homem, com uma voz fraca, mas sincera.
Suer sentiu um calor de orgulho e humildade ao mesmo tempo.
— Estou apenas fazendo o que minha mãe me ensinou. Espero que melhore logo — respondeu ele, entregando a infusão ao homem.
Após algumas horas de trabalho intenso, todos os viajantes estavam estabilizados. Os aldeões que haviam ajudado estavam exaustos, mas aliviados. Lyra olhou para Suer com orgulho.
— Você fez um ótimo trabalho hoje, Suer. Estou muito orgulhosa de você — disse ela, abraçando-o.
Suer sentiu-se mais forte e mais seguro de si mesmo do que nunca.
— Obrigado, mãe. Eu acho que estou começando a entender o que você quis dizer sobre a força interior — respondeu ele, sentindo uma nova confiança florescer dentro de si.
À medida que a noite caía sobre a aldeia, Suer percebeu que a verdadeira força não vinha apenas das habilidades que possuía, mas do coração e do espírito com os quais usava essas habilidades. Ele sabia que essa jornada de autodescoberta estava apenas começando, e estava ansioso para ver aonde ela o levaria.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Brennda Germany's
e num era Thorg o nome ?
2024-07-17
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