As sombras das montanhas alongavam-se sobre a aldeia à medida que o sol se punha, tingindo o céu de um roxo profundo. Suer, com seus cabelos grisalhos e olhos roxos brilhantes, caminhava lentamente pela trilha que levava ao centro da aldeia. Ele sentia os olhares dos outros orcs, alguns curiosos, outros hostis, todos cientes de sua presença.
Enquanto ele passava, ouviu sussurros de alguns jovens guerreiros.
— Olha, é o meio-sangue — disse um, com desdém.
— Ele acha que pode ser um de nós? Com esses olhos e cabelos? — respondeu outro, rindo.
Suer manteve a cabeça erguida, ignorando os comentários maldosos. Ele havia aprendido com sua mãe a não deixar que as palavras dos outros o abalassem, mas, mesmo assim, sentia a dor da exclusão. Caminhou até a praça central, onde alguns orcs se reuniam ao redor de uma fogueira, discutindo os preparativos para o próximo festival da colheita.
— Suer! — chamou uma voz familiar. Era Lupo, um jovem guerreiro que havia começado a respeitar Suer depois que ele curou sua perna. — Venha se juntar a nós!
Suer aproximou-se hesitante, mas Lupo o recebeu com um sorriso caloroso.
— Não ligue para o que aqueles tolos dizem, Suer. Você tem dons que muitos de nós jamais terão — disse Lupo, batendo de leve em seu ombro.
— Obrigado, Lupo. Eu só quero ajudar e ser aceito — respondeu Suer, com um leve sorriso.
Antes que pudessem continuar a conversa, o chefe da aldeia, um orc imponente de braços fortes e expressão severa, se levantou e chamou a atenção de todos.
— Esta noite discutiremos os preparativos para o festival da colheita. Todos os guerreiros devem estar prontos para a caça, e os curandeiros devem preparar suas melhores poções para garantir a saúde de nossa aldeia — anunciou ele, olhando ao redor da fogueira.
Suer sentiu o olhar do chefe pousar sobre ele por um momento mais longo do que o necessário, uma mistura de dúvida e curiosidade em seus olhos.
— Suer, ouvi dizer que você tem habilidades especiais com poções. Talvez possa ajudar nossa curandeira principal, Ula, com os preparativos — disse o chefe, finalmente.
Suer ficou surpreso, mas assentiu com determinação.
— Claro, chefe. Farei o meu melhor — respondeu ele, sentindo um peso de responsabilidade pousar sobre seus ombros.
Mais tarde naquela noite, Suer encontrou Ula em sua cabana, uma estrutura acolhedora repleta de ervas secas penduradas no teto e frascos de poções alinhados nas prateleiras.
— Boa noite, Ula. O chefe pediu que eu ajudasse com os preparativos para o festival — disse Suer, entrando na cabana.
Ula, uma orc idosa com olhos sábios e mãos habilidosas, olhou para ele com uma mistura de ceticismo e curiosidade.
— Ah, Suer. Ouvi falar de suas habilidades. Vamos ver se pode me ajudar de verdade — respondeu ela, entregando-lhe um punhado de raízes secas. — Comece por moer essas raízes. Precisamos de um pó fino para uma poção de fortalecimento.
Suer começou a moer as raízes com cuidado, sentindo o aroma terroso encher o ar. Enquanto trabalhava, Ula observava atentamente.
— Minha mãe me ensinou que essas raízes são boas para fortalecer os músculos e aumentar a resistência — disse Suer, tentando iniciar uma conversa.
Ula levantou uma sobrancelha, surpresa.
— Sua mãe era uma sacerdotisa de Apolo, não é? — perguntou ela, continuando a preparar outras ervas.
— Sim, ela me ensinou tudo o que sei sobre cura e poções. Sempre disse que a luz de Apolo guia nossas mãos — respondeu Suer, com orgulho.
Ula parou por um momento, olhando diretamente para Suer.
— A sabedoria de Apolo é poderosa. Se você realmente aprendeu bem, pode ser uma grande adição à nossa aldeia — disse ela, voltando ao trabalho.
A noite passou rapidamente enquanto Suer e Ula trabalhavam lado a lado, preparando poções e discutindo técnicas de cura. Suer sentiu-se aceito de uma maneira que nunca havia experimentado antes, e Ula começou a perceber o valor que Suer poderia trazer à comunidade.
Na manhã seguinte, Suer caminhava pela aldeia com uma nova sensação de confiança. Ele ainda ouvia alguns murmúrios e risadas às suas costas, mas agora sabia que tinha algo valioso a oferecer. Quando passou pelo grupo de jovens guerreiros novamente, um deles, um jovem de nome Garruk, bloqueou seu caminho.
— Você acha que só porque ajudou Ula, agora é um de nós? — perguntou Garruk, com um olhar desafiador.
Suer encarou-o, sem vacilar.
— Não quero ser melhor do que ninguém, Garruk. Só quero ajudar nossa aldeia — respondeu ele, com firmeza.
Antes que Garruk pudesse responder, Lupo interveio.
— Deixe-o em paz, Garruk. Suer já provou seu valor mais do que muitos aqui — disse Lupo, colocando-se ao lado de Suer.
Garruk hesitou, mas finalmente deu de ombros e se afastou.
— Obrigado, Lupo. Não sei o que faria sem você — disse Suer, aliviado.
— Você faria exatamente o que está fazendo agora, Suer. Você tem um coração forte e habilidades que muitos invejam. Continue assim, e logo todos verão seu verdadeiro valor — respondeu Lupo, com um sorriso encorajador.
Com essas palavras de apoio, Suer sentiu-se mais determinado do que nunca a provar seu valor e conquistar seu lugar na aldeia. Ele sabia que o caminho à frente seria cheio de desafios, mas com a força de seus dons e o apoio de amigos como Lupo, ele estava pronto para enfrentar qualquer obstáculo.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Marcia Fernandes
verdade /Speechless/
2024-07-21
2
Brennda Germany's
Lupo num era o nome do filhote que Suer salvou no primeiro capítulo? o guerreiro tem o mesmo nome também? ou o filhote se transforma em guerreiro???
2024-07-16
3