O sol nascente banhava as montanhas com tons dourados enquanto Suer despertava em sua casa de pedra, uma das muitas que pontilhavam a aldeia orc. O ar fresco da manhã infiltrava-se pelas janelas pequenas, trazendo consigo o aroma de pinheiros e o som distante de animais selvagens despertando para o novo dia. Suer levantou-se da cama simples, os cabelos grisalhos desalinhados refletindo a luz suave que entrava pela janela.
— Bom dia, meu filho — chamou sua mãe, entrando na pequena cozinha com um sorriso afetuoso.
— Bom dia, mãe. O que vamos fazer hoje? — perguntou Suer, esfregando os olhos para afastar o sono.
Sua mãe, uma figura alta e forte com um semblante sereno e olhos gentis, trouxe uma tigela de mingau fumegante para a mesa.
— Vamos colher algumas ervas nas trilhas ao redor do riacho. Há uma mistura especial que quero preparar para as poções de cura — explicou ela, enquanto Suer tomava o desjejum com voracidade.
Depois de se alimentarem, mãe e filho se equiparam com cestas de vime e poções vazias, prontos para explorar as trilhas familiares que serpenteavam pelas montanhas.
A trilha começava suavemente, descendo em direção ao riacho que serpenteava entre as rochas e árvores antigas. O som da água corrente ecoava baixinho pelos vales, acompanhado pelo canto suave dos pássaros que voavam acima.
— Mãe, por que os outros me chamam de meio-sangue? — perguntou Suer, enquanto pisavam sobre as folhas secas que cobriam o chão da trilha.
Sua mãe caminhava com passos seguros à frente dele, seus passos firmes ecoando na terra batida.
— Eles não entendem que você é especial, Suer. Seu cabelo grisalho e seus olhos roxos são sinais de sua ligação com os deuses. Alguns não conseguem ver além da superficialidade — respondeu ela, olhando-o com ternura.
Suer assentiu, pensativo. Ele tinha crescido acostumado aos olhares curiosos e às palavras maldosas dos outros orcs, mas sua mãe sempre o ensinara a ser forte e a valorizar suas próprias virtudes.
À medida que caminhavam, sua mãe parava ocasionalmente para colher plantas medicinais. Ela ensinava Suer sobre cada erva que encontravam, explicando suas propriedades curativas e como usá-las nas poções que ela preparava para a aldeia.
— Esta é a verbena, Suer. Excelente para curar feridas e febres — disse ela, segurando uma planta de flores lilases delicadas.
— E esta, mãe? — perguntou Suer, segurando uma raiz grossa e retorcida.
— Ah, isso é gengibre orc. Bom para o estômago e para esquentar o corpo nos dias frios de inverno — explicou ela, sorrindo enquanto colocava a raiz na cesta.
Conforme continuavam, Suer começou a se sentir mais à vontade entre as plantas e as árvores que formavam seu ambiente natural. Ele se abaixava com cuidado para colher uma flor aqui, examinava uma folha ali, absorvendo cada lição que sua mãe lhe oferecia com paciência e sabedoria.
— Mãe, como você aprendeu tanto sobre as plantas e poções? — perguntou ele, enquanto cruzavam uma clareira ensolarada onde borboletas coloridas dançavam.
Sua mãe parou por um momento, observando as borboletas com um brilho nos olhos.
— Aprendi com minha mãe, assim como você está aprendendo comigo. É um conhecimento passado de mãe para filho ao longo das gerações, uma conexão com a terra e com os deuses que nos guiam e nos protegem — respondeu ela, voltando-se para Suer com um sorriso suave.
Suer assentiu, sentindo uma onda de gratidão pela herança que compartilhava com sua mãe. Ele sabia que cada planta colhida, cada poção preparada, era mais do que simples remédios — era uma tradição, uma ligação com suas raízes e uma responsabilidade que ele levava a sério.
À medida que o sol alcançava o ponto mais alto no céu, mãe e filho concluíram sua colheita e começaram o caminho de volta para casa. Suer sentia-se revigorado pelo dia passado na natureza, pelas lições compartilhadas e pelo amor inabalável de sua mãe.
— Mãe, por que Apolo nos dá a luz e a cura? — perguntou Suer, enquanto subiam uma trilha íngreme de volta à aldeia.
Sua mãe sorriu, o rosto iluminado pelo sol da tarde.
— Apolo é o deus da luz, da cura e da profecia. Ele nos guia e nos protege, iluminando nosso caminho nas horas mais escuras. Quando usamos seus dons com sabedoria e compaixão, podemos fazer a diferença na vida dos outros — explicou ela, os olhos fixos no horizonte.
Suer absorveu suas palavras, pensativo. Ele sabia que seu caminho estava apenas começando, mas sentia-se fortalecido pelo conhecimento, pela conexão com a natureza e pela confiança de que estava seguindo o caminho certo.
Com o coração cheio de gratidão e determinação, Suer e sua mãe continuaram sua jornada de volta para a aldeia, onde a luz de Apolo aguardava para iluminar seus próximos passos.
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Atualizado até capítulo 45
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