A aldeia nas montanhas começava a despertar com os primeiros raios de sol filtrando-se pelas copas das árvores. Suer, agora com 10 anos, sentia uma mistura de nervosismo e excitação enquanto se preparava para o grande dia. Hoje, ele enfrentaria uma prova importante, um rito de passagem que todos os jovens orcs deviam realizar para ganhar o respeito da aldeia.
A pequena casa de pedra e palha que ele compartilhava com sua mãe estava silenciosa. Ela o observava com olhos amorosos e um sorriso encorajador.
— Hoje é o dia, meu filho. Lembre-se de tudo que você aprendeu. A força não está apenas nos músculos, mas no coração e na mente — disse ela, enquanto ajustava a capa de Suer.
— Vou me lembrar, mãe. Vou fazer isso por nós — respondeu Suer, com uma determinação firme.
Ao sair de casa, Suer sentiu o frio da manhã em seu rosto. Ele caminhou até a praça central, onde já se reuniam os aldeões. A praça era rodeada por casas simples, e no centro havia uma grande fogueira apagada, usada nas celebrações da aldeia.
No meio da praça, estava Tharg, o chefe da vila, um orc de grande estatura e cicatrizes de batalhas passadas. Tharg era respeitado por todos pela sua sabedoria e liderança firme.
— Orcs da aldeia, hoje é um dia especial. Um jovem entre nós irá enfrentar seu rito de passagem e provar seu valor! — anunciou Tharg, sua voz grave ecoando pela praça.
Os olhos dos aldeões se voltaram para Suer. Ele engoliu em seco, sentindo o peso da expectativa.
— Suer, filho de Lyra, dê um passo à frente — ordenou Tharg.
Suer caminhou até o centro da praça, sentindo cada par de olhos fixos nele. Tharg colocou uma mão pesada no ombro de Suer.
— Você está pronto para enfrentar a criatura na floresta e proteger nossa aldeia? — perguntou Tharg, olhando diretamente nos olhos de Suer.
— Estou pronto, chefe Tharg. Farei o meu melhor — respondeu Suer, sua voz firme apesar do nervosismo.
Tharg assentiu, satisfeito com a resposta. Ele então se voltou para os aldeões.
— Este é Suer, filho de Lyra. Hoje ele enfrenta seu rito de passagem. Que os deuses o protejam e o guiem! — proclamou Tharg.
Os aldeões murmuraram palavras de encorajamento e respeito. Suer sentiu uma onda de orgulho e responsabilidade. Nara, sua amiga, correu até ele, segurando sua mão.
— Vou estar esperando por você, Suer. Você consegue — disse ela, com um sorriso confiante.
Suer apertou a mão de Nara e acenou com a cabeça. Ele sabia que tinha que fazer isso, não apenas por si mesmo, mas por todos aqueles que acreditavam nele.
A caminhada até a floresta foi longa e cheia de incertezas. Suer, armado com uma lança e uma bolsa de ervas curativas, seguia os rastros do lobo negro, a criatura que vinha aterrorizando a aldeia. A floresta era densa, com árvores altas e uma penumbra que fazia tudo parecer mais assustador.
Depois de algumas horas, Suer encontrou a clareira onde o lobo costumava caçar. A luz do sol mal penetrava através das copas das árvores, criando um ambiente lúgubre e opressor. No centro da clareira, ele viu a figura imponente do lobo negro. Seus olhos brilhavam com uma inteligência fria e perigosa.
— Eu posso fazer isso. Preciso fazer isso — murmurou Suer para si mesmo, preparando sua lança.
O lobo rosnou, mostrando suas presas afiadas. Suer sabia que precisava agir com rapidez e precisão. Ele lembrou-se dos ensinamentos de sua mãe sobre manter a calma e confiar em sua conexão com a natureza.
O lobo atacou, rápido como um raio. Suer desviou por pouco, sentindo a força do vento criado pelo movimento da fera. Ele contra-atacou, usando a lança para manter o lobo à distância. A batalha foi intensa, com ambos lutando ferozmente pela sobrevivência.
Suer usou sua agilidade para esquivar novamente, desta vez lançando uma pequena quantidade de pó de ervas no lobo, que começou a tossir e recuar. Aproveitando a oportunidade, Suer avançou, golpeando com a lança. Finalmente, Suer conseguiu acertar um golpe crítico, ferindo o lobo gravemente. A criatura caiu, ofegante, e Suer sentiu uma mistura de alívio e tristeza. Ele respeitava a força do lobo, mas sabia que a paz da aldeia dependia de sua vitória.
— Está feito — disse Suer, ofegante.
Quando Suer retornou à aldeia, foi recebido com olhares de surpresa e admiração. Tharg e os aldeões esperavam por ele na praça central.
— Suer, você provou seu valor hoje. Não apenas pela força, mas pelo coração. Você tem o respeito desta aldeia — disse Tharg, estendendo a mão.
Suer apertou a mão de Tharg, sentindo finalmente que havia encontrado seu lugar.
— Obrigado, chefe Tharg. E obrigado a todos por acreditarem em mim — disse Suer, olhando para os aldeões.
Nara correu até ele, envolvendo-o em um abraço apertado.
— Eu sabia que você conseguiria! — disse ela, com um sorriso radiante.
Enquanto a aldeia celebrava a vitória de Suer, ele olhou para a floresta, sentindo uma conexão ainda mais profunda com a natureza e com sua própria força interior. Ele sabia que desafios maiores viriam, mas estava pronto para enfrentá-los, com seus amigos e sua família ao seu lado.
A névoa começava a dissipar, revelando um novo dia cheio de promessas e possibilidades. E assim, Suer caminhava em direção ao futuro, com a certeza de que o respeito conquistado era apenas o primeiro passo de uma jornada épica.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
pascoal victor
vai estar voltando em capítulos futuros.
2024-07-21
1
Marcia Fernandes
cadê o lobinho que ele salvou e o seguia onde quer que ele fosse?
2024-07-21
2