A aldeia nas montanhas acordava lentamente sob o sol nascente. A brisa matinal era fria, carregando o aroma fresco das árvores e do riacho que serpenteava pela floresta próxima. Suer, ainda com a euforia da sua recente vitória, sentia-se mais confiante do que nunca. As cicatrizes e arranhões que havia adquirido eram marcas de sua coragem, e a aldeia agora o via com novos olhos.
Ao sair de casa, ele encontrou Nara esperando por ele. Seus olhos violetas brilhavam com entusiasmo.
— Bom dia, Suer! Dormiu bem? — perguntou ela, com um sorriso acolhedor.
— Sim, acho que nunca dormi tão bem na minha vida — respondeu Suer, devolvendo o sorriso.
Os dois caminharam juntos pela aldeia, onde os aldeões já começavam suas atividades. A praça central, agora livre das sombras da névoa matinal, era um local de encontro vibrante. Vários orcs cumprimentaram Suer com acenos e palavras de encorajamento.
— Olha só, nosso jovem herói — disse Tharg, o chefe da vila, ao ver Suer se aproximar. — Está pronto para mais um desafio hoje?
— Que tipo de desafio, chefe Tharg? — perguntou Suer, curioso.
Tharg sorriu enigmaticamente e apontou para o grande salão de reuniões da aldeia, uma estrutura robusta feita de madeira e pedra, decorada com troféus de caça e símbolos tribais.
— Venha, temos algo importante para discutir — disse Tharg, liderando o caminho.
Dentro do salão, a luz do sol entrava pelas janelas altas, iluminando o espaço com um brilho dourado. Os anciãos da aldeia já estavam reunidos, murmurando entre si. Ao ver Suer, eles ficaram em silêncio, todos os olhares voltados para ele.
— Suer, ontem você provou sua bravura enfrentando o lobo negro. Mas um verdadeiro herói não para na primeira vitória. Temos mais uma missão para você — anunciou Tharg, com um tom sério.
Suer olhou ao redor, sentindo o peso da responsabilidade. Mas ele também sentia uma chama de determinação ardendo dentro de si.
— Estou pronto. O que preciso fazer? — perguntou Suer, erguendo o queixo com confiança.
Um dos anciãos, um orc de barba grisalha chamado Gorak, se levantou e caminhou até Suer.
— Há uma caverna nas profundezas das montanhas, onde dizemos que vive um dragão adormecido. Nos últimos meses, temos sentido tremores e ouvido rugidos distantes. Precisamos que você vá até lá e descubra o que está acontecendo — explicou Gorak.
Nara, que estava ao lado de Suer, apertou sua mão em apoio.
— Isso parece perigoso. Mas sei que você pode fazer isso, Suer — disse ela, com um sorriso encorajador.
Tharg assentiu.
— Você não vai sozinho. Daimon irá com você. Ele conhece bem a região e será um bom companheiro — disse Tharg, olhando para Daimon, que estava ao fundo da sala.
Daimon, um orc forte e experiente, se aproximou e deu um tapinha no ombro de Suer.
— Vamos mostrar a todos que o respeito que você ganhou é merecido, jovem Suer — disse Daimon, com um sorriso.
A jornada para a caverna foi árdua. Suer e Daimon seguiram pelos caminhos rochosos, enfrentando o frio cortante e a subida íngreme das montanhas. A vegetação se tornava mais escassa à medida que avançavam, e o silêncio era interrompido apenas pelo vento uivante.
— Daimon, você acha mesmo que há um dragão lá? — perguntou Suer, tentando conter a excitação e o medo.
— Não sabemos ao certo, mas os sinais são preocupantes. Devemos estar preparados para qualquer coisa — respondeu Daimon, com um olhar sério.
Quando finalmente chegaram à entrada da caverna, uma abertura escura e imponente na face da montanha, Suer sentiu um calafrio. O rugido distante que ouvira antes agora era mais claro, reverberando pelas paredes de pedra.
— Parece que temos companhia — murmurou Daimon, segurando sua espada com firmeza.
Suer pegou sua lança, lembrando-se das palavras de sua mãe sobre coragem e sabedoria.
— Vamos entrar — disse ele, sua voz firme.
Dentro da caverna, a escuridão era quase total, interrompida apenas pela luz fraca das tochas que carregavam. As paredes de pedra eram úmidas e escorregadias, e o ar estava pesado com um cheiro estranho de enxofre.
— Fique alerta, Suer. Pode haver armadilhas ou outras criaturas aqui — alertou Daimon.
Enquanto avançavam, o rugido ficou mais alto, acompanhado de tremores que faziam o chão tremer sob seus pés. Finalmente, chegaram a uma câmara ampla, onde uma figura colossal estava deitada. Um dragão, suas escamas negras brilhando à luz das tochas, dormia profundamente.
— Lá está ele — sussurrou Suer, fascinado e aterrorizado ao mesmo tempo.
— Precisamos descobrir por que ele está aqui e como podemos mantê-lo longe da aldeia — disse Daimon.
De repente, o dragão abriu um olho, fixando-os com um olhar intenso. Suer sentiu seu coração disparar, mas manteve-se firme.
— Quem ousa perturbar meu sono? — rugiu o dragão, sua voz profunda ecoando pela caverna.
— Somos da aldeia nas montanhas. Viemos para garantir a segurança de nosso povo — respondeu Suer, tentando não demonstrar medo.
O dragão observou-os por um momento antes de falar novamente.
— Eu fui acordado por um terremoto e me desloquei para esta caverna em busca de abrigo. Não desejo causar mal à sua aldeia — explicou o dragão.
Daimon e Suer trocaram olhares surpresos. Este não era um dragão comum, mas uma criatura inteligente e possivelmente amigável.
— Então, podemos ajudá-lo a encontrar um lugar mais adequado para descansar? — sugeriu Suer, com coragem.
O dragão pareceu considerar a oferta, seus olhos brilhando com um misto de surpresa e respeito.
— Sim, jovem orc. Se puderem me ajudar a encontrar um novo lar, prometo não causar mais problemas à sua aldeia — respondeu o dragão.
Ao retornarem à aldeia, Suer e Daimon foram recebidos como heróis. Tharg e os outros anciãos ouviram atentamente a história, impressionados com a coragem e sabedoria demonstradas por Suer.
— Suer, você mostrou não apenas bravura, mas também compaixão e inteligência. Essas são as verdadeiras marcas de um líder — disse Tharg, com um sorriso de orgulho.
Os aldeões aplaudiram e comemoraram, e Suer sentiu-se finalmente aceito e respeitado por todos. Ele sabia que sua jornada estava apenas começando, mas agora tinha a confiança e o apoio de sua aldeia.
Nara correu até ele, abraçando-o com força.
— Eu sabia que você conseguiria, Suer! Você é incrível! — disse ela, com os olhos brilhando de alegria.
Suer sorriu, sentindo-se mais forte do que nunca.
— Isso é só o começo, Nara. Juntos, podemos enfrentar qualquer coisa — disse ele, olhando para o futuro com esperança e determinação.
A noite caiu sobre a aldeia, e as estrelas brilhavam intensamente no céu, iluminando o caminho de Suer e de todos os que acreditavam nele. Ele sabia que, com coragem, sabedoria e amor, poderia conquistar qualquer desafio que viesse pela frente.
E assim, a história de Suer continuava, uma história de coragem, amizade e a busca incessante pelo respeito e pelo bem de sua aldeia.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
pascoal victor
não
2024-07-27
1
Ruth Silva
É o mesmo Daimon que ele conheceu na floresta? /Doubt/
2024-07-27
1
Brennda Germany's
Suer quer morrer??? vou matar essa Nara também viu
2024-07-17
2