Fui para casa naquele dia pensativa, eu estava muito dividida. Mesmo que tivesse sobrado muito pouco, ainda tinha esperança de que as coisas melhorassem.
Eu amava Henry… amava a sua voz, as suas mínimas expressões, o cheiro dele e como a gente fazia amor.
Se ele pelo menos reconhecesse tudo o que eu faço, acho que não estaria me sentindo tão dividida.
Eu olhei bem para ele, para o seu corpo enquanto eu o despia, seus cabelos caindo na sua testa e a cara bravinho que ele fazia quando se incomodava porque a sua franja estava grande demais.
Eu até gostava de cuidar dele, cuidar de quem amamos não é nenhum sacrifício o que cansa é a falta de reciprocidade.
Eu estava muito distraída pensando sobre a minha decisão e acabei provocando Henry enquanto o ajudando no banho. Só percebi quando ele me puxou de repente, me dando um susto em seguida.
Ele pediu que eu entrasse na banheira para a gente fazer amor, já que assim me recompensaria pelo meu trabalho, já que não pode me pagar um salário.
Eu até poderia, viu? Ter uma última noite de amor, antes de ir embora. Mas não! Eu não quero assim, não quero fazer amor como se fosse uma recompensa que eu precisava, o que eu precisava era mais do que isso, muito mais…
Me afastei e naquele momento pensei que deveria ir embora dali bem naquele momento. Mas pensar que eu nunca mais iria ver o meu primeiro amor fez meu coração apertar.
Tentei engolir o choro, mas as lágrimas insistiram em cair.
— O que eu sou para você, Henry? Você me vê apenas como sua empregada? — aquilo não era uma pergunta qualquer, aquilo era o meu interior, desejando que eu fosse torturada pelas palavras dele e desistisse de tudo logo. Aquilo era também o meu interior ansiando por uma resposta diferente, algo que me desse esperança de que tudo vai mudar.
Nada mudou… ele me disse aquelas mesmas palavras, sobre minha aparência, tentando dizer que eu estava com ele por ser rejeitada pelos outros homens, que eu era estranha e por fim, que ele não podia me amar sem ver.
Será que tudo o que faço não é o suficiente? Ele não é cego apenas nos olhos, ele não consegue ver que tudo que faço é só por amar profundamente.
Eu não aguentei ficar com ele ali. Saí e fui para o jardim da casa. O ar naquele banheiro estava pesado e eu não conseguia respirar direito. Olhei para o céu, tomando coragem, eu deveria o deixar.
Mas como dizer isso a ele? Dizer que iria o deixar na mão. Dizer que deveria se virar sozinho a partir de agora. Dizer para tomar cuidado com o seu meio irmão e a sua madrasta.
Meu Deus, eu estava presa a aquele homem. Não tinha coragem de deixá-lo a Deus dará, sabendo que sem mim algo muito ruim poderia acontecer a ele.
Eu estava muito dividida e mesmo tendo encontrado alguém que queria me ajudar, eu estava muito presa a essa vida.
Fiquei pensando tanto que não vi o tempo passar, quando voltei para o quarto, engoli meu orgulho e acabei voltando a ajudar Henry.
Pela manhã fiz tudo de acordo com a minha rotina, cortei os cabelos do Henry, deixei tudo preparado, os livros gravados ao seu alcance para ele se distrair e fui para o trabalho.
Chegando no trabalho meu chefe estava muito bravo comigo. Ele ficou o dia todo atrás de mim me pedindo para fazer coisas. Além do caixa, ele me fez atender mesas, limpar o chão e até me mandar para cozinha ele mandou.
Para piorar, não me deixou tirar meu horário de almoço, mesmo eu implorando. Naquele dia o Henry ficou sem almoçar e eu fiquei desesperada. Mas o que eu podia fazer, precisava daquele emprego.
Quando terminou o meu expediente, o meu chefe me chamou na sala dele e me deu a minha carta de demissão. Me disse que já que eu estava o evitando, não podia mais trabalhar ali.
Eu implorei para ele voltar atrás e ele me disse que só tinha uma maneira de cancelar a minha demissão e fez uma pausa, me fazendo entender bem do que se tratava.
Eu assinei os papéis, já que eu nunca faria o que ele estava tentando me pressionar.
— E o meu salário? Eu posso receber o meu salário hoje? — pergunto, já que aquele era o dia de pagamento.
— Não. Você vai receber tudo na recisão.
— Senhor, eu… eu estava contando com esse salário. Não tem como fazer uma exceção?
— Não, Camille. Eu só sou bom com quem é bom para mim. Porque não pede um salário para aquele homem que veio te buscar ontem. O que foi? Ele te comeu e desapareceu? Acho bem feito, é isso que mulheres como vocês merecem!
Não aguentei, quando percebi minha mão já estava atingindo o rosto dele. Agora que ele não era mais o meu chefe, eu podia dar a ele merecia.
— Argh! Sua vadia! Eu vou… — ele se levanta e imediatamente eu me levanto também e corro para ir embora — Eu vou acabar com você! Não vai conseguir mais trabalho em nenhum lugar! Qualquer empresa que perguntar eu vou falar o quão péssima funcionária você é! — ele grita fica gritando enquanto eu continuo correndo indo embora.
Aquele dia eu estava exausta e dessa vez, não só mentalmente, também fisicamente.
Cheguei em casa e corri para fazer o jantar de Henry, já que ele poderia estar morto de fome.
Porém, quando fui olhar no armário, estava vazio. Não tinha nada, nem um pacote de sal.
— Camille, a senhora pediu para pegar os tudo que estava no seu armário e preparar. Disse que era tudo roubado.
— O quê?! Como assim? Ela não podia comer tudo?
— Ela não comeu, o que sobrou pediu para jogar fora.
Balancei a cabeça, desesperada, eu não tinha nenhum dinheiro para comprar mais comida. E agora? O que eu podia fazer.
— Camille… é.. tome! — Tânia me oferece um pacote de macarrão. — Faz isso aqui, a senhora nem vai perceber que você pegou.
Fiquei dividida se deveria fazer aquilo ou não, porém, não tinha outra alternativa, não podia aparecer a essa hora na casa da minha mãe pedindo algum mantimento.
Acabei aceitando e preparando, porém, por causa da minha falta de sorte a madrasta do Henry acabou aparecendo.
A mulher fez um escândalo, me apontando o dedo e gritando acusações.
Eu tentei implorar, tentando encontrar alguma caridade naquele coração, mas naquele coração só tinha maldade.
Ela pegou a tigela de sopa da minha mão e para minha surpresa, jogou em si mesma e começou a gritar que eu tinha agredido ela, que era para chamarem a polícia.
Sim, ela conseguiu que eu fosse levada para a delegacia. Parece exagero, mas eu sabia porque ela fez aquilo.
Era uma vingança por causa do filho dela. Um dia desses eu estava tomando um ar no jardim e aquele babaca veio tentando me agarrar. Sem saída acabei dando um chute bem na virilha dele e após isso, recebia ameaças constantemente da madrasta do Henry.
O delegado ficou me fazendo perguntas, mas não respondi, eu estava muito cansada. Cuidar do Henry me prejudicava de tantas maneiras que ficar na delegacia era melhor do que ficar naquela casa.
Foi aí que finalmente tomei minha decisão e pedi para usar o meu direito de fazer uma ligação. Liguei para Edgard e em pouco tempo eu já estava fora daquela delegacia.
Ainda no carro, ele me perguntou:
— Tomou sua decisão? Vai aceitar a minha ajuda?
— Sr Edgard, eu quero trabalhar. O Sr pode me dar um trabalho onde eu me sinta um ser-humano?
— Claro, mas eu posso fazer mais por você.
— Não, eu só quero isso e… Aliás, eu quero um outro favor. Se você fizer isso, eu vou ser grata para sempre ao senhor, pois só assim vou conseguir me libertar.
— Claro! O que você quer?
— Sr Kramer, o sr conhece algum médico de olhos muito bom? Alguém que consegue fazer um cego voltar a enxergar?
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 65
Comments
Fabiana Soares
Essa história está cada vez melhor, eles tem que conversar e ficarem bem
2024-06-22
324
Mara Melo
É a segunda vez que eu leio essa história, quando a li estava em atualização, não que a autora não tenha sido fiel na atualização, era atualizado todos os fias , mas agora atualizado conseguiu ficar muito mais emocionante .É um espetáculo de história.
2024-11-06
0
Mônica Santos
cada página que leu me surpreende mais muito boa essa história
2025-01-19
0