Não sei por quanto tempo fiquei ali, encarando seus olhos que pareciam lasers, penetrantes e cortantes. No fundo, eu sabia que sua visita não era porque ele queria me ver, mas sim porque queria saber onde eu estava morando, ou talvez soubesse de algo e quisesse se certificar.
Cautelosa, mantive minha postura firme, escondendo minhas preocupações enquanto tentava decifrar as intenções por trás daquele sorriso confiante. Sabia que precisava ser cuidadosa com cada palavra que saía de minha boca, pois qualquer deslize poderia colocar em risco não só minha segurança, mas também a de Kaique.
— Então, não vai me convidar para entrar? Ouvi bem hoje que é uma professora inteligente e prática. — ironizou.
— Ser uma professora inteligente e prática não significa que devo convidar qualquer pessoa que apareça à minha porta para entrar, especialmente quando não é convidado. — respondi, mantendo a voz firme e controlada.
Por dentro, porém, minha mente fervilhava com preocupações e incertezas sobre como lidar com aquela situação delicada.
Khalil olhou-me por um momento, seus olhos âmbar penetrando os meus com uma intensidade que enviou um arrepio pela minha espinha. Por um instante, houve um silêncio tenso entre nós, enquanto eu mantinha meu olhar firme, recusando-me a demonstrar qualquer fraqueza.
Finalmente, ele quebrou o silêncio com um sorriso cínico.
— Muito bem, então. Respeitarei sua decisão por enquanto. Mas saiba que não vim aqui para causar problemas. Apenas desejo ter uma conversa civilizada com você. De professora inteligente e prática, para um velho amigo íntimo.
Sua voz suave contrastava com a seriedade de suas palavras, e eu não pude deixar de me perguntar qual era o verdadeiro motivo por trás da sua visita. No entanto, decidi manter minha guarda alta, determinada a proteger a mim mesma de seu jeito sedutor.
Eu queria que minha mente fosse tão inteligente e prática como ouvi hoje. Ela poderia ser tudo isso para outras coisas, mas quando o assunto se trata de Khalil, a inteligência e praticidade viajam para a baixa da égua.
Respirei fundo, tentando manter o controle sobre minhas emoções tumultuadas.
— Vamos conversar aqui mesmo, Khalil. O que você realmente quer? — perguntei, cruzando os braços na tentativa de criar uma barreira entre nós.
Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nossos corpos, mas ainda respeitando o espaço que eu havia estabelecido.
— Quero saber o que aconteceu com aquelas roupas que você ficou de buscar e retornar para mim. — disse diretamente. — Recordo-me que me fez uma promessa.
O choque de sua pergunta me assolou naquele momento, trazendo à tona lembranças dolorosas. Fui instantaneamente transportada de volta naquele dia, às ameaças de seu segurança e amigo, Saïd. Ele realmente me pegou de surpresa; não achei que faria essa pergunta primeiro. Fiz de tudo durante esses anos para esquecer aquele dia cruel em que quase perdi meu filho naquele acidente. Apesar de estar fugindo dos interrogatórios de Saïd, ouvi claramente quando ele disse que, se Khalil soubesse do bebê, mandaria que eu o tirasse, pois não queria filhos e muito menos casamento. Mas estava anunciando casamento com a tal Ayla.
As lembranças me causaram uma leve tontura, e meu estômago se revirou.
— Prefiro não discutir isso — disse com semblante sério.
Eu sabia que Khalil era um homem impulsivo e exasperado, que não desistiria tão facilmente do que queria saber. A prova disso foi ele entrar em minha sala e fechar a porta atrás de si, sem ser convidado.
Enquanto adentrava a sala, Khalil passou seus olhos pelo cômodo, varrendo o lugar com curiosidade. Minha sala estava cheia de livros, algumas plantas e poucos móveis. Nada naquele lugar combinava com sua presença, mas ele pareceu não se importar.
— Diga-me, por que saiu correndo da escola hoje? — indagou, me estudando, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça social.
Ele é tão intimidador, ainda mais com seus 1,90 m de altura, enquanto eu, com apenas 1,56 m, me sinto uma menina diante dele.
— Eu estava com pressa. Sou professora e, como você sabe, temos uma vida corrida — expliquei, abraçando meu próprio corpo.
— Que interessante, mas você não levaria tanto tempo assim para, pelo menos, se despedir ou falar comigo — comentou, com seu sotaque rico.
— Apenas não tive tempo. Como eu disse, estava com pressa — desconversei.
Khalil soltou a respiração pesada que estava prendendo.
— Tenho a sensação de que você estava tentando me evitar. Não sou burro, carinho. — disse, fazendo meu corpo reagir ao ouvir sua voz rouca. Ele sorriu e voltou a me encarar. — Você é a única mulher que me evita, de alguma forma, isso me atrai.
— Porque conheço você melhor do que as outras, deve ser isso — a frase escapou dos meus lábios.
Eu não deveria ter dito isso. Estava tentando esconder os sentimentos de revolta que tinha por ele e nosso passado, mas acabei estragando tudo. Khalil ergueu uma sobrancelha, claramente intrigado.
— Então você me conhece bem? Isso é interessante. Talvez mais interessante do que você imagina.
Respirei fundo, tentando manter a compostura.
— Khalil, por favor, vamos parar com esses joguinhos. Se você tem algo a dizer, diga logo, e sai da minha casa.
Ele deu um passo mais perto, diminuindo ainda mais a distância entre nós. Enquanto eu me afastava, ele se aproximava, até eu sentir a parede atrás de mim.
Por um momento, seus olhos percorreram meu corpo com ousadia. Depois, subiram para meu rosto, seu olhar demorando nos meus antes de descer para os meus lábios. Eu parecia um animal amedrontado diante daquele homem. Ele travou o maxilar, e percebi que um sorriso quase se formava em seus lábios, talvez lembrando de alguma coisa indecente.
Estava ciente daquele olhar sobre mim e sabia que ele estava pensando em coisas sujas. Meu corpo estava em choque por sentir seu corpo tão próximo e seu olhar cheio de desejo, mesmo ele tentando disfarçar.
— Pare com isso, Khalil.
— Parar com o quê? — ele murmurou cinicamente, seus lábios curvando-se em um sorriso provocador.
Engoli em seco, tentando manter a calma enquanto meu coração batia acelerado.
— Está muito próximo, não gosto dessa proximidade assim. E não é educado da sua parte me olhar dessa forma.
Khalil deu uma risada tipicamente masculina.
— Meu olhar e a proximidade te afetam? — sussurrou roucamente. — Olhar é normal, faz parte do ser humano.
— Não gosto disso. — rebati.
— Não gosta agora, mas antes amava isso, até revirava os olhos quando estava sentada em meu colo.
— Isso foi antes. — O repreendi.
Ele sabia como me provocar e tirar do sério.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Simone Ferreira
Aí caramba,para de enrolação e conta logo que vc foi sequestrada pelo motorista e o amigo dele caramba 🤦🏻♀️
2024-06-26
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Neuza Lucia
essa autora gosta de fazer enrolação não gosto de história que mulheres sofrer pra nós fim terminar feliz na vida também é assim temos problema dificuldade mas momento feliz mais história que o mal prevalece até o fim estou fora mesmo
2024-12-08
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Léa Maria
Valéria precisa vencer essa insegurança e contar a ele como tudo aconteceu. Kalil precisa saber dos atos de seu secretário e amigo Said.
2024-07-12
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