Abri os olhos naquele momento simplesmente por ouvir a voz tão familiar daquela mulher. Até a sua voz me deixa louco. Ela não parecia a mesma de quando saí da sua casa, quando me ameaçou de chamar a polícia se eu não me retirasse da sua residência. No caminho para casa, me peguei pensando nela e no próximo passo para fazê-la aceitar o que propus, e impedi-la de viajar, e foi nesse momento que um farol do caminhão que vinha logo à frente me pegou desprevenido e bateu no meu carro. Quando o carro começou a capotar, só consegui pensar nela. Antes de perder a consciência, com dificuldade, consegui pegar o celular e ligar para ela, mesmo sem poder falar, para mantê-la aqui, antes mesmo de ela viajar.
Tudo bem que não foi tão grave o acidente, mas com isso eu consegui o que eu queria, agora só precisava que ela aceitasse trabalhar comigo.
Agora ela estava aqui, sentada ao meu lado na cama, pensando na proposta que fiz.
— Por favor, Valéria, aceite. — Insisti.
Ela se levantou abruptamente e me encarou.
— Se eu não estivesse vendo você deitado aí e machucado, eu pensaria que está fingindo tudo para que eu não viaje e aceite sua proposta, senhor Khalil. — disse. — Estava no aeroporto, esperando meu voo sair. — Massageou a têmpora.
Tentei me sentar na cama para conversar direito com ela, mas não consegui. O que consegui foi gritar de dor ao sentir meu corpo dolorido pelo impacto. Imediatamente, Valéria veio até mim, tentando me acalmar. Vi o momento em que ela saiu correndo para chamar o doutor, e ele veio até mim.
O doutor entrou rapidamente no quarto, seguido por uma enfermeira. Eles me examinaram enquanto Valéria observava, preocupada.
— Você não deveria tentar se mover ainda, senhor Khalil. Precisa descansar e se recuperar. — disse o doutor com firmeza.
Eu assenti, sentindo a dor pulsar em cada fibra do meu corpo. O doutor ajustou os medicamentos e garantiu que eu estivesse confortável antes de sair do quarto.
Valéria se aproximou novamente, seu rosto marcado por uma mistura de raiva e preocupação.
— Você realmente não sabe quando desistir, não é? — ela murmurou, mais para si mesma do que para mim.
— Não quando se trata de você, Valéria. — respondi, minha voz rouca. — Sei que meu acidente foi um choque, mas isso não muda o que sinto ou o que quero, continuarei insistindo.
Ela ficou em silêncio, seus olhos fixos nos meus. Por um momento, pensei ver um lampejo de algo além da preocupação — talvez fosse medo, talvez fosse esperança.
— Você precisa descansar. — disse ela, finalmente. — Podemos falar sobre isso depois.
— Não. — Minha voz era firme apesar da dor. — Preciso que você saiba que estou falando sério. Quero que fique. Quero que aceite minha proposta. E só posso descansar quando você me disser um sim.
Ela suspirou, balançando a cabeça, mas não disse mais nada. Em vez disso, se sentou novamente ao meu lado, segurando minha mão. Eu podia sentir o calor de seu toque, um pequeno consolo em meio à dor.
— Eu não sabia que existia sheik tão cabeça dura e teimoso. — Ela riu, seu sorriso não chegou aos olhos.
Percebi um toque de ironia em sua voz, mas também uma leveza que não estava presente antes. Talvez houvesse uma ponta de admiração no jeito como ela falava.
Eu sorri, mesmo sentindo a dor latejante em meu corpo.
— Bem, agora você sabe. — Respondi com um leve tom de brincadeira. Era reconfortante ouvir sua risada, mesmo que fosse apenas um sussurro.
— Você é um enigma, Khalil. — Ela murmurou finalmente, quebrando o silêncio. — Mas há algo em você que me faz querer ficar.
Seu olhar era intenso.
— Espero que você fique. — Minha voz soou suave.
— Tudo bem, eu aceitarei seu pedido, mas com uma condição. — avisou. — Trataremos apenas de negócios, não teremos mais nada. Entendeu? Se você aceitar, eu serei sua secretária pessoal. E também tem que saber que tenho minha vida particular e privada além das portas de sua luxuosa e imponente mansão.
Eu não queria aceitar a sua condição. Mas se eu me impor, estarei perdendo-a. Então tenho que aceitar e lentamente conquistá-la. E farei isso sem pressa, porque no final, sempre consigo o que me proponho.
Não será tão difícil assim.
Eu a observei atentamente, absorvendo suas palavras com seriedade.
— Entendo perfeitamente. — Respondi, mantendo meu tom firme. — Aceito sua condição. Trabalharemos apenas de negócios, como você deseja. E respeitarei sua vida particular além das portas da mansão. — Bem-vinda a bordo, Valéria. — Acrescentei, estendendo minha mão em um gesto de acordo mútuo.
Ela hesitou por um momento, mas estendeu a mão e apertou a minha, selando nosso acordo com determinação.
— Então, para começar, deveria descansar, senhor sheik. E parar de me olhar dessa forma, porque, senão, volto atrás. — ameaçou, fazendo-me mostrar um sorriso mínimo.
Reconheci a seriedade em suas palavras, mas não pude deixar de me sentir um pouco animado com a leve provocação em seu tom. Afinal, mesmo diante das circunstâncias, Valéria ainda mantinha seu jeito único de lidar comigo.
— Prometo tentar me comportar, senhorita Vasconcelos. — Respondi, mantendo um sorriso leve. — Mas não posso garantir que conseguirei resistir a olhar para você. Afinal, você é difícil de ignorar.
Ela revirou os olhos, mas um leve rubor tingiu suas bochechas, indicando que minhas palavras a afetaram de alguma forma.
— Não comece com suas cantadas. — Ela respondeu, tentando parecer séria, mas não conseguiu esconder o traço de diversão em sua voz.
Aquele momento foi interrompido pela leve vontade de ir ao banheiro urinar.
A situação inesperada me deixou um pouco sem jeito, mas não havia tempo para constrangimentos. Eu precisava da ajuda de Valéria para resolver o problema.
— Valéria, preciso que me leve até o banheiro. Poderia me fazer esse favor?
Ela me olhou com uma expressão de surpresa, mas logo assentiu e veio até mim com calma. Juntos, caminhamos até o banheiro, e assim que chegamos lá, ela fechou a porta imediatamente. No entanto, minha dificuldade em colocar o meu päu para fora era evidente.
— Droga. — Bufei. — Valéria, poderia me ajudar aqui?
— Qual o problema agora, Khalil? — indagou do outro lado da porta.
— Não consigo colocar a mangueira para fora. — eu disse.
— Não sou especialista em encanamento. — Ela retrucou.
— Você entendeu o que eu quis dizer, né? Não faça cu doce e venha me ajudar, ou acabarei fazendo xixi nas calças. — Resmunguei, esperando que ela entendesse a urgência da situação.
Valéria suspirou, parecendo resignada diante da situação inusitada. Apesar de sua relutância inicial, ela entrou no banheiro e fechou a porta.
— Tudo bem. Vou te ajudar. — Ela disse, assumindo uma expressão séria.
Com um pouco de esforço, ela conseguiu resolver o problema, e finalmente pude aliviar minha necessidade. Senti um misto de alívio, ainda mais por sentir sua mão macia ao redor dele no momento de colocá-lo para fora. O acidente é ruim, mas eu poderia ficar doente mais vezes.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Simone Ferreira
Até parece que ela não gostou de ajudá-lo ir ao banheiro kkkkkkkkkkkk
2024-06-25
178
Eura Pessoa
Livro maravilhoso. parabens escritora nota mil para voce BJ no coracao.
2024-07-12
2
Neuza Lucia
sei que ela tem que falar que está grávida para ele proteger ela e a criança
2024-12-07
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