Semanas se passaram desde aquele encontro tumultuado com o estranho cujo nome eu nem sabia. Dei graças a Deus por não encontrá-lo mais. A vida continuava, mas uma inquietação persistente se instalava em mim. Comecei a perceber mudanças no meu corpo que não podia ignorar: atraso menstrual, uma fadiga avassaladora e leves enjoos matinais. Até meus seios estavam mais avantajados.
Uma manhã, enquanto me preparava para o trabalho, senti uma onda de náusea mais forte do que o habitual. O pânico me atingiu como um raio.
— Não... Não pode ser. — Murmurei para mim mesma, segurando a pia para me equilibrar.
Decidi que era hora de enfrentar a verdade. Comprei um teste de gravidez a caminho do trabalho e, durante um intervalo, fui ao banheiro para usá-lo. Aqueles minutos de espera pareceram uma eternidade, cada segundo aumentando meu medo e ansiedade.
Quando finalmente olhei para o teste, meu coração quase parou. Duas linhas rosadas. Positivo.
Sentei-me na tampa do vaso, tentando processar a avalanche de emoções. Medo, pânico e, inesperadamente, uma pontada de alegria. Minha mente corria em círculos, tentando entender o que isso significava para mim e como lidar com a situação.
Mesmo com todos esses sintomas, continuei trabalhando. Hanna, uma amiga de trabalho, percebeu o quanto eu estava pálida esses dias.
— Você está bem? Parece tão cansada e pálida ultimamente. — Ela perguntou, a preocupação evidente em seu rosto.
— Ah, sim. Só estou um pouco estressada, nada demais. — Inventei qualquer coisa para não entrar em detalhes. — Acho que é só uma gripe.
Ela não parecia totalmente convencida, mas decidiu não pressionar mais. A verdade era que eu ainda estava tentando lidar com a notícia. Passava os dias no automático, tentando manter a compostura e continuar meu trabalho, enquanto minha mente estava em turbilhão.
Cada dia era uma luta para esconder minha condição. Entre a náusea matinal e o cansaço avassalador, manter a aparência de normalidade se tornava cada vez mais difícil. Mesmo assim, eu sabia que precisava de tempo para pensar sobre o que fazer, como lidar com a gravidez.
Meu turno começou com a limpeza dos quartos do terceiro andar. Carregando o pesado carrinho de limpeza, senti a exaustão se acumulando mais rápido que o normal. Cada movimento parecia exigir um esforço hercúleo. O cheiro dos produtos de limpeza, que normalmente eu suportava bem, agora me enjoava ainda mais.
Mesmo assim, continuei meu trabalho. Limpei os banheiros, troquei as toalhas, aspirei os carpetes. Cada tarefa parecia interminável, e o tempo se arrastava.
No meio da manhã, uma onda de náusea me pegou de surpresa. Corri para o banheiro mais próximo, tentando não chamar a atenção.
Após vomitar, me apoiei na pia, tentando recuperar o fôlego. A fraqueza em minhas pernas era evidente, e o medo de desmaiar no meio do corredor me deixou ainda mais nervosa. Lavei o rosto com água fria, tentando me recompor. Voltei ao trabalho, mas cada quarto parecia mais difícil que o anterior. A exaustão estava me vencendo, e eu precisava fazer pausas frequentes para recuperar as forças. Sentia uma pressão constante na cabeça, e a tontura vinha e ia.
Na hora do almoço, quase não consegui comer. O cheiro da comida me revirava o estômago, e mal toquei no meu prato. Hanna, sentada ao meu lado, me observava com preocupação crescente.
— Você precisa ver um médico. Não pode continuar assim. — Ela insistiu.
— Eu vou. Só preciso passar por essa semana. — Menti, sabendo que estava adiando o inevitável.
A tarde passou em um borrão de tarefas e esforço. A cada quarto limpo, sentia meu corpo mais fraco. Quando finalmente meu turno terminou, senti um alívio misturado com pavor pelo próximo dia que viria. Peguei minhas coisas e fui para casa, ansiosa por uma cama onde pudesse descansar.
Chegando em casa, mal consegui tirar os sapatos antes de desabar no sofá. A gravidez estava se tornando um fardo cada vez mais pesado, e eu sabia que não poderia continuar fingindo por muito mais tempo.
Acordei no sofá horas depois, com o corpo ainda pesado e a mente preocupada. A notícia da gravidez estava me consumindo, e eu sabia que precisava decidir. Mas o medo e a incerteza me paralisavam.
Na manhã seguinte, o enjoo voltou com força total. Era cada vez mais difícil esconder meu estado, especialmente de Hanna. Ao chegar ao trabalho, ela me puxou para um canto, a expressão séria.
— Você não pode continuar assim. Estou preocupada com você. — Sua voz era firme, mas cheia de preocupação genuína. — Está me escondendo algo? Não confia mais em mim?
Suspirei, percebendo que não poderia manter o segredo por muito mais tempo. Precisava confiar em alguém, e Hanna sempre foi uma boa amiga.
— Hanna, eu preciso te contar uma coisa... — comecei, sentindo um nó se formar na garganta. — Estou grávida.
Os olhos dela se arregalaram de surpresa, mas rapidamente se suavizaram em compreensão.
— Meu Deus... Por que não me contou antes? — Ela me puxou para um abraço reconfortante. — Precisamos cuidar de você.
— Eu estava com medo... Não sabia como lidar com isso. — Minha voz tremia, e as lágrimas começaram a escorrer.
Hanna me apertou mais forte, oferecendo o conforto que eu tanto precisava.
— Vai ficar tudo bem. Passaremos por isso juntas. — Ela disse.
O resto do dia passou em um borrão de apoio e confidências. Hanna me ajudou com as tarefas mais pesadas, insistindo para eu descansar mais. Pela primeira vez em semanas, senti um pouco de alívio.
Mas o alívio foi breve. Ao final do turno, o gerente do hotel me chamou para uma conversa.
— Ouvi dizer que você não está se sentindo bem. — Ele começou, a voz cheia de preocupação profissional. — Se precisar de um tempo, podemos providenciar uma licença médica.
Senti o pânico subir novamente. Precisava do trabalho, mas sabia que não poderia continuar no mesmo ritmo.
— Aprecio a preocupação, mas estou bem. Só preciso de alguns dias para me ajustar. — Tentei soar convincente, mas sabia que era uma batalha perdida.
— Vamos providenciar a licença. — Ele disse com firmeza, não me dando escolha.
Saí do escritório dele com um misto de alívio e ansiedade. A licença significava tempo para descansar, mas também significava enfrentar a realidade da gravidez. Um tempo que eu não tenho, porque logo a barriga crescerá.
Os dias em casa foram difíceis. A solidão me dava tempo demais para pensar, e os sintomas da gravidez não davam trégua. Passava as manhãs lidando com a náusea e as tardes tentando descansar, mas o medo constante sobre o futuro me impedia de relaxar.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Ana Shirly Amorim Lima
Espero que essa que se diz amiga não seja uma cobra
2024-06-25
180
Rosaria TagoYokota
pegar licenca e bom mas e depois o que fazer
2024-07-12
2
Neuza Lucia
eita e agora ferrou tudo como vai se sair dessa garota,?
2024-12-07
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