Capítulo 15

Saí do hospital alguns dias após dar à luz a Kaique. Ele é tão pequeno e se parece tanto com Khalil. É tão lindo, com o contorno do rosto e os olhinhos cor de âmbar que lembram muito os do pai.

Consegui recuperar o valor gasto na passagem que não usei naquele dia. Com esse mesmo dinheiro, comprei uma passagem para Barcelona, na Espanha. Uma enfermeira que se tornou minha amiga durante minha estadia no hospital me cedeu uma casa no campo, onde vou morar por algum tempo.

Enquanto arrumava nossas poucas coisas, olhei para Kaique dormindo pacificamente no berço improvisado. Senti uma mistura de medo e esperança pelo que estava por vir. Barcelona seria um novo começo, longe de todos os problemas e perigos que enfrentei, mas também um desafio criar meu filho sozinha em um país estrangeiro. Tenho certeza de que vou conseguir.

Antes de embarcar no avião, dei uma última olhada no lugar onde morava e prometi a mim mesma que faria tudo ao meu alcance para dar a Kaique uma vida segura e feliz, mesmo que isso significasse deixar tudo para trás e recomeçar do zero.

Ao chegar em Barcelona, fui recebida pela bela paisagem rural onde ficava a casa da enfermeira. Era um lugar tranquilo, perfeito para começar uma nova vida com meu filho. As colinas verdes e o ar fresco eram um alívio bem-vindo após os meses de estresse e incerteza. E eu não estava sozinha; contei com a ajuda de uma vizinha que se tornou amiga.

Instalei-me na pequena casa de campo e comecei a organizar nossas coisas. Enquanto Kaique dormia no quarto ao lado, sentei-me à mesa da cozinha e comecei a traçar planos para nosso futuro. Precisava encontrar um emprego, estabelecer uma rotina e garantir que Kaique tivesse tudo de que precisava.

Algumas semanas depois de me instalar na casa de campo em Barcelona, recebi uma ligação inesperada. Era minha amiga enfermeira, Mariam.

— Alô, Mariam? — atendi curiosa.

— Valéria, sinto muito te incomodar, mas achei que você deveria saber. — Sua voz soava preocupada. — Vi no jornal hoje que o Sheik Khalil vai se casar.

Meu coração parou por um momento. Eu havia contado tudo a Mariam sobre mim e Khalil, inclusive sobre Kaique.

— Casar? Com quem?

— Com uma mulher chamada Ayla. Parece que ele retornou para os Emirados, o pai dele faleceu e ele teve que voltar. Achei que você gostaria de saber, considerando... bem, tudo o que aconteceu.

Sentei-me, sentindo o peso da notícia. Apesar de tudo, uma parte de mim ainda se importava com Khalil, e ouvir isso foi um choque. Desejei estar ao lado dele, mesmo depois de tudo, especialmente sabendo que ele estava passando pela dor da perda do pai.

— Obrigada, Mariam. Eu... agradeço por me contar.

— Cuide-se, Valéria. E cuide bem do pequeno Kaique.

Desliguei o telefone, sentindo-me atordoada. Khalil estava seguindo em frente, e eu também precisava fazer o mesmo, mas a notícia ainda mexia comigo. Olhei para Kaique, que dormia pacificamente, e prometi a mim mesma que nossa nova vida em Barcelona seria dedicada a ele. Havia pensado em retornar um dia, para revelar toda a verdade a ele, inclusive sobre Said, a mão direita de Khalil, que talvez não seja tão confiável quanto parece. Com certeza, ele deve ter feito algo ou mentido para Khalil sobre mim, por isso ele nunca me procurou.

Algumas lágrimas caíram dos meus olhos. Limpei-as rapidamente, peguei meu celular e pesquisei na internet, não porque duvidasse de Mariam, mas porque precisava saber mais. Procurei e revirei a internet de ponta a ponta até encontrar:

"Sheik Al-Hassan Khalil anuncia casamento com Ayla Karin após ser abandonado por uma mulher misteriosa cujas bocas diziam estar surgindo um romance entre eles."

O artigo era detalhado, com fotos de Khalil e Ayla juntos, sorrindo para as câmeras. Li cada linha com o coração apertado. O artigo falava sobre como o casamento era uma união estratégica para estabilizar o reino após a morte do pai de Khalil. Havia menções sobre as grandes expectativas em torno dessa aliança e como ambos estavam comprometidos com o bem-estar do povo.

Não consegui evitar as lágrimas que brotaram novamente. A visão de Khalil com outra mulher, construindo uma vida que não era comigo, era dolorosa. Kaique, que estava dormindo em seu berço, começou a resmungar, trazendo-me de volta à realidade.

Eu precisava ser forte por ele. Respirando fundo, guardei meu celular e fui até Kaique. Peguei-o no colo, aconchegando-o perto de mim.

— Está tudo bem, meu amor. Estamos começando uma nova vida aqui, e vai ficar tudo bem. — sussurrei, tentando convencer a mim mesma tanto quanto a ele.

Com Kaique nos braços, fui até a janela e olhei para a paisagem verdejante do campo espanhol. Tinha que focar no futuro, na vida que estávamos construindo ali, longe das complicações e das dores do passado.

Decidi que, a partir daquele momento, me dedicaria completamente a criar um ambiente seguro e amoroso para meu filho, mesmo que isso significasse enterrar profundamente as memórias e os sentimentos que Khalil ainda evocava em mim.

Dei mamar para ele, que chorava um pouco, até que acabou dormindo em meus braços. Coloquei-o novamente na rede com cuidado. Fui para a cozinha, preparei um café e, assim que estava colocando a garrafa sobre a mesa, alguém bateu na porta.

Fui até a porta e a abri, revelando uma mulher sorridente de meia-idade, com cabelos grisalhos e olhos calorosos.

— Olá! Você deve ser Valéria. Sou Carmen, sua vizinha. Mariam me pediu para te fazer uma visita e ver se você precisa de alguma coisa. — disse ela, estendendo a mão para me entregar um bolo.

— Olá, Carmen. É um prazer conhecê-la. Entre, por favor. — convidei, abrindo mais a porta. — Obrigada pelo bolo, mas você não precisava se incomodar.

Ela entrou e seus olhos percorreram a pequena sala.

— O que é isso, não é incomodo nenhum. Olha só, você se garante em decoração. — Comentou, olhando ao redor. — E ouvi dizer que você tem um bebê.

— Sim, meu filho, Kaique. Ele está dormindo agora. — respondi, apontando para o quarto.

— Ah, que maravilha. Se precisar de qualquer coisa, estou nos fundos. — disse Carmen, sorrindo.

— Obrigada, Carmen. Na verdade, acabei de preparar um café. Aceita uma xícara? — ofereci.

— Aceito, sim, com prazer. — respondeu ela, sentando-se à mesa da cozinha.

Servi o café e sentei-me à mesa com ela. Conversamos sobre a vizinhança, as melhores lojas para fazer compras e como a vida no campo era tranquila. Carmen foi uma presença reconfortante e calorosa, exatamente o que eu precisava naquele momento. Ela é uma senhora de seus 50 anos, mas não aparenta ter essa idade.

Mais populares

Comments

Tânia Campos

Tânia Campos

Essa parte está muito triste,
Ela também não fez nem um sinal se fumaça, para o previnir desse canalha.

2024-06-25

166

Sandra lucia Pessoa ferreira

Sandra lucia Pessoa ferreira

Até agora não vi nada de bom nessa história,só tragédia
Um Sheik que não investiga nada
Com certeza vai passar anos pra que se encontrem, vou terminar a leitura
mas pra mim perdeu a graça

2024-07-11

2

Patricia Medeiros

Patricia Medeiros

valentina também e retardado de ligar pra ele ela fijiu e deixou os miserável consegui o que queria liga pra ele e conta a verdade sua indireta

2024-07-10

1

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!