É inacreditável vê-la ali depois de um ano e nove meses. Meu coração pulou no peito ao ouvir apenas o nome dela ser mencionado; imagine como me senti ao vê-la. Senti um misto de surpresa e, ao mesmo tempo, raiva dela. Tentei não demonstrar que já a conheço perfeitamente bem, aquela mulher que partiu, que me enganou.
Mantive minha compostura, embora por dentro estivesse fervendo com uma mistura de emoções. Observá-la de longe trouxe de volta lembranças dolorosas e questionamentos sobre seu verdadeiro motivo para partir. Será que ela tinha ideia do impacto que sua partida teve sobre mim? Será que pensou em mim durante todo esse tempo?
Enquanto tentava processar esses pensamentos, mantive-me focado no que estava acontecendo no palco.
Quando ela subiu os degraus do palco e pegou o microfone, agradecendo ao diretor e aos alunos pelo carinho, eu tentei desesperadamente me concentrar em outras coisas, apenas para não ouvir sua voz. Parecia que ela estava confiante, como se nada tivesse acontecido no passado. Não olhava nem para a direita, nem para a esquerda. Era como se estivesse determinada a ignorar qualquer vestígio de seu passado e seguir em frente como se nada tivesse mudado.
Por mais que tentasse ignorá-la, minha mente continuava voltando para ela e para o turbilhão de sentimentos que ela despertava em mim. Ela não tem ideia do poder que ainda exerce sobre meu corpo, minha mente e meu coração. Mas farei de tudo para não ser aquele Al-Hassan bobo novamente.
Não sei por quanto tempo fiquei observando-a. Percebi que suas bochechas coraram. Quando ela não conseguiu resistir à tentação de me ignorar, seus olhos encontraram os meus. Foi como se o tempo tivesse parado por um instante, e todo o peso do passado se manifestasse naquele único olhar.
Nesse instante de contato visual, uma infinidade de emoções parecia passar entre nós. Pude ver uma mistura de surpresa, desconforto e talvez até um lampejo de arrependimento em seus olhos. Por um instante, foi como se tudo o que vivemos juntos ressurgisse diante de nós, enchendo o espaço entre nós com uma energia palpável.
Estudei-a, os olhos profundos e tão belos como eu lembrava.
Não pude deixar de notar como seu corpo estava perfeitamente desenhado dentro do uniforme de professora. Cada curva parecia ter sido esculpida com precisão, e seu porte elegante adicionava uma aura de sofisticação à sua presença. Mesmo diante da multidão de alunos e professores, ela parecia emanar uma confiança natural, como se estivesse completamente à vontade em sua própria pele.
Encontrei-me lutando contra uma enxurrada de pensamentos conflitantes. Por um lado, havia a lembrança dolorosa de como ela partiu sem dar explicações, deixando para trás uma sensação de traição e decepção. Por outro lado, havia a atração irresistível que sempre senti por ela, uma conexão que parecia transcender o tempo e as circunstâncias.
Então, ela desviou o olhar rapidamente, retomando sua postura profissional diante dos alunos e continuando sua apresentação como se nada tivesse acontecido entre nós.
Enquanto os alunos batiam palmas e a palestra chegava ao fim, observei Valéria descer do palco com graça e elegância. Ela parecia à vontade diante da atenção e do reconhecimento dos alunos, enquanto agradecia ao diretor e aos presentes pelas palavras gentis.
Enquanto isso, eu permanecia no meio da multidão, cumprimentando alunos, dando autógrafos e tirando fotos conforme as pessoas se aproximavam para interagir comigo. Embora estivesse ali fisicamente, meus olhos estavam em Valéria, que se afastava rapidamente.
Enquanto Valéria caminhava para fora dali, eu seguia seus passos com os olhos, notando cada movimento com prazer. Ela havia mudado bastante, sim. Percebi o quanto estava bela mesmo dentro do uniforme sem graça. O ódio que sinto de mim mesmo é que Valéria Vasconcelos foi e é a única que chamou minha atenção por completo, a ponto de aguçar o meu apetite sexual, como nenhuma outra teve o poder de aguçar.
Apressei-me para sair dali; ela bem que deveria ter parado, pelo menos, e me cumprimentado. Onde estava a educação da professora inteligente e prática, como o diretor havia a exaltado?
Não deveria fazer questão do seu cumprimento, afinal, foi ela quem me abandonou. Caminhei em passos lentos para ir atrás dela, sem que ninguém notasse. Assim que cheguei à porta de saída, o diretor me parou. Observei apenas a Valéria entrar no táxi e ir embora.
“Droga”.
Aproximei-me do diretor, tentando manter a compostura diante da frustração.
— Senhor Khalil, agradeço pela oportunidade de palestrar aqui hoje. — Comentou, apertando a minha mão. — Gostaria de saber se há alguma atividade nos próximos dias; podemos marcar para o senhor jantar em minha casa, o que acha?
— Talvez. Verei um espaço em minha agenda antes de retornar para casa. — Disse, sendo cortês, embora a cortesia estivesse longe de mim.
Com um gesto casual, enfiei minhas mãos nos bolsos da calça social.
— O senhor sabe me informar por que a professora Valquíria, Valesca, sei lá… — Fingi não saber o nome dela.
— Valéria, professora Valéria. — Ele me corrigiu, prestativo.
— Isso… Por que ela saiu quase correndo daqui? Não tive tempo de parabenizá-la pela inteligência e cortesia que ela tem de sobra. — Minhas palavras saíram quase como uma ironia velada.
O diretor parecia um tanto desconcertado com minha pergunta, mas respondeu com cortesia:
— Bem, senhor Khalil, a professora Valéria sempre está apressada. Ela não demora muito aqui, ainda mais porque tem o Kaique que precisa de atenção; ela é uma mãe cuidadosa. — Disse-me, fazendo-me franzir o cenho.
Apesar de eu não demonstrar surpresa para não levantar suspeitas, fiquei perplexo com a declaração do diretor. Valéria tem um filho? Desde quando? E de quem será? Será que casou? Será por isso que me deixou, porque estava fugindo com o pai do filho dela?
— Que bom. Desejo muitas felicidades a ela e à família. — Puxei assunto; eu queria saber mais. Quem sabe assim, ele me contasse algo a mais.
O diretor Régis comprimiu os lábios e me olhou.
— Infelizmente, ela é mãe solteira. Mas é uma mulher muito responsável. — Confessou. — Senti muito por ela, quando chegou aqui para pedir um emprego, mesmo não tendo conhecimento, eu dei uma chance a ela, mostrou ter potencial e hoje é uma professora exemplar.
Todas essas informações me deixaram atônito, mas feliz ao mesmo tempo. Ela não tem ninguém, está sozinha.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Tânia Campos
Não seja burro, por favor,
Faça as contas e descubra que Kaique é seu!!!
2024-06-25
184
Léa Maria
Em geral quando temos inteligência empresarial nossa inteligência emocional é abafada e não conseguimos realizar nossa vida pessoal.
2024-07-12
2
Luzia Elias
Como ele é um homem inteligente imagino q já deva está suspeitando que ele é o pai
2025-02-02
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