Observei Valéria sair do escritório acompanhada por Said, e em seguida, a porta se fechou. Meus olhos voltaram para a mulher sentada à minha frente.
— É assim que você está fazendo negócios? Eu disse que quero me casar com você, fiz de tudo, até te esperei e continuo esperando, meu senhor. E na minha primeira visita vejo uma empregada saindo da sua sala. Não vou nem perguntar o que estavam fazendo, pela forma desarrumada na qual ela estava, já até sei o que rolou aqui. O que sua mãe diria se soubesse disso? Nunca imaginei que um filho da família real fosse tão baixo. — disse ela.
— Quem é você para me dizer alguma coisa ou me ameaçar? — respondi, mantendo a calma, mas com um tom firme.
Ayla se levantou, seus olhos faiscando de raiva e desdém.
— Sou a mulher que sua mãe escolheu para ser sua esposa, Khalil. E você está aqui, se rebaixando com uma empregada. É uma desonra para sua família. Você deveria pensar nas consequências dos seus atos.
Eu me aproximei dela, mantendo a postura.
— Não preciso que me diga como devo agir, Ayla. Meu relacionamento com minha mãe e minhas escolhas são problemas meus. E quanto a você, sugiro que se lembre do seu lugar. Não aceitei o casamento porque não acredito em alianças baseadas em conveniências políticas. E eu deixei bem claro que jamais, ouça bem, jamais me casarei com você ou com qualquer outra. Então sugiro que não continue me esperando.
Ayla bufou, cruzando os braços.
— Conveniências políticas ou não, é o seu dever. Você está colocando tudo em risco por uma simples empregada. E se alguém descobrir? A família inteira será alvo de escândalos.
— Isso não é da sua conta. — respondi, minha paciência estava se esgotando. — Não tenho tempo para seus jogos e ameaças. Agora vá embora, a porta está bem ali.
Ela hesitou, mas percebi que não tinha mais argumentos. Ayla saiu da sala, ainda furiosa. Fiquei sozinho, tentando acalmar meus pensamentos. Valéria havia despertado algo em mim que eu não podia ignorar, e agora precisava descobrir como lidar com isso sem comprometer tudo que eu havia construído. Eu continuava firme em minha posição de não casar e muito menos ser pai, e assim será.
Passei as mãos pelo cabelo em frustração e saí do escritório para ir atrás de Valéria. Procurei por todos os cantos, mas não a encontrei.
— Said! — gritei.
— Sim, senhor? — ele apareceu rapidamente.
— Onde ela está?
— Ela foi embora, senhor. Não quis ficar.
Agarrei-o pela gola da camisa, trazendo-o mais perto de mim.
— Por que deixou ela partir? Por acaso está contra mim, Said?
— Senhor Al-Hassan, o senhor precisa escolher a senhora Ayla e voltar para os Emirados. Precisa retornar para casa.
— Quem é você para decidir o que devo ou não fazer? — eu o empurrei escada abaixo.
— Perdão, senhor — pediu, levantando-se lentamente.
— Suma da minha frente, seu traidor. Suma! — gritei, minha voz ecoando pelo corredor.
Said se afastou rapidamente, deixando-me sozinho com minha raiva e frustração. Valéria desapareceu novamente, e agora, além de lidar com a pressão de Ayla e de minha família, precisava encontrar uma maneira de trazê-la de volta para minha vida. As coisas estavam ficando cada vez mais complicadas, e eu não podia permitir que ela escapasse de novo. Ela é minha.
Fiquei parado por um momento, tentando recuperar a compostura. A frustração e a raiva borbulhavam dentro de mim, mas tinha que pensar com clareza.
Peguei o telefone e liguei para um dos meus contatos mais confiáveis.
— Ali, preciso de você agora. Encontre Valéria Vasconcelos para mim. Ela estava trabalhando no meu hotel recentemente. Use todos os recursos necessários, mas seja discreto.
— Sim, senhor. Estarei em contato assim que tiver notícias.
Desliguei o telefone e olhei para a janela. Minha mente estava um turbilhão de pensamentos e emoções.
Enquanto esperava notícias de Ali, tentei focar no trabalho, mas minha mente continuava a vagar de volta para Valéria. As memórias do nosso tempo juntos, sua beleza, a sensação de seu corpo junto ao meu. Precisava dela ao meu lado.
Me servi um uísque para acalmar os nervos e retornei à mesa, pegando o papel de demissão de Valéria Vasconcelos em minhas mãos. Como dono majoritário do hotel, era minha responsabilidade assiná-lo. A demissão dela dizia claramente que ela estava passando mal na empresa e que lhe deram alguns dias de folga, mas ela não compareceu mais ao trabalho ao final do prazo.
Enquanto lia, uma ideia começou a se formar. Assinei o documento, mas decidi que faria algo diferente. Eu queria Valéria perto de mim, então ofereceria a ela um cargo de secretária pessoal. Essa seria a minha oportunidade de mantê-la por perto e descobrir mais sobre o que estava acontecendo em sua vida.
Horas se passaram até que meu telefone finalmente tocou. Era Ali.
— Senhor, encontrei Valéria. Ela está em casa, sozinha. Parece bem, mas não há sinais de que ela esteja ciente da nossa busca. Enviarei a localização agora.
— Bom trabalho, Ali. Vou lidar com isso pessoalmente.
Desliguei o telefone e peguei minha jaqueta. Não podia perder mais tempo. Viajei até Dubai e me dirigi até a casa de Valéria, meu coração batendo acelerado. Quando cheguei, bati na porta, esperando ansiosamente que ela atendesse.
Valéria vinha saindo com uma bolsa média nas mãos, e na outra, uma mala. O ato denunciava claramente que ela estava indo viajar. Enfiei as mãos nos bolsos da calça social e olhei para as malas.
— Khalil? O que faz aqui? Como me encontrou?
— Não foi difícil encontrá-la, sou um sheik, já deveria saber disso. Posso entrar? Preciso falar com você.
Ela hesitou por um momento, mas acabou assentindo, dando um passo para o lado e permitindo minha entrada. Caminhei até a sala de estar, observando o pequeno e aconchegante espaço.
— Então, o que deseja falar comigo? — perguntou ela, fechando a porta e largando a mala no chão.
— Valéria, eu quero te oferecer um novo emprego — comecei, me virando para encará-la. — Sei que você foi demitida do hotel, mas quero que trabalhe para mim como minha secretária pessoal.
Ela pareceu surpresa e desconfiada ao mesmo tempo.
— Por que está fazendo isso? — perguntou, cruzando os braços.
— Porque quero você perto de mim — respondi honestamente. — Desde aquela noite, não consegui parar de pensar em você. Não posso te deixar ir assim, sem ao menos tentar.
Ela mordeu o lábio, claramente em conflito.
— Khalil, isso… isso é complicado.
— Sei que é, mas estou disposto a enfrentar qualquer complicação — me aproximei dela, segurando suas mãos. — Por favor, Valéria. Aceite.
Ela me olhou nos olhos, e por um momento, vi a vulnerabilidade e o desejo que espelhavam os meus próprios sentimentos. Ela respirou fundo, hesitando antes de responder.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Simone Ferreira
Como ela vai esconder a gravidez dele, trabalhando pra ele🤔
2024-06-25
163
dulce Rodrigues
Mas se ele construiu todo império sozinho, ele não tem que temer sua família, eles só querem título de Sheik. Não conheço os costumes árabes, mas se ele não quer essa ligação, tradição... É maior de idade, sai e vai cuidar da vida
2024-07-08
8
Arlete Fernandes
Não aceita e fala que está grávida okay aí as coisas mudam de figura e fala que o Said de ameaçou e te machucou aquele cobra horroroso !!
2024-07-10
3