Eu já estava de saída quando alguém bateu na porta no momento em que eu ia abrindo. Meus olhos se encontraram com os olhos âmbar daquele homem que me deixa completamente louca só em estar perto dele.
Agora, ele está aqui na minha sala, com aquele seu semblante totalmente sério e sexy, mesmo não se esforçando para isso. Não pude deixar de sentir o cheiro bom de seu perfume masculino que exalava pelos cômodos da minha casa. A jaqueta preta de couro ajustava perfeitamente em seu belo corpo musculoso, o deixando ainda mais atraente.
— Preciso que você aceite, por favor. Já que não quis ficar em minha residência por livre e espontânea vontade, pelo menos aceite trabalhar comigo. Te pagarei um bom salário.
— Não posso, sinto muito. — Eu disse, tentando manter minha voz firme.
— Por que não? — Khalil insistiu, sua expressão de frustração clara.
— Por favor, não insista. — eu disse, caminhando até a porta e abrindo-a. — Agora vá. — pedi.
Eu não poderia aceitar. Estava começando a criar um sentimento que não deveria existir por Khalil, mas ele tinha uma mulher à altura para casar. Eu não poderia arriscar. Viajaria e criaria meu filho sozinha, longe dele. Ele não precisava saber.
— O que passamos não foi nada para você? Estou te oferecendo uma vida luxuosa, uma oportunidade de ter um emprego decente. Não que o que você tinha não fosse decente, mas você não trabalharia com coisas pesadas. E além de tudo, estaria comigo e...
— Teríamos algumas transas no seu escritório? Não preciso viver assim, Khalil. Será que não entende? Agora vá, por favor, saia da minha casa, ou serei obrigada a chamar a polícia?
Ele me mostrou um sorriso tranquilo.
— Tudo bem, não precisa chegar a tanto. Estou saindo.
Khalil deu um último olhar, cheio de sentimentos conflitantes, antes de sair pela porta. Quando ele se foi, senti um misto de alívio e tristeza. Tranquei a porta atrás dele, sentindo-me determinada a seguir em frente com meu plano. Eu viajaria e criaria meu filho longe de qualquer complicação que Khalil pudesse trazer.
Dentro de mim, porém, um pequeno nó de dúvida e arrependimento começava a se formar. Estaria realmente fazendo a coisa certa ao afastar o pai do meu filho? A vida seria mais simples assim? Essas perguntas ecoavam na minha mente enquanto eu me preparava para partir, tentando me convencer de que estava fazendo o melhor para mim e para meu bebê.
Peguei minha mala e saí de casa, chamando um táxi que me levou diretamente para o aeroporto. Fiz o check-in e sentei na poltrona, aguardando meu voo para a Europa, que partiria em meia hora.
Peguei uma das revistas sobre a mesa de madeira e comecei a folhear enquanto comia alguns biscoitos. De repente, meu celular começou a tocar na bolsa. Um número desconhecido piscava na tela. Deslizei o dedo na tela para atender.
— Sim?
— Valéria?
Reconheci imediatamente a voz de Khalil. Meu coração disparou. Olhei ao redor, sentindo uma mistura de nervosismo e surpresa.
Mas havia algo estranho. Sua voz estava reprimida e trêmula. A moça começou a anunciar os voos que estavam saindo, e um deles era o meu.
— Khalil, tenho que desligar. Falamos depois. — disse, quase desligando.
— Preciso de você, não desligue. Eu… sofri um acidente e estou mal. — escutei alguns barulhos de sirene, e rapidamente me apavorei. — Valéria… — sussurrou com dificuldade. — Preciso de você, nesse momento só você veio à mente, não vai me deixar aqui, não é?
— Onde você está? — indaguei, pegando minhas coisas e saindo do aeroporto para pegar um táxi.
A ligação caiu naquele momento, e eu não consegui o endereço. Novamente, recebi a ligação de outro número diferente.
— Pronto. — disse, acenando para um táxi que passava por ali.
— Senhorita Valéria? — uma voz desconhecida perguntou. — Sou enfermeira do senhor Khalil. Ele está no hospital Al Razi, na ala de emergência.
— Estou a caminho. — respondi rapidamente, entrando no táxi e dando o endereço ao motorista.
Meu coração batia forte enquanto o táxi acelerava pelas ruas. Khalil estava ferido, e eu não conseguia pensar em nada além de chegar ao hospital o mais rápido possível. O caminho parecia interminável, e cada segundo que passava aumentava minha ansiedade.
Finalmente, chegamos ao hospital. Paguei o motorista apressadamente e corri para dentro, dirigindo-me à recepção.
— Khalil, por favor. — falei com urgência.
— É alguma parenta do senhor Al-Hassan Khalil? — Ela me olhou dos pés à cabeça.
— Não diria parente, sou secretária pessoal dele, e a pessoa que ele ligou há alguns segundos.
Então a recepcionista fez uma rápida verificação no computador e me indicou a ala de emergência. Segui as instruções procurando pelo número do quarto que ela me passou.
Meu coração quase parou quando vi Khalil deitado em uma cama coberto com um lençol de algodão branco. Ele estava completamente imóvel e os lençóis brancos e imaculados embelezavam sua pele pálida. Mesmo da porta, eu podia ver o sangue seco em seu cabelo preto.
Ver Khalil, aparentemente indestrutível, parecer tão desamparado fez com que eu tivesse que me conter para não correr rapidamente até a cama e acariciar sua bochecha com os dedos. Precisava manter uma atitude calma. Eu caminhei tranquilamente até a cama.
Os olhos de Khalil estavam fechados. Ele parecia vulnerável naquele momento.
Em pensar que tudo aconteceu tão rápido, não dá para imaginar que ele está agora em uma cama de hospital. Acabou de sair da minha casa, estava sã e bem, agora o encontro aqui, tão abatido.
— Khalil! — exclamei, assim que cheguei até ele.
Ele abriu os olhos e tentou sorrir, mas a dor era evidente em seu rosto.
— Valéria… você veio… — murmurou, a voz fraca.
— Claro que vim. O que aconteceu? — perguntei, segurando sua mão.
— Quando saí de sua casa, um caminhão vinha com os faróis altos e bateu no meu carro. — Khalil explicou com dificuldade, seus olhos fixos nos meus, sua respiração estava pesada.
Não estava pesada porque estava sentindo alguma coisa, mas porque sempre que estamos perto um do outro, tudo em nosso corpo parece dar sinal por estarmos tão próximos.
— Sinto muito. — disse, apertando sua mão com mais força.
— Não se preocupe, não vou morrer. — brincou levando a mão para a barriga, certamente sentia dor.
— Não se mova, fique quieto, vou chamar o Doutor. — Avisei me levantando para sair dali.
Khalil segurou minha mão.
— Não vá. — disse me puxando para que eu me sente ao seu lado na cama, e assim eu fiz.
— O que posso fazer para ajudá-lo?
— Aceite o que eu te propus, seja minha secretária pessoal. — pediu, me deixando sem palavras.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
joana Almeida lima
Se descobrirem que Valeria está grávida, ou vão mandar eliminá-la ou tomarão o bebê quando nascer, pois ele não quer casar e nem quer filhos. Melhor ela ir embora do país e criar seu filho. Muitas crianças não tem pai e nem por isso morreram, as mães se desdobram para criá-los bem.
2024-06-28
133
Patricia Medeiros
autora reverter essa situação de ele pedir ela em casamento no lugar de ser secretária pessoal dele e não faz ninguém saber que o filho que ela esta esperando e de Khalil
2024-07-10
2
Neuza Lucia
o chefe do Estado não tem segurança não outros empregados achou que esse Said colocar todos pra correr ela tem que contar e proteger ele também isso foi um atentado
2024-12-07
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