Levantei cedo como todos os dias e preparei um café reforçado, afinal, estou comendo por dois, como de costume. Nestas semanas em que permaneço afastada do trabalho, tenho me cuidado, mas pondero seriamente em me afastar completamente, pois sinto que já não consigo mais desempenhar minhas funções como antes. Mesmo assim, sei que não serei aceita na condição em que me encontro.
Enquanto devorava todas as frutas e comida que encontrei pela frente, meu celular tocou em cima do balcão, anunciando uma ligação de Hanna.
— Alô.
— Valéria, preciso de você. Sei que está grávida, mas surgiu um problema. O Sheik Khalil pediu uma equipe para limpar a mansão dele, e eu fui uma das selecionadas para ir, mas não posso. Eu te explico depois, então quero mandar você no meu lugar. Não terá problema. Já falei com as meninas, e elas me prometeram não dizer nada para o chefe. E lembrei que você está precisando de uma graninha extra, então não recuse.
— Eu vou, não se preocupe.
— Tudo bem, então se arrume. As meninas passam aí. Até mais, beijos.
Ela encerrou a ligação.
Fiquei ali, segurando o telefone, tentando processar tudo. Sabia que voltar ao trabalho, mesmo que temporariamente, seria um desafio, mas Hanna precisava de mim. Além disso, a ideia de entrar na mansão do Sheik Khalil trazia uma mistura de curiosidade e medo.
Respirei fundo, decidida. Subi para me arrumar, escolhendo roupas confortáveis que não apertassem a barriga no momento em que eu estivesse abaixada para limpar os móveis.
Pouco tempo depois, ouvi a buzina do lado de fora. As meninas chegaram pontualmente, e eu me juntei a elas, tentando esconder minha apreensão. No caminho para a mansão, trocamos algumas palavras, mas minha mente estava a mil, imaginando como seria encontrar o Sheik, responsável por todos os hotéis; ele deve ser um homem muito rico.
Entrei no carro e seguimos para o heliporto particular do hotel, com o disfarce bem ajustado, garantindo que ninguém pudesse me reconhecer. O jatinho estava preparado para nos levar até a mansão do Sheik Khalil. Assim que embarcamos, me acomodei em uma das poltronas próximas à janela, observando a movimentação ao redor enquanto tentava acalmar meus nervos.
Finalmente, pousamos e fomos conduzidas até a entrada imponente da mansão. O luxo era evidente em cada detalhe, desde os portões até a decoração suntuosa. Entramos, sendo guiadas por um dos funcionários até o local onde deveríamos começar a limpeza. As outras garotas começaram a trabalhar, mas eu ainda estava um pouco paralisada, tentando me acostumar com a grandiosidade do lugar.
Tomando um profundo suspiro, coloquei meus pensamentos em ordem e comecei a trabalhar. Cada movimento era calculado, tentando me manter focada e invisível. A mansão era grande e havia muito a fazer.
Subi pela escada, caminhando até um espaço mais sofisticado que parecia um escritório. Ali, o trabalho seria mais fácil, apenas espanar as superfícies. Comecei a limpar, tentando me concentrar na tarefa, até que meus olhos encontraram aquele homem, o mesmo da noite fatídica.
Ele estava atrás de uma mesa de carvalho, vestido em uma roupa social branca impecável. Seus cabelos estavam penteados para trás, com uma mecha rebelde caindo sobre a testa. Ele estava profundamente entretido, assinando alguns documentos sobre a mesa.
Meu coração disparou. Tentei fazer o mínimo de barulho possível, mas meus movimentos estavam descoordenados pela tensão. Estava dividida entre a vontade de fugir e a necessidade de continuar meu trabalho sem chamar atenção.
A cada passo, a distância entre nós parecia diminuir, e eu sabia que era apenas uma questão de tempo até ele me notar. Minhas mãos tremiam ligeiramente enquanto passava o pano de leve sobre os móveis, tentando evitar olhá-lo diretamente, mas sentindo seu olhar ocasionalmente se erguendo da papelada.
Finalmente, não pude evitar que nossos olhares se cruzassem. Ele levantou a cabeça, e seus olhos âmbar se fixaram em mim, surpresos, mas cheios de reconhecimento. O ar no escritório pareceu se condensar, e por um momento, tudo ao nosso redor desapareceu.
— Merda, de novo não. — Resmunguei engolindo seco, por meu corpo traidor reagir de forma tão astuta por vê-lo. — Perdão senhor, eu estava limpando, mais já terminei. — virei-me para sair dali, eu não poderia acreditar que ele é o Sheik Khalil.
Minha consciência estava lá, me perturbando, dizendo que acabei na cama de um sheik. Dono de tudo, até do lugar onde eu estava trabalhando, e para piorar, eu estou grávida dele. A tensão no ar era palpável, e senti minha respiração acelerar.
Ele levantou da cadeira lentamente, e tenho certeza que seus olhos estão fixos em mim.
— Vire-se, por favor. — sua voz soou mais normal do que aquele dia.
Eu me virei, havia surpresa em seu rosto sendo substituída por algo mais intenso, talvez curiosidade ou até reconhecimento. Meu coração batia tão rápido que eu podia ouvi-lo em meus ouvidos.
— Você… — Ele começou, mas sua voz saiu baixa, quase um sussurro.
Eu não sabia o que fazer. Parte de mim queria sair correndo daquele escritório, desaparecer e nunca mais voltar. Outra parte, a mais racional, sabia que precisava enfrentar essa situação. Afinal, o que aconteceria quando ele descobrisse que eu estava grávida?
— Perdão, senhor. — Murmurei, abaixando o olhar, tentando esconder o pânico em minha voz. — Eu só estou aqui para limpar, e não queria atrapalhar em sua concentração.
Ele deu a volta na mesa, se aproximando lentamente. Cada passo dele parecia ecoar no silêncio do escritório. Quando parou na minha frente, senti meu corpo inteiro tenso, cada músculo em alerta.
— Qual é o seu nome? — Ele perguntou, sua voz agora firme e autoritária.
Engoli em seco, tentando encontrar minha voz. — Valéria, senhor.
— Valéria… — Ele repetiu passando os dedos nos lábios vermelhos, como se testasse o nome. — Por que você saiu correndo naquela noite, Valéria? — meu nome ficou perfeitamente sexy em sua boca.
Eu queria responder, queria explicar tudo, mas as palavras não saíam. Estava apavorada e, ao mesmo tempo, fascinada pela presença dele. Meu olhar se encontrou com o dele novamente, e ali, naquele momento, soube que não havia mais como me esconder.
— Eu… — Comecei, mas minha voz falhou. Respirei fundo e tentei novamente. — Eu estava assustada. Era lógico por que trabalho no hotel, e o que fiz não era profissional da minha parte, e você me confundiu com outra.
Ele franziu a testa.
— Claro, entendo… Agora entendo perfeitamente porque saiu fugindo daquela forma. — Ele sorriu.
E nossa, que puto sorriso.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Ana Shirly Amorim Lima
aí meu Deus autora do meu coração vou morrer kkkkkkkkkk
2024-06-25
178
Rosaria TagoYokota
ai meu deus o deus grego nao sheik achou sua musa
2024-07-12
3
Kellyla Nunes
Ai, autora, meu coração tá ansioso...
2025-02-06
0