...Um ano depois…...
Aqui estou eu, casado? Não. Estou enrolando o tempo todo para não casar. Não quero unir minha vida assim. Sempre fui um homem que, quando decido algo, ninguém me faz pensar o contrário. Mas Ayla está morando comigo, minha mãe decidiu isso. Ela veio morar na nossa casa, minha mãe viu como agradecimento por ela ter passado esses anos ao meu lado. Segundo ela, me ajudando.
Estou à frente do espelho ajeitando minha camisa, até Ayla entrar no quarto. Ela parou diante de mim, levando as mãos para ajeitar a gravata.
— Estou começando a achar que você não quer casar comigo. Está adiando nosso casamento há tanto tempo.
— Estou cheio de negócios para resolver, Ayla. Já conversamos sobre isso. Dê o tempo que eu preciso. — disse sem olhar para ela. — Você está tomando o remédio que eu te dei?
— Estou. Não vou obrigar você a ter filhos se não quer, não se preocupe. — respondeu ela, com um tom resignado. — Se tem alguém que lhe entende, sou eu, meu senhor.
Suspirei, ajustando a gravata com um último puxão. Agradeci mentalmente por Ayla ser compreensiva, mas não pude evitar a sensação de desconforto. Meu pensamento se desviou para Valéria, e a raiva familiar queimou em meu peito. Afastei rapidamente a lembrança, focando no que estava à minha frente.
— Preciso ir agora. Tenho uma reunião importante. — falei, pegando minha pasta e me dirigindo para a porta.
— Tudo bem. Só não se esqueça de que também precisamos conversar. — disse Ayla, com um toque de tristeza em sua voz.
Saí do quarto, sentindo o peso das expectativas de todos ao meu redor. A cada passo que dava, me perguntava se algum dia conseguiria deixar o passado para trás e seguir em frente. As responsabilidades de governar e liderar minhas empresas eram esmagadoras, e a sombra de Valéria ainda pairava sobre mim, mesmo depois de todo esse tempo.
Teve uma noite que acordei suado, devido a um sonho que tive com ela. Tudo ao meu redor estava escuro, e de repente, algumas luzes se acenderam. Valéria apareceu na minha frente, linda como sempre, vestida em um vestido azul-marinho que delineia suas belas curvas. Ela caminhou até mim e parou, passando suas mãos em meu peito. Era como se eu estivesse realmente sentindo seus toques.
Acordei com o coração acelerado, a imagem de Valéria ainda vívida em minha mente. Ao meu lado, Ayla dormia tranquilamente, alheia ao turbilhão de emoções que aquele sonho provocara em mim. Sem querer, chamei ela pelo nome de Valéria ainda atordoado.
— Valéria… — murmurei.
Ayla acordou com meu chamado, e foi como se o mundo desabasse. Ela se sentou na cama, os olhos arregalados e cheios de mágoa.
— Khalil, você acabou de chamar pelo nome dela. — disse Ayla, sua voz tremendo.
— Foi só um sonho, Ayla. — tentei explicar, mas sabia que minhas palavras soariam vazias.
— Um sonho? Um sonho que te faz chamar o nome dela? Você ainda pensa nela, não é? — Ayla se levantou da cama, sua frustração evidente.
— Não é isso… — comecei, mas ela me interrompeu.
— Pare de mentir para si mesmo, Khalil. Não posso competir com um fantasma. — Ayla saiu do quarto, levando consigo o travesseiro e seu edredom, em seguida bateu a porta atrás de si.
E sei que é sobre esse assunto que ela quer falar.
Já no carro, enquanto me dirigia para uma reunião crucial e mais tarde para uma viagem à Espanha, refleti sobre meus conflitos internos.
Cheguei ao escritório e, após uma última ajustada na gravata, entrei na sala de reuniões onde a equipe já me aguardava. A reunião transcorreu sem grandes problemas, embora minha mente estivesse em outro lugar. Pensava na viagem iminente, na palestra que daria em uma escola, e no novo projeto de hotéis na Espanha, motivo de minha viagem.
Ao final do dia, retornei rapidamente para casa para fazer minhas malas. Ayla não estava por perto naquele momento, o que me trouxe um alívio momentâneo. Preparei-me rapidamente e segui para o aeroporto. Durante o voo, tentei focar nos papéis e documentos que levava, mas a lembrança de Valéria e o sonho da noite anterior continuavam a me perturbar. Acabei fechando os olhos para descansar um pouco.
Ao pousar na Espanha, fui recebido por um assistente que me conduziu diretamente ao meu novo hotel, onde estava programada uma celebração de sucesso.
Tariq veio comigo, um de meus seguranças pessoais e amigo, já que Said estava ocupado com outras responsabilidades que minha mãe lhe confiara, impedindo-o de me acompanhar.
A tarde chegou e eu me preparava para a palestra. Ver jovens entusiasmados em aprender e aspirar a algo na vida era gratificante.
— Senhor Khalil, o carro já está pronto — anunciou Tariq.
— Só mais alguns minutos, Tariq. Já estou descendo — respondi, fazendo um nó perfeito na gravata.
Terminei de ajeitar minha gravata e dei uma última olhada no espelho. Peguei meu relógio e o coloquei no pulso, saindo do quarto do hotel em direção ao lobby. Tariq me aguardava próximo à saída, sempre atento e profissional.
— Vamos? — perguntei, enquanto caminhávamos para o carro que nos esperava.
— Sim, senhor Khalil. — respondeu ele, abrindo a porta para mim.
Entramos no carro e seguimos em direção à escola onde eu daria a palestra. Durante o trajeto, pensei sobre os pontos principais que queria abordar e como poderia inspirar os jovens a perseguirem seus sonhos.
— Me atualize sobre a minha agenda. — eu disse, olhando no relógio.
Tariq abriu seu tablet e começou a listar os compromissos.
— Amanhã pela manhã, o senhor tem uma reunião com os executivos da filial europeia de sua empresa. À tarde, está agendada uma visita à nova sede em Barcelona para uma inspeção. E à noite, um jantar com investidores locais. — disse Tariq, lendo os detalhes.
— Entendi. — respondi, mentalmente me preparando para mais um dia cheio.
Olhei pela janela do carro.
— Tariq, certifique-se de que tudo esteja preparado para amanhã. — eu disse, voltando-me para ele.
— Sim, senhor Khalil. Pode deixar comigo. — ele respondeu com um aceno de cabeça.
— Quero retornar para o meu povo, o mais rápido possível. — Continuei.
Com isso chegamos na frente da imensa escola, as pessoas entravam e saiam. Algumas muito ocupadas em seus celulares falando com alguém, e outras somente buscando ar fresco.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 50
Comments
Jaciara Barbosa
qual será a reação dele aí reencontrar ela
2024-06-26
130
Léa Maria
Acredito que Ayla e Said são cúmplices em toda esta armação contra Kalil
2024-07-12
3
Elizabeth Fernandes
Será que vão se encontrar
2025-02-24
0