...> Manuela <...
Segunda.... 🗓
Evitei Max o restante do domingo depois do ocorrido. Na verdade, cruzei com ele apenas uma vez, quando estava saindo da cozinha. Ele parecia visivelmente chateado comigo — e com razão.
Agora estou deitada na cama, refletindo sobre minhas atitudes, e me sinto péssima por ter descontado em Max todo o ódio que deveria ter sido direcionado a Raphael. Ainda mais depois de tudo o que ele me falou ontem... Encerrei a ligação quando Raphael começou com diversos xingamentos que sei perfeitamente que não merecia ouvir.
Me sinto horrível e entenderei completamente se Max não quiser falar comigo hoje — ou até mesmo se sugerir que eu deixe seu apartamento. Ele não teve culpa. E, apesar de eu ter bloqueado e excluído o contato de Raphael, ele me ligou de um número totalmente diferente. Como Max poderia saber? Como ele poderia adivinhar?
Mas de uma coisa eu tenho certeza: hoje mesmo troco de número. Só assim ele não terá mais chance de fazer isso novamente.
Apesar da relutância, deixo a cama. Estou terminando o café quando Max chega. Assim que me vê, ele dá meia-volta, me forçando a chamá-lo.
Manuela — Max? — grito, e ele para no meio do caminho, mas sem dizer nada.
— Podemos conversar? — pergunto. Ele apenas assente com a cabeça, ainda sem uma única palavra.
Seguimos até a sala e nos sentamos no sofá.
— Então... me desculpa por ontem. — Suspiro, tentando encontrar as palavras certas.
— Sei que não foi certo tudo o que disse a você. E também sei que não fez por mal. Mas eu estava muito irritada depois das idiotices que Raphael disse na ligação, e acabei direcionando todo o meu ódio para você. Então... eu sinto muito. Sei que não merecia.
Max segura minhas mãos, como se quisesse me acalmar.
Max — Está tudo bem. — Sua voz é firme, mas gentil.
— Olha, eu não estava te evitando. Só queria te dar espaço. E sei que você teve um pouco de razão em se chatear. Então, não se preocupe.
Respiro aliviada e esboço um sorriso.
Manuela — Ok. Muito obrigada.
Fico em silêncio por um momento, mas sei que preciso tocar no assunto que realmente está me pesando.
— Sobre Raphael... — Faço uma pausa, hesitante. Ainda não sei se devo contar tudo a ele. Ainda mais pelo fato de Chloe — justo Chloe — ser sua noiva.
Max percebe minha indecisão e me tranquiliza.
Max — Está tudo bem se não quiser falar. Não vou te forçar. Mas só te peço uma coisa: tira uma dúvida minha. Eu tive alguma coisa a ver com isso?
Negando com a cabeça, respondo sem hesitar:
Manuela — Não. Você não teve nem um terço da culpa. Ele é o único responsável.
Max observa cada detalhe do meu rosto, como se tentasse captar alguma nuance oculta nas minhas palavras. Eu suspiro, buscando coragem para continuar.
— Ainda não me sinto à vontade para contar tudo a você. Na verdade, nem minha família sabe. Tudo que posso dizer é que... ele tem uma noiva.
Os olhos de Max se arregalam. Sua expressão muda no mesmo instante, os músculos do maxilar se contraindo.
Max — Ele o quê?! — Seu tom é de pura incredulidade, mas também de raiva contida.
Assinto lentamente, sentindo meu estômago se revirar ao reviver a cena do jantar.
Manuela — Ele está noivo. Descobri isso ontem. A possível cliente que fomos encontrar era a noiva dele. E ele a estava acompanhando.
O nome de Chloe fica preso na minha garganta. Não posso dizer isso. Não agora.
Max — Que babaca! — Ele explode, fechando os punhos. Seus olhos brilham com um ódio puro.
— E ainda teve a audácia de te julgar quando atendi a ligação?! — Ele se levanta de súbito, agitado, passando as mãos pelos cabelos.
— Se ele ousar te procurar de novo, eu juro que não sei do que sou capaz. Eu quero matá-lo. Quero matá-lo de verdade!
Seu tom me assusta por um instante, mas eu me levanto e seguro seu braço, fazendo-o me encarar.
Manuela — Ei. — Meu olhar encontra o dele, tentando acalmá-lo.
— Eu estou bem. E acho difícil ele voltar a me ligar. Hoje mesmo vou trocar de número. Quanto a me procurar, duvido que ele se arrisque a ser visto comigo. A noiva dele pertence a uma família influente.
Max respira fundo, mas sua fúria não diminui.
Max — Se ele tentar... — Ele faz uma pausa, os punhos ainda cerrados. — Não serei nada amigável.
Manuela — A última coisa que quero no momento é que você tenha problemas por minha causa. Então, vamos esquecer isso.
Ele hesita.
Max — Mas...
Manuela — Me promete.
Ele aperta os lábios, visivelmente contrariando sua própria vontade, mas acaba cedendo.
Max — Ok. Eu prometo não fazer nada. Desde que ele não teste minha paciência.
Manuela — Tudo bem. — Forço um sorriso, aliviada, mas sei que sua promessa é condicional.
— Olha, não comenta nada com Harper. Quero que ela saiba por mim. E, como já disse, ainda não contei para meus pais. Na verdade, não queria falar por telefone. Mas assim que trocar de número, vou ser obrigada a explicar para minha mãe o motivo. — Bufo, sentindo a frustração crescer.
— Mas não quero pensar nisso agora. — Estou prestes a me levantar quando Max me puxa para um abraço.
Um abraço forte. Quente. Seguro.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
...> Max <...
Apesar de Manu não me dar qualquer tipo de detalhe, fico p*** da vida por saber que aquele miserável ousou enganá-la. Estar noivo de outra mulher não chega nem perto de um mísero beijo. E eu vi o remorso nos olhos dela quando aconteceu. Ela se sentiu culpada, e ele nem merecia.
Por mais que eu tente, não consigo controlar o ódio que me invade. Minha vontade é ir atrás desse desgraçado e acabar com a raça dele. Mas não posso. Prometi que não me envolveria.
São tantos sentimentos atropelando minha cabeça ao mesmo tempo. Mas, devo confessar, no meio da raiva e da frustração, surge algo mais forte no meu peito. Algo que tento sufocar, mas que insiste em crescer. Esperança.
O desejo de ser o melhor para ela.
O desejo de lutar por ela.
O desejo de conquistar seu amor.
Mas, ao mesmo tempo, sei que não posso me precipitar. Ela acabou de sair de um relacionamento, e a última coisa que deve querer agora é se envolver com alguém. Mas eu espero. Espero o tempo que for necessário.
Enquanto dirijo, observo Manu de relance, sempre que o sinal fecha. Ela está ao telefone com os pais, sorrindo, e isso me deixa feliz.
Ela não parece abalada. Admiro sua força. Sua coragem de seguir em frente, de não se deixar abater por alguém que não merece.
Me lembro de um conselho que ela me deu uma vez e percebo que ela realmente acredita no que diz. Não era conversa da boca para fora. Ela vive isso.
Quando chegamos ao trabalho dela, Manu se despede e desce do carro. E eu a observo enquanto ela entra.
Suspiro fundo, tentando controlar as emoções, e sigo direto para a galeria. Minha exposição acabou sendo adiada a pedido de Landon e ficou marcada para o próximo sábado. O evento beneficente que me comprometi a ir é na sexta.
...☆☆☆☆☆☆☆...
Já na reunião com Landon e sua equipe, estou tão distraído que só concordo com tudo que eles sugerem. Para ser sincero, nem percebo quando a reunião termina. Só noto quando vejo Landon me encarando com aquela cara de "Fala logo!"
Max – Que foi? – Pergunto, fingindo desentendimento.
Landon – Eu preciso mesmo perguntar?
Ele não vai desistir, então acabo contando sobre o término de Manu. O mínimo possível. Não me sinto no direito de expor os detalhes do que aconteceu.
– Ela que te contou? – Ele pergunta com um ar de malícia.
Max – Sim. E antes que pergunte, eu não tive nada a ver com o fim do relacionamento dela.
Landon – Tem certeza que o fato de você tê-la beijado não foi o motivo do cara terminar com ela?
Max – Eu não te falei que foi ele que rompeu. E já disse que não tenho parte nisso.
Landon levanta uma sobrancelha, surpreso.
Landon – Peraí... então quer dizer que foi ela que terminou?
Max – Sim, Landon.
Ele fica pensativo por um instante, e então sorri.
Landon – O único motivo plausível para isso é que ela tenha desenvolvido sentimentos por você.
Max – Não diga bobagens. Mas, já que tocou no assunto de sentimentos... Eu estava pensando se...
Landon – Sim, você deve contar a ela o que sente.
Eu arqueio as sobrancelhas.
Max – Você nem sabe o que eu ia dizer.
Landon – Sei sim. E não perca tempo.
Ele me encara firme, e eu suspiro, passando a mão pelos cabelos.
Max – Sei que existe uma grande possibilidade de Manu não querer se envolver com ninguém agora. Mas quero ser sincero sobre o que sinto. Quero que ela saiba que estou disposto a esperar o tempo que for necessário.
Landon – Você não faz ideia de como isso me deixa feliz.
Ele sorri, satisfeito, e continua:
– Pelo que vi no sábado, Manuela sente alguma coisa por você.
Será? Eu já percebi alguns olhares, mas não sei se são de amor ou apenas atração.
E de uma coisa eu tenho certeza: atração ela sente. Mesmo tentando esconder.
Max – Pois é, talvez você esteja certo. E mesmo que ela não sinta o mesmo, farei o possível para mudar isso. Eu vou conquistá-la. E acho que sei por onde começar... Eu estava pensando em...
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Cida Sousa
Pois é .....descontou na pessoa errada
2025-03-05
0
Oracina Paes de Barros
Parabéns autora ❤️
2024-11-27
2
Krisca Cavalcante
Pois é, fez a egípcia pro que tava te fazendo de corna, e soltou os cachorros pro homem que te ama, e sempre te tratou bem.
2024-10-28
5