...> Manuela <...
*🔵*Parte 2
A festa segue tranquilamente, com os convidados já acomodados e se divertindo. Risadas e conversas animadas preenchem o ambiente, enquanto a música toca em um volume agradável. Mas minha atenção está presa em apenas uma pessoa.
Meus olhos seguem Max durante toda a festa. Algo dentro de mim despertou uma curiosidade ainda maior sobre ele, como se a conversa que ouvi mais cedo tivesse acendido um pavio dentro de mim. As palavras de sua mãe ecoam em minha mente. Sua prisão teve a ver com uma garota? Ele foi acusado injustamente? O que aconteceu exatamente?
Essas perguntas giram em minha cabeça sem trégua.
Odeio não saber a verdade sobre Max, e Olivia parece saber tanto quanto eu. Quando comentei com ela, sua expressão foi de pura confusão. Seus pais nunca contaram o que aconteceu, e ela sequer fazia ideia do que eu estava falando. Então, desconversei, fingindo que não era nada importante.
Agora estou no jardim, afastada da agitação, escrevendo tudo o que aconteceu hoje em meu diário. O ar fresco me acalma.
Estou tão absorta em meus pensamentos que nem percebo a presença de Max até escutar sua voz.
Somente então me dou conta de que ele está falando comigo.
Manuela — Me desculpe, disse algo? — Pergunto, erguendo o olhar para ele, já que estava completamente imersa no meu próprio mundo.
Ele sorri de canto, como se achasse graça na minha distração.
Max — Nada demais. Só estava curioso para saber o que tanto escreve nesse caderno.
Rapidamente, fecho o diário antes que ele possa ver qualquer coisa.
Manuela — Somente algumas anotações. — Respondo, tentando soar casual.
Max cruza os braços e me observa com uma expressão intrigada.
Max — Toda vez que te vejo, você parece muito concentrada nisso. É um diário ou algo do tipo?
Dou de ombros, pensando em como responder.
Manuela — Talvez… Mas algum dia pode se tornar algo mais. — Sorrio, sentindo um orgulho crescer dentro de mim. — No futuro, serei escritora. Na verdade, serei dona de uma editora. Assim, poderei publicar meus próprios livros e ajudar novos talentos a serem descobertos.
Max me encara por um momento antes de perguntar, com um tom melancólico:
Max — Então esse é o seu sonho?
Há uma tristeza subjacente na forma como ele diz isso, e antes que eu possa responder, ele solta um pequeno suspiro.
— Eu costumava sonhar como você nessa idade. — Força um sorriso, mas seus olhos não acompanham o gesto.
Minha curiosidade se intensifica. Essa é uma oportunidade perfeita para saber mais sobre ele.
Manuela — Por que costumava? — Pergunto, inclinando ligeiramente a cabeça.
Ele hesita, desviando o olhar para o céu por um instante, como se tentasse organizar os próprios pensamentos.
Max — É complicado. Você não entenderia.
Eu arqueio uma sobrancelha.
Manuela — Se você não for específico, pode ter certeza de que realmente não vou entender.
Max solta uma risada baixa, mas sem humor.
Max — Não é algo que eu queira conversar com uma adolescente. Você devia se juntar às suas amigas. Harper acabou de chegar.
Reviro os olhos, percebendo que ele está tentando mudar de assunto.
Manuela — Estou bem onde estou. Não sou muito fã de multidões.
E realmente não sou. Tia Rosálie basicamente chamou metade da cidade para os 15 anos de Olívia, e sua casa está completamente lotada. Olívia, por sua vez, não desgruda de Charles nem por um segundo, e ainda tem aquele irmão dele, sempre insistente.
— E posso falar com Harper depois. — Acrescento, abrindo cuidadosamente meu caderno, de forma que Max não consiga ler nada.
Ele observa meu gesto e solta uma risada baixa.
Max — Achei que insistiria mais.
Sorrio levemente.
Manuela — Devo confessar que minha vontade era essa. Mas não sou do tipo que força a barra quando alguém claramente não quer falar sobre algo.
Max me observa por um instante, como se estivesse me avaliando.
Max — Bem maduro da sua parte.
Manuela — Pois é, escuto bastante isso.
Há um breve silêncio antes que ele finalmente pergunte:
Max — Posso fazer uma pergunta?
Assinto, curiosa.
Manuela — Claro.
Ele respira fundo antes de encarar meus olhos diretamente.
Max — Quanto você ouviu da conversa?
Minha mente revisita o momento no corredor, a tensão no ar, as revelações que ele não esperava que ninguém mais ouvisse.
Manuela — Não sei ao certo… Acho que bastante. — Respondo com honestidade.
Max suspira, passando uma mão pelos cabelos.
— Posso te confessar uma coisa? — Brinco, citando uma das frases de um dos meus livros favoritos de Colleen Hoover. — Uma verdade nua e crua?
Ele arqueia uma sobrancelha, intrigado.
Max — Diga.
Eu me inclino levemente para frente, mantendo meu olhar fixo no dele.
Manuela — Eu já sabia sobre a prisão. O que me intrigava era não saber o motivo dela. — Faço uma pausa, observando sua reação. — Estive te observando bastante, e você não parece nem um pouco o tipo de pessoa que cometeria um crime ou algo pior. Mas hoje… pude ver que minhas suspeitas estavam certas. Você foi visivelmente incriminado.
Max fica em silêncio por alguns segundos, digerindo minhas palavras. Quando finalmente fala, sua voz carrega um peso difícil de ignorar.
Max — Pois é… É complicado. — Ele abaixa o olhar, parecendo distante. — Odeio o fato de Meus pais terem sido afetados. Eu não devia ter sonhado tão alto… Não devia ter tido tanta expectativa sobre a garota por quem era completamente apaixonado. Agora, não tenho nem forças para sonhar. Não consigo ao menos pegar no pincel… E isso era uma das coisas que eu mais gostava de fazer. Pintar paisagens, momentos. Minha inspiração se foi… Ela se foi.
Seus olhos se perdem em algum ponto distante.
— E agora sou obrigado a aceitar o emprego que me espera em Seattle, algo que nunca quis fazer.
Meu peito aperta ao ver o quanto ele sofre.
Manuela — Minha mãe sempre diz que o tempo cura todas as feridas. — Começo, com um sorriso leve. — É uma frase bastante conhecida… e certa. O tempo pode sim curar tudo, mas cabe a você deixar que ele faça o trabalho. Cabe a você permitir que a ferida se feche.
Ele me observa atentamente enquanto continuo.
— Cabe a você ajudar o tempo na cicatrização, ao invés de remoer a dor dia após dia. Não estou dizendo que é uma tarefa fácil, mas você precisa ser forte. Precisa suportar qualquer dor que o processo traga.
Dou uma leve pausa antes de finalizar:
— Existem pessoas que não merecem nossa tristeza. Que não merecem que soframos. Desistir dos seus sonhos por pessoas como essas… é pura burrice. Só daria a elas exatamente o que queriam: a certeza de que você não era capaz. Então, o que tenho a te dizer é bem simples, Max… Vá em busca de inspiração. Continue a nadar.
Max me encara por um momento e, então, um sorriso genuíno se espalha em seu rosto. Dessa vez, não há falsidade, não há tristeza mascarada. Ele realmente parece feliz.
Max — Acho que encontrei. — Diz, com um brilho novo nos olhos.
Posso dizer que foi nesse momento que nossa amizade começou. Pelo menos, até Max deixar a cidade.
Depois disso, o contato entre nós se tornou cada vez mais raro. No início, tentei manter a comunicação, mas ele estava sempre ocupado demais para atender minhas ligações ou responder minhas mensagens.
A cada dia, Max se afastava mais.
Então, decidi facilitar as coisas para ele.
Parei de procurá-lo.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
■ Dias Atuais.... 🗓
Manuela — Então ele conseguiu? — pergunto, sentindo uma alegria genuína por ele.
A ideia de Max finalmente alcançar o sucesso que sempre mereceu aquece meu peito.
Harper franze a testa, confusa.
Harper — Como assim, ele conseguiu?
Desvio o olhar por um instante, escolhendo minhas palavras com cuidado.
Manuela — Eu só conversei com ele quando esteve na casa dos seus pais. E fiquei sabendo que as coisas não estavam indo muito bem. — Minto, tentando parecer casual.
Não quero revelar que, na verdade, sempre soube mais do que deveria sobre o passado de Max.
Harper cruza os braços, soltando um suspiro frustrado.
Harper — Pois é... Só de pensar que aquela infeliz da Chloe quase acabou com a carreira dele, me dá uma raiva...
Meu coração acelera ao ouvir esse nome. Chloe. Finalmente, Harper menciona algo mais concreto.
Minha curiosidade se intensifica.
Manuela — O que aconteceu exatamente? — Pergunto, tentando esconder o tom ansioso em minha voz.
Por anos, eu me contentei em não saber os detalhes. Sempre soube que havia uma história por trás do breve período de Max na prisão, mas nunca o pressionei a falar sobre isso.
A única coisa que sei com certeza é que foi por causa de uma garota. E isso, descobri por acaso, ao ouvir a conversa dele com sua mãe.
Mas agora, com Harper tocando no assunto, a oportunidade de finalmente entender toda a verdade está bem diante de mim.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
...*🔴*Autora:...
*🔴*Ps: Como em meus livros anteriores, ao decorrer dos capítulos vou colocando novos personagens.
*📢*Lembrando que todas as imagens utilizadas no livro, são representativas.
🙏🏽Não esqueçam de deixar aquele Like, ao final de cada capítulo. Até, bjs.👍🏽😘
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Thainá
Eu imaginei ele desenhando/pintando a antiga namorada. E agora td vez que olha para tela... fiquei triste agora.
Mas tô gostando da história /Smile/
2025-01-15
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Thainá
Mano vim ler e recebi um incentivo de não desistir.
Certeza que ele ficou em voltar a pintar depois desse conselho /Heart/
2025-01-15
1
Thainá
Gostei da personalidade
2025-01-15
1