...> Manuela <...
*■*Dia seguinte...🗓
Mal consegui dormir na noite passada. Depois de tudo o que aconteceu ontem, não tive coragem de sair do meu quarto — pelo menos, não até ouvir a porta do quarto de Max se fechar.
Respiro fundo e tento me concentrar no meu primeiro dia. Preciso focar apenas nisso. Mas, confesso, estou uma bagunça por dentro. Ansiosa. Nervosa. É uma mistura de emoções que me deixa inquieta.
Enquanto prepaRo o café, ligo para minha mãe por vídeo chamada. Talvez falar com ela me acalme.
*●*Chamada de vídeo
Charlotte – Bom dia, meu tesouro.
Manuela – Bom dia. – Forço o sorriso mais convincente que consigo.
Charlotte – Aconteceu alguma coisa? – Droga. Às vezes, odeio o fato de minha mãe me conhecer tão bem.
Manuela – Nada, só estou um pouco nervosa e ansiosa. – Não é mentira. E fico feliz por ela acreditar.
Charlotte – Tenho certeza de que você vai arrasar no seu primeiro dia. – Ela sorri, tentando me animar.
Manuela – Espero que sim… Não estou aguentando de tanto nervosismo.
Charlotte – Vai dar tudo ce— Nossa!
Ela exclama, e no mesmo instante, me viro para ver o que a deixou surpresa.
Max acaba de entrar na cozinha. Sem camisa. Suado.
Meu coração dá um salto no peito.
Ele caminha até a cafeteira, pega um copo de café e, como se não fosse nada demais, diz:
Max – Bom dia.
Eu tento responder, mas as palavras simplesmente não saem. Minha boca fica seca, e por um instante, esqueço completamente que minha mãe ainda está na linha.
Charlotte – Manu, filha… Quem é esse belo rapaz?
A pergunta me puxa de volta à realidade. O olhar dela na tela do celular diz tudo. Conheço aquele olhar muito bem.
Manuela – Não é o que está pensando. – Me justifico rápido, mas, na verdade, é exatamente o que ela está pensando. Só que de um jeito completamente diferente.
Max me encara em silêncio. E, juro, vejo um sorrisinho surgir no canto de seus lábios antes de ele deixar a cozinha.
Minha mãe me observa com um brilho divertido nos olhos.
Charlotte – Fica calma, querida, eu não disse nada.
Manuela – Nem precisou dizer. Eu a conheço muito bem, mãe.
Ela ergue uma sobrancelha, esperando que eu diga algo mais.
Charlotte – Então?
Solto um suspiro. Sei que ela não vai desistir.
Manuela – Ele é primo da Harper e da Olívia.
Charlotte – Não me lembro de já ter visto ele antes.
Manuela – Mas a senhora já viu. Ele passou um tempo na casa da tia Rosálie.
Minha mãe faz uma pausa e então arregala os olhos.
Charlotte – Espera aí… Ele é o Max?
O tom surpreso dela me faz sorrir de canto.
Manuela – Sim.
Charlotte – Nossa, ele mudou bastante.
Manuela – Pois é.
Charlotte – E o que ele está fazendo aí?
Ela parece genuinamente curiosa. Faço um breve resumo da história, e ela escuta atentamente, processando tudo em silêncio.
– Raphael sabe que você e esse rapaz estão dividindo o apartamento?
Minha respiração falha por um segundo.
Manuela – Ainda não… Mas pretendo contar assim que ele retornar.
Charlotte – Acho uma excelente ideia. Sei que Max é um bom menino, pude ver isso no tempo em que ele esteve aqui na cidade. Mas também sei que você era apaixonada por ele.
Sinto o estômago se revirar.
Manuela – Dá para a senhora falar mais baixo?
Ela ri, claramente se divertindo com a minha reação.
Lanço um olhar para o corredor. Max já deixou a cozinha, e pelo estado em que estava, provavelmente está no banho agora. Aproveito para ir até a porta e me certificar de que ele não está por perto.
– Quando a senhora percebeu?
Charlotte – Ah, querida… Apesar de você tentar disfarçar, era bem óbvio pelo jeito que você o olhava. Mas, devo confessar, isso me preocupava um pouco. Você era muito nova.
Manuela – Eu sei… Mas isso ficou no passado.
Minto.
Minha mãe me olha pelo celular com aquela expressão de quem não acredita em uma única palavra.
Charlotte – Ficou mesmo? – Ela arqueia as sobrancelhas.
Engulo em seco.
Manuela – Ok… Talvez não tenha ficado completamente. Mas a senhora sabe que estou com o Raphael.
O sorriso dela some um pouco.
Charlotte – Essa é mais uma de minhas preocupações. Gosto bastante dele. Então, seja sincera com ele. É o mínimo que você pode fazer.
A culpa me atinge com força.
Manuela – Eu vou contar a ele sobre o Max.
Mas o que me preocupa de verdade é contar sobre o beijo. Porque não pretendo esconder isso.
Suspiramos juntas. Mudamos de assunto, conversamos mais um pouco e, enfim, encerro a ligação.
Termino meu café, e agradeço mentalmente por não esbarrar com Max novamente antes de sair.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
■ Empresa
Chego à empresa e sou bem recebida por todos. Há um calor genuíno na recepção, mas minha mente está longe, perdida nos acontecimentos das últimas horas.
Georgina me conduz até minha sala. Conversamos um pouco, e logo ela segue para a sua. Tento me concentrar no novo ambiente, mas minha cabeça insiste em voltar para Max, para Raphael… para tudo o que estou sentindo.
No almoço, vamos até um restaurante próximo. O lugar é agradável, mas minha fome é mínima. Faço meu pedido, e Georgina também. Assim que o garçom se afasta, ela me encara com um olhar afiado e diz sem rodeios:
Georgina – Começa.
Franzo a testa, sem entender.
Manuela – Começa?
Georgina – Eu te conheço o suficiente para saber que tem algo te incomodando. Somos amigas, então desabafa. Vai, sou toda ouvidos.
Droga. Ela sempre percebe.
Manuela – Eu te odeio por me conhecer tão bem.
Ela sorri, balançando a cabeça.
Georgina – Odeia nada. Agora para de enrolar e desembucha.
Respiro fundo. Eu deveria saber que ela não desistiria até arrancar toda a verdade de mim. Então, conto tudo. Desde o fato de que estou morando no apartamento de Max até os acontecimentos da noite anterior. Cada detalhe. Cada confusão que se passa dentro de mim.
Ela escuta atentamente, os olhos arregalando em choque conforme eu relato os fatos. Quando termino, tudo o que ela consegue dizer é:
– Nossa!
Ela me encara, realmente surpresa.
– Você conseguiu me deixar sem palavras.
Manuela – Pois é… – Suspiro, pressionando as têmporas. – Estou completamente confusa.
Georgina – Imagino. Seu primeiro amor acaba de aparecer. Você deve estar com um turbilhão de pensamentos na cabeça.
Faço que sim com a cabeça, sentindo o nó apertar no peito.
Manuela – Nem me fale… – Murmuro, exausta. – Mas essa nem é a pior parte. Não faço a menor ideia de como contar isso para Raphael.
Georgina se inclina um pouco para frente, sua expressão se tornando mais séria.
Georgina – A melhor coisa que você pode fazer por ele é ser sincera. Eu, mais do que ninguém, sei disso.
Sei que ela tem razão. Sei que ela fala com conhecimento de causa. O ex-marido dela, Howard, a traiu. Mas o pior não foi a traição em si. Foi o que veio depois. Alguns meses após o divórcio, Georgina descobriu que estava grávida. Quando contou para ele, a reação foi devastadora: Howard exigiu que ela abortasse. Ela, claro, jamais faria isso. E mesmo depois de Edward nascer, Howard nunca fez questão de conhecê-lo. Esse sempre foi o verdadeiro peso que Georgina carregou.
Minha amiga sabe melhor do Que ninguém o valor da verdade.
Manuela – Eu sei. Você tem toda razão.
Ela me observa por um instante, como se pesasse suas próximas palavras.
Georgina – Você pretende terminar com ele?
A pergunta me atinge em cheio. Meu peito aperta, minha respiração falha por um segundo.
Manuela – Não… Mas se ele quiser…
Minha voz sai hesitante.
– Mesmo que Max tenha sido o meu primeiro amor, e mesmo que eu sinta algo imensamente grande por ele… Eu também amo Raphael. Mesmo que de uma forma diferente.
Sinto um nó na garganta, mas continuo.
– E tem mais. Max não tem o menor desejo de iniciar um relacionamento. Pelo menos, segundo o que Harper me disse.
Não consigo esconder a decepção ao dizer essas palavras. É impossível.
– Ele só deve ter me beijado por impulso… Não sei. Tenho certeza de que ele não sente nada por mim.
Minha própria mentira me sufoca. Porque eu sei que Max sente algo. O problema é que não sei exatamente o quê. E, sinceramente, não estou disposta a me tornar apenas mais uma em sua lista de ficantes.
Mesmo que Raphael escolha terminar comigo, não pretendo me prestar a isso.
Georgina apenas me observa, sem dizer nada. Ela sabe que estou me protegendo. Talvez até entenda que estou tentando me convencer de algo que nem eu acredito.
Continuamos conversando, e o tempo passa mais rápido do que imaginávamos. Quando nos damos conta, quase perdemos o horário de retorno ao trabalho.
De volta à empresa, passo o restante do dia revisando manuscritos. Me perco neles. Tanto que nem percebo quando o expediente chega ao fim.
Mas, por mais que tenha tentado me distrair, uma verdade permanece martelando na minha mente.
Eu preciso resolver essa confusão dentro de mim. E, mais do que isso, preciso ser sincera com Raphael.
Só não sei se estou pronta para lidar com as consequências disso.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Carmen Borges de Oliveira
pelo andar da carruagem, esse Rafael não está nem aí pra ela, nem espera-la no aeroporto foi
2025-03-12
1
Alessandra Almeida
Tomara que ele tenha escutado🙏🏽🙏🏽🤭
2025-01-17
3
Thainá
Por favor tenha escutado /Pray/
2025-01-15
1