...> Manuela <...
🔵 Parte 1
■ Seattle, Washington, EUA
● Aeroporto 🛩
Assim que desembarco, meus olhos percorrem o movimentado aeroporto de Seattle. A agitação ao meu redor é intensa—passageiros apressados arrastando malas, anúncios ecoando pelos alto-falantes, famílias se reencontrando com abraços emocionados. Meu coração bate acelerado, ainda tentando processar o fato de que finalmente estou aqui.
Então, avisto Harper. Ela sorri antes mesmo de se aproximar e, sem hesitar, me envolve em um abraço apertado.
Harper — Manu, fico tão feliz em ter você aqui! — sua voz transborda animação.
Retribuo o abraço com força, sentindo um misto de alegria e saudade.
Manuela — Eu também! Senti tanta falta de você.
Harper sempre foi mais do que uma amiga; ela é praticamente uma irmã para mim. Crescemos juntas em Sitka, nossa cidade natal, compartilhando sonhos e planos para o futuro. Desde pequenas, desejávamos nos mudar para Seattle e construir nossas carreiras aqui. Ela conseguiu realizar esse plano primeiro—assim que terminou o ensino médio, conquistou uma bolsa de estudos na The George Washington University, onde se formou em Marketing.
Agora, Harper está vivendo um momento incrível: além de ter sido promovida na multinacional onde trabalha, recebeu a oportunidade de passar um ano na França. Fiquei imensamente feliz por ela, mas não posso negar que também senti um aperto no peito ao saber que ela partiria tão rápido.
Harper — Você vai amar o apartamento — ela diz, enquanto pegamos minhas malas. — Me sinto tão aliviada em deixar alguém de confiança cuidando dele nesse tempo que estarei fora.
Manuela — Prometo cuidar como se fosse meu. E, mais uma vez, obrigada por me oferecer um lugar para ficar.
Harper — Eu sei que vai cuidar bem dele. Mas queria tanto poder aproveitar mais a cidade com você… Mostrar os lugares incríveis daqui. Por que teve que vir justamente faltando um dia para minha viagem?
Ela tem razão. O plano original era eu ter chegado alguns dias antes, para que pudéssemos passar mais tempo juntas. Mas meus pais insistiram em aproveitar cada momento ao meu lado antes da minha partida, e eu também queria ficar um pouco mais com eles.
Manuela — Sinto muito, de verdade — digo, suspirando. — Mas Não consegui vir antes. Meus pais quiseram aproveitar o máximo de tempo comigo.
Harper sorri de leve, compreensiva.
Harper — Eu entendo perfeitamente. Com os meus pais não foi muito diferente.
Caminhamos lado a lado pelo aeroporto.
Manuela — Estou muito feliz pelo seu crescimento aqui em Washington — digo, sincera. — Não é todo dia que uma amiga se muda para outro país.
Harper dá de ombros, tentando minimizar sua conquista.
Harper — Ah, isso não é nada. Muito em breve, será você que dominará a cidade com sua editora.
Seu voto de confiança me faz sorrir.
Manuela — Assim espero.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
■ Apartamento
Manuela – Nossa… Uau! Arrasou, amiga. – Digo, girando lentamente sobre os calcanhares enquanto observo cada detalhe do lugar ao meu redor.
O ambiente é aconchegante, iluminado por uma luz suave que se espalha pelas paredes de um tom quente e acolhedor. A decoração é sofisticada, mas sem exageros, com móveis bem posicionados e alguns quadros abstratos pendurados, dando um toque artístico ao espaço. Tudo parece ter sido cuidadosamente escolhido, criando um equilíbrio perfeito entre elegância e conforto.
— Ele é lindo — acrescento, ainda admirada.
Harper — Não é nada demais, e o espaço nem é meu. Estou alugando do meu primo. Ele está viajando a trabalho e não tem previsão de retorno.
Franzo a testa, surpresa.
Manuela — Do seu primo? — Pergunto, confusa, voltando minha atenção para ela.
Ela me encara por um instante, como se tentasse se lembrar se já havia mencionado isso antes.
Harper — Sim, lembra que eu estava ficando na casa dos meus tios quando me mudei para cá? — Ela questiona, e eu apenas confirmo com um aceno de cabeça.
Apenas balanço a cabeça afirmativamente, incentivando-a a continuar.
— Assim que me formei e comecei a trabalhar, resolvi sair de lá. Queria um pouco de liberdade e privacidade. Você não faz ideia de como é difícil achar um cantinho que seja do seu gosto e ainda barato por aqui. — Ela revira os olhos, como se relembrasse a frustração das buscas intermináveis por um lar. — Tive muitos problemas com apartamentos, e como sempre fui próxima do Max, basicamente nos falávamos todos os dias. Ele me contou que viajaria a trabalho sem previsão de retorno e acabou me oferecendo esse lugar para ficar. Confesso que fiquei tão surpresa quanto você quando ele me passou o endereço. Também não fazia ideia de que o lance das pinturAs dele estava dando tão certo.
Um sorriso involuntário se espalha pelo meu rosto.
Manuela — Então ele conseguiu? — pergunto, sentindo uma alegria genuína por ele.
Conheci Max quando tinha 15 anos. Na época, ele havia se formado há quase um ano na faculdade e estava passando alguns dias na casa dos tios.
Lembro-me perfeitamente do momento em que ouvi, por acaso, uma conversa de Dona Rosálie — mãe de Harper e Olivia. Ela comentava que Max havia acabado de sair da prisão. Meu coração disparou ao ouvir aquilo. Não consegui captar muitos detalhes, nem soube exatamente o motivo da prisão, mas aquilo me assustou.
Por um tempo, fiz de tudo para evitá-lo sempre que ia ver Olivia. O simples pensamento de estar perto dele me deixava inquieta. Mas, conforme os dias passavam e eu o observava melhor, comecei a questionar aquela história.
Max não parecia o tipo de pessoa que cometeria um crime. Pelo contrário. Ele era atencioso com Dona Rosálie, sempre disposto a ajudá-la no que fosse necessário. Era prestativo em todo lugar que ia. Havia algo nele que não combinava com aquela narrativa sombria que minha mente havia construído.
E, aos poucos, comecei a me perguntar se havia muito mais nessa história do que eu imaginava.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
■ 6 anos antes... 🗓
● Festa de Olivia 🥳
O plano era simples: ir direto para o quarto de Olivia, fugir um pouco da agitação da festa e encontrar um lugar tranquilo para conversar. Mas, no meio do caminho, vozes abafadas me fazem hesitar. Meu instinto me diz para seguir em frente, ignorar a conversa, mas, por algum motivo, meus pés ficam presos ao chão.
Reconheço uma das vozes de imediato. Ava. Ela sempre vinha visitar Dona Rosálie, sua irmã mais nova. Embora soubesse que tinha um filho, Max raramente a acompanhava nessas visitas breves à cidade. Isso tornava sua presença ali ainda mais intrigante.
Curiosa, aproximo-me discretamente da porta entreaberta e prendo a respiração, lutando contra a culpa de estar ouvindo algo que claramente não deveria.
Ava — Filho, eu sei que foi minha ideia você vir para cá… — Ava diz, sua voz carregada de preocupação. — Mas o foco principal era você espairecer, decidir que rumo tomar a partir de agora. Eu não queria te pressionar, mas seu pai tem razão. Você devia pensar na possibilidade de dar aulas na universidade. Ele já até conversou com o reitor. É uma excelente oportunidade, e seu pai está se esforçando muito por você. Ele até conversou com a família daquela jovem, convencendo-os a retirar a queixa.
Há um breve silêncio, e então a voz de Max surge, carregada de ressentimento.
Max — Tudo que ele fez foi fazer um acordo pelas minhas costas com aqueles ricos medíocres.
Ava suspira, como se já esperasse aquela resposta.
Ava — Seu pai fez o melhor para te tirar daquele lugar. Você devia ser grato a ele por isso.
Max solta uma risada seca, carregada de incredulidade.
Max — Grato? — Ele repete, amargo.
A tensão no ar se intensifica. Sinto meu coração acelerar, sem entender completamente o que aquela conversa significa, mas pressentindo o peso dela.
— Tínhamos provas suficientes para acusar Chloe, mas…
Ava o interrompe, sua voz abaixando ligeiramente, como se o que estivesse prestes a dizer fosse um seGredo proibido.
Ava — Eles nos ameaçaram.
Max congela. Dá para sentir a mudança em sua respiração.
Max — Como assim, ameaçaram vocês? — Sua voz soa confusa, mas também cheia de um medo contido.
Ava — Eles são muito influentes, Max. Têm contatos. Garantiram que perderíamos nossos empregos. Disseram que você também sairia bastante prejudicado… — Ela hesita, mas continua. — Iriam garantir que nenhuma galeria expusesse seu trabalho e que ninguém te contratasse em outro lugar. Fizemos isso pensando em você, no seu futuro. Nós…
Max parece sem palavras. A revelação pesa no ar como uma tempestade prestes a desabar.
Max — Mãe, eu não fazia ideia, eu… — Sua voz falha, e então um som repentino corta o momento.
Meu telefone toca.
O som estridente ecoa pelo corredor, me congelando no lugar. O tempo parece desacelerar quando percebo o que acabei de fazer.
Max se vira em minha direção. Nossos olhares se encontram.
Meu coração martela no peito. Estou estática, presa no olhar intenso dele, sem ter ideia de onde enfiar a cara.
Manuela — Eu… eu sinto muito… — Minha voz sai baixa, quase um sussurro trêmulo. — Eu estava passando…
Meu rosto queima. Tenho certeza de que estou tão vermelha quanto um tomate.
— Não foi minha… — Balanço a cabeça, mortificada. — Sinto muito mesmo!
Antes que alguém possa dizer mais alguma coisa, giro nos calcanhares e praticamente corro para o quarto de Olívia, fazendo de tudo para esquecer o que acabei de ouvir—ou, pelo menos, fingir que nunca estive ali.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
Personagens:
.......Harper Yazzie.... ☝🏽...
...25 anos...
...( Irmã mais velha de Olivia e Melhor amiga de Manuela.)...
...Edward Sparks...
...7 anos...
...(Filho de Georgina)...
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Thainá
Ódio de gente que tenta comprar todos com dinheiro.
2025-01-15
2
Amélia Rabelo
a história é boa viu
2024-12-15
3
Suelen Andrade
muito gata
2024-11-08
2