...> Max <...
Amanhã fará três semanas desde que estou dividindo o apartamento com Manu. E devo confessar que não desperdiço um único minuto ao seu lado. Depois de bastante insistência da minha parte, ela finalmente concordou que eu a levasse e buscasse no trabalho. Conheço bem a cidade para saber que ela teria que enfrentar um ônibus lotado todos os dias, e mesmo que tenha mentido sobre a galeria de Landon ser próxima à sua empresa, não me arrependo nem um pouco.
Adoro sua companhia, e, por mais que saiba que um relacionamento entre nós seja algo impossível, às vezes me pego pensando nessa possibilidade. Às vezes, sem perceber, me vejo encarando seus lábios, quase cedendo à tentação de tomá-los novamente. Mas eu lhe fiz uma promessa, e, por mais difícil que seja, pretendo cumpri-la.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
Como tenho feito quase todos os dias, ajudo Manu a preparar o almoço. Digamos que não sou tão bom quanto ela, mas consigo me virar.
Já está quase anoitecendo quando a vejo sair do quarto, impecavelmente linda. Está bem arrumada, de salto e com um vestido que... nossa, realça todas as suas curvas. Me pergunto onde ela vai assim, e, para ser sincero, não consigo evitar a ideia de que seja um encontro com o namorado. Sei que ele mora na cidade e que estava viajando a trabalho, mas não fazia ideia de quando voltaria. E, devo confessar, torci muito para que nunca mais voltasse. Bom, pelo esforço que ela teve em ficar ainda mais deslumbrante, imagino que o ame muito.
Meus olhos continuam presos nela até que seu telefone toca.
— Oi, já estou de saída — escuto-a dizer assim que atende. — O quê? Você só pode estar brincando... Não, não conheço ninguém... — Ela para por um instante e me encara silenciosamente antes de continuar: — Na verdade, eu conheço alguém. Daqui a pouco te dou a resposta.
Assim que encerra a chamada, ela se aproxima e se senta ao meu lado.
Manuela — Max? — Sua voz tem um tom quase cauteloso.
Max — Sim.
Manuela — Se eu te pedisse algo... na verdade, um favor gigantesco... você faria?
Não existe nada que eu não fizesse por ela, mas sua pergunta me deixa um pouco nervoso.
Max — Estou ouvindo.
Manuela — Hoje tenho um jantar super importante, e minha chefe acabou de me ligar dizendo que a babá que ficaria com o filho dela cancelou. Ela não encontra ninguém disponível para cuidar dele e, como eu, ela também é nova na cidade. Não conhecemos muita gente, então... você faria esse favor? Edward é um amor, não vai ser difícil cuidar dele.
O alívio deve estar estampado no meu rosto. A felicidade que sinto ao perceber que ela não se arrumou assim para encontrar o namorado é praticamente palpável. Sei que não deveria sentir ciúmes, mas não consigo evitar.
Max — Claro — respondo, sem nem pensar muito.
Manuela — Você está falando sério? — Ela me olha surpresa, como se não esperasse essa resposta.
Max — Estou sim. Pede para ela trazer ele. Quando o jantar acabar, ela pode buscá-lo aqui no apartamento.
E então, acontece.
Manuela — São por esses motivos que eu te amo! — Ela me abraça em agradecimento, e suas palavras ecoam repetidamente na minha cabeça.
Mas, quase no mesmo instante, ela se afasta, parecendo perceber o que acabou de dizer.
— Foi só modo de dizer, é claro que eu não te amo.
E essas palavras... Deus, essas palavras me atingem em cheio. Sei que não deveria me afetar tanto, mas é inevitável. Acho que ela percebe, porque logo tenta consertar.
— Quer dizer, eu te amo sim... Mas não do jeito que pareceu.
Ela parece um pouco sem jeito, mas, ainda assim, suas palavras não me consolam.
Max — Eu entendi — Forço um sorriso, o melhor que consigo naquele momento.
Ela me observa por um instante, talvez tentando decifrar se realmente entendi ou apenas aceitei sem questionar.
Manuela — Vou avisar a Georgina — diz, pegando o celular novamente.
E eu permaneço ali, tentando engolir o peso do que acabei de sentir.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
Leva cerca de trinta minutos até que sua amiga finalmente chegue.
Georgina – Boa noite. – Ela sorri, um pouco sem jeito.
Max – Boa noite. Georgina, certo? – Digo, abrindo espaço para que ela entre.
Georgina – Isso mesmo. Esse aqui é o Edward. Fala oi para o moço, filho.
Edward – Oi! Eu sou Edward, mas pode me chamar de Ed.
Max – Prazer, Ed. Eu sou Max, um amigo da Manuela.
Edward – Então você é o Max? – Ele pergunta, para minha surpresa.
– Realmente, tia Manu não mentiu. Quando eu crescer, quero ser bonito como você. Sabia que ela e minha mãe até te compararam com...
Antes que ele termine a frase, sua mãe tampa sua boca. Tento segurar o riso, mas é impossível.
Georgina – Essas crianças... – Ela comenta, visivelmente sem jeito.
Poucos minutos depois, Manu surge. Ela e Georgina trocam olhares como se estivessem se comunicando telepaticamente. Vejo Manu se abaixar para abraçar o menino, e tenho quase certeza de que diz algo em seu ouvido.
Elas se preparam para sair e, antes de deixar o apartamento, Georgina dá diversas instruções ao filho sobre comportamento. Ed apenas assente, ouvindo tudo atentamente.
– Qualquer problema, não hesite em ligar.
Max – Pode deixar.
Georgina – Me desculpe por acabar com sua noite. Mas eu realmente não encontrei ninguém para ficar com ele. Muito obrigada, de verdade.
Manuela – Precisamos ir, estamos um pouco atrasadas.
Ela está prestes a sair, mas, para minha surpresa, volta e me dá um beijo na bochecha.
– Obrigada.
E por mais que tente, não consigo conter o sorriso que surge no meu rosto. Fico observando-a até que entre no elevador. Assim que as portas se fecham, volto minha atenção para Ed.
Max – Então, Ed... estou muito curioso para saber com o que sua tia me comparou. – Digo, sorrindo.
Edward – Tia Manu disse para eu não falar nada. Sem exceções.
Max – Vejo que você é um menino bastante obediente, e isso é muito bom. Mas o tio promete que só quer saber isso. Nada mais. E não vou contar pra ela que você me disse.
Ele me analisa por um breve momento, claramente ponderando a situação, antes de responder:
Edward – Só se pedir pizza.
Solto uma risada. Pequeno chantagista.
Max – Ok, vou pedir o que você quiser. Mas vê se não vai me enrolar, garotinho. – Digo, bagunçando seu cabelo.
– Vem, tenho uma coisa que acho que você vai gostar.
Levo Ed até a sala e mostro alguns jogos de videogame. Pelo menos os que considero apropriados para a idade dele.
– Qual você quer jogar?
Ele analisa todos os jogos, um a um, antes de decidir pelo FIFA.
Depois de pedir a pizza, iniciamos nossa partida. Como prometido, Ed me conta exatamente como Manuela e sua mãe me chamam.
Narciso.
E, por mais que seu final tenha sido trágico, não consigo deixar de me sentir lisonjeado pela comparação.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Alessandra Almeida
É bom que ela vá de surpresa ao apart. dele e descubra porque que ele não dá a mínima pra ela. Tomara que ela pegue ele no flagra, termine tudo e vá ser feliz com o verdadeiro amor dela, o Max.
2025-01-17
3
Ely Ana Canto
o que não faz uma pizza kkkkkk
2024-12-07
1
Alessandra Almeida
Melhor se calar de vez, está se complicando mais tentando explicar😂😂
2025-01-17
2