...Bruno Castellani:...
Olhei para o corpo do assaltante, deitado em uma poça de sangue no chão, e depois para Luiza.
Ela estava pálida, com marcas de sangue no rosto, mas parecia ter saído ilesa.
Mattia ainda esperava por uma resposta, mas eu não tinha nenhuma clara para dar.
"Não sei...", murmurei após um momento de silêncio.
Que merda eu fiz, afinal?
"Eu acho que prefiro resolver isso por conta própria... quando o momento certo chegar, vou acabar com ela e com a Megan", comentei, com um toque de frieza na voz.
Notei a confusão nos olhos de Mattia, mas eu não estava disposto a continuar me explicando para ele.
Na verdade, nem para mim mesmo.
Logo, o som das sirenes começou a ecoar ao longe e pessoas começaram a aparecer.
...[...]...
"Posso servir o seu café da manhã, senhor Bruno?", perguntou Amélia, minha funcionária mais antiga.
"Não precisa, estou de saída", respondi.
Eu estava prestes a sair quando a voz irritante de Megan me deteve:
"Tem certeza que já vai? Não acha que é muito cedo para ir trabalhar?", perguntou enquanto eu me virava para encará-la.
Ela usava uma camisola vermelha curta.
Bem curta.
"Pensei que nós poderíamos tomar café da manhã juntos...", ela sugeriu, sorrindo com malícia. "Ou...Se preferir, eu posso ser o seu café da manhã."
Me aproximei lentamente, observando-a ficar tensa.
Megan manteve um sorriso provocante, mas notei um tremor leve em suas mãos, como se estivesse tentando esconder o nervosismo.
Quando fiquei a poucos centímetros dela, vi seu sorriso desaparecer aos poucos, provavelmente porque ela percebeu que eu estava sério e que não era hora para brincadeiras.
Meu olhar frio a fez dar um passo para trás.
"Eu disse que estou de saída", repeti de forma firme. "Tenho coisas muito importantes para fazer"
Megan soltou um suspiro de frustração e recuou um passo, parecendo insatisfeita por não ter conseguido o que desejava.
"Tudo bem", respondeu, cruzando os braços. "Mas você sabe onde me encontrar quando mudar de ideia."
Passei por ela e fui até a porta, mas, antes de sair, olhei para Amélia, que estava parada ao lado da entrada.
"Por favor, certifique-se de que tudo fique em ordem até eu voltar", pedi, lançando um olhar para Megan.
Amélia assentiu, indicando que ficaria de olho nela e eu deixei a mansão.
...[...]...
Passei quase a manhã inteira seguindo Luiza pelo supermercado, como se fosse sua sombra.
A parte boa?
Não foi tão ruim assim, na verdade.
Para ser honesto, acabou sendo até divertido vê-la falando com um bebê como se fosse sua melhor amiga e balançando produtos na frente dele para que ele "escolhesse" a melhor opção.
Mas é claro que o bebê não entendia nada do que aquela maluca estava dizendo.
Ele apenas ficava ali, observando com aqueles olhos grandes e redondos, como se estivesse pensando:
"O que ela está falando?"
Enquanto uma mulher passava suas compras no caixa, percebi que Luiza olhava ao redor, como se estivesse procurando alguém.
Em seguida, escutei quando ela perguntou para a mulher do caixa:
"Será que tem algum entregador disponível?"
"Não tenho certeza, hoje temos muitas prioridades no supermercado", respondeu a caixa. "Mas você pode esperar ali."
Me afastei um pouco, tentando não perdê-la de vista, e me aproximei de um entregador que ajudava uma senhora a carregar suas coisas.
...[...]...
Me aproximei de Luiza, vestindo o uniforme ridículo do supermercado e um boné que, sinceramente, não favorecia ninguém.
"Disseram que precisavam de um entregador por aqui. Foi você quem chamou?", perguntei, tentando parecer profissional.
"Caramba, que rápido", ela murmurou baixinho, antes de abrir um sorriso simpático. "Sim, sou eu. Preciso que você me ajude a carregar essas coisas aqui", ela disse, indicando o carrinho cheio de compras.
Levei as sacolas dela para um táxi sem dificuldade alguma. Quando entrei no carro e me sentei ao lado do motorista, até tentei iniciar uma conversa, mas Luiza parecia distraída.
"Seu filho é bem calmo", comentei, tentando soar casual.
"Ah, sim...", respondeu, um pouco sem jeito. "Quase isso...", ela acrescentou, como se fosse uma piada interna.
Essas foram as poucas palavras que trocamos durante o caminho.
"Pronto", murmurei ao colocar a última sacola dentro do apartamento.
"Você pode esperar um minuto? Estou sem dinheiro trocado aqui na bolsa, mas tenho quase certeza de que deixei no armário", pediu.
Concordei com um aceno silencioso, mostrando que estava tudo bem.
Assim que Luiza se afastou, percebi que ela havia deixado a chave pendurada na fechadura.
ingênua demais...
Primeiro, olhei ao redor para ter certeza que ninguém estava me observando. Em seguida, peguei a chave e dei uma rápida examinada.
Já tinha o sabonete que roubei da sacola mais cedo no meu bolso.
Isso é o suficiente para criar um molde perfeito.
Pressionei a chave contra o sabonete com força, criando uma marca bem definida.
Assim que o molde ficou pronto, devolvi a chave ao lugar de onde tinha tirado e coloquei o sabonete de volta no bolso, com cuidado.
Mal terminei quando ouvi os passos de Luiza se aproximando.
"Me desculpa pela demora. Meu armário está uma bagunça", disse, com um sorriso meio sem graça.
Luiza me deu uma nota de cinquenta reais como se estivesse me presenteando com algo precioso, e eu não consegui segurar uma risadinha, o que pareceu deixá-la confusa.
"Algum problema?", ela perguntou.
"Não... nenhum", respondi.
"Ah, então tá. Obrigada."
"De nada, eu que agradeço."
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
ótima narrativa, explicando bem direitinho os acontecimentos. Parabéns autora
2025-03-13
0
Zenith Afonso
A autora,,,,está misturando os assuntos, deixando a gente confusa.....
2024-11-18
0
marcia financeiro
eu tinha certeza que esse entregador era ele pena que ela não lembra dele porque ele acha que ela não gosta dele
2024-07-18
6