...Luiza Alves:...
"Foi por esse motivo que a senhora ignorou minhas ligações?", perguntei confusa, e ela me olhou como se estivesse sentindo pena de mim.
"Na verdade, eu não atendi porque... não quero mais cuidar do seu bebê", respondeu, soltando um suspiro pesado.
Aquelas palavras caíram sobre mim como um balde de água fria.
"Posso perguntar por quê? O que nós fizemos de tão errado?", questionei, tentando entender o que estava acontecendo.
"Vocês não fizeram nada de errado. Mas...", hesitou, e eu fiquei quieta, aguardando que continuasse. "Sabe aquele bandido que foi morto enquanto conversava com você?", começou, e senti um arrepio percorrer minha espinha ao relembrar daquela cena horrível.
"Ele não estava conversando comigo; aquele homem queria me matar", rebati.
"Isso não vem ao caso agora. Ouça, o que eu tenho a dizer é importante. Não posso entrar em detalhes, mas acho muito errado não te alertar."
"Me alertar?", repeti confusa. "Sobre o que?"
"O bandido que foi assassinado era amigo de um dos chefes do Comando Vermelho", ele respondeu, se referindo à facção criminosa que mencionou antes.
"E o que isso tem a ver comigo?", perguntei, tentando entender a conexão.
"Ouvi dizer que os traficantes querem vir atrás de você para te interrogar. Como a polícia matou um deles, eles querem descobrir quem foi o policial responsável e vingar a morte do amigo."
"Jesus Cristo...", murmurei, sentindo um calafrio. "Juro por tudo o que é mais sagrado que eu nem cheguei a ver ninguém, e não faço a menor ideia de quem matou esse homem", respondi, com a voz trêmula de medo. "Como assim... quem disse isso?"
"Foi o meu filho que me contou", ela disse, com uma expressão de preocupação. "Ele me disse para não ir mais à sua casa. Quando perguntei o motivo, ele me contou isso. Os bandidos vão aparecer lá a qualquer momento."
"O quê!?", disparei a pergunta, assustada.
"Você precisa ir para um lugar seguro com seu filho, menina", ela acrescentou, com urgência.
Meu Deus...
Para onde eu vou? Vou tentar falar com Cassie ou também posso pedir ajuda para Bianca, sei que elas vão me ajudar.
Como eu me meti nessa situação???
Em questão de poucos segundos, corri de volta ao meu apartamento.
Com as mãos trêmulas, comecei a jogar tudo o que precisava em malas.
Não havia tempo para pensar; eu apenas sabia que precisava sair dali o mais rápido possível. O medo estava me sufocando, mas eu sabia que precisava manter a calma.
Peguei todos os meus documentos, dinheiro, poucas peças de roupa e quase tudo do bebê, exceto os itens grandes, é claro.
Por fim, faltava apenas ele.
Me aproximei do berço, esperando ver Lucca ainda dormindo ou até olhando ao redor com curiosidade.
Mas quando olhei para dentro, o berço estava vazio, o que fez meu coração afundar.
"Não, não, não...", murmurei, com uma onda de pânico crescendo dentro de mim. "Por favor ele não...", levantei até o pequeno colchão do berço esperando por um milagre encontrar meu filho em baixo dele, mas não tinha nada.
Corri até a cômoda e peguei meu celular para ver as imagens da babá eletrônica.
Talvez houvesse uma explicação simples para o sumiço de Lucca. No entanto, ao verificar as gravações, percebi que tinha algo muito errado.
Nos primeiros minutos, tudo parecia normal.
Ele estava no berço, parecendo tranquilo.
Mas então, de repente, a câmera começou a se mover lentamente para o lado, como se alguém a estivesse girando para longe da visão do berço.
Eu não conseguia ver mais nada a partir daquele momento.
As minhas mãos estavam tremendo tanto que mal consegui discar para a polícia.
"190, qual é a sua emergência?", perguntou a atendente do outro lado da linha.
"Meu filho su..."
Fui interrompida quando uma mão pressionou um pano úmido contra minha boca e nariz.
O cheiro era forte, parecia ser uma mistura de álcool e produtos químicos.
Meu primeiro instinto foi tentar gritar, mas o pano abafou qualquer som que tentei emitir.
Meus olhos começaram a arder, e minha cabeça começou a girar.
Logo, as minhas pernas cederam e o smartphone escorregou dos meus dedos, caindo no chão com um ruído surdo.
"Te encontrei, passarinho", foram as últimas palavras que ouvi antes de tudo escurecer.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Sílvia Apóstolo
Eita deve ser o pai do filho dela
2025-01-17
0
Ana Lúcia De Oliveira
que suspense!
2025-03-13
0
Priscila França
sensacional
2024-10-24
0