O resto do meu dia de trabalho se passou até que tranquilamente. Ainda estava me sentindo meio deslocada naquele ambiente, mas consegui me acalmar e esse sentimento bom só aumentava, principalmente agora que Yuri se aproximou de mim. Digamos que será muito bom ter um amigo neste lugar, alguém com quem conversar nas minhas pausas; eu poderia enlouquecer se permanecesse sozinha. O Sr Hoffmann não gosta muito de conversa e eu até o entendo, já que é um homem muito ocupado e centrado no que faz.
Por falar nele, o mesmo decidiu sair mais cedo para a reunião que teria.
— Podemos ir? — perguntou ele. Já havia organizado alguns itens que estavam fora do lugar em sua mesa e quando se levantou, pegou o seu paletó e o vestiu.
— Claro, senhor. Só um momento. — pedi e rapidamente me ajeitei. Também organizei a minha bolsa, joguei lá dentro algumas canetas e meu celular, sendo observada por ele durante todo o tempo.
Uma vez pronta, me pus ao seu lado. Mas ele não prosseguiu para abrir a porta. Estranhei. — Aconteceu algo? — perguntei sem entender. Precisei o olhar e o vi com uma expressão confusa.
— Você pode me ajudar a arrumar minha gravata, por favor? Não tenho um espelho aqui e não posso saber se vai ficar bom.
Seu pedido me pegou completamente de surpresa e eu engoli a seco. A situação me pareceu bem mais complicada quando a minha saliva escorreu com mais dificuldade pela minha garganta. — C-claro, Sr Hoffmann. — tentei, mas não consegui não gaguejar.
Ele pareceu perceber o meu nervosismo e eu juro que notei como um meio sorriso ameaçou escapar de seus lábios, mas ele conseguiu se conter, me frustrando completamente. Esta seria a primeira vez que eu o veria sorrir.
— Ah, bom... O senhor pode se curvar um pouco, por favor? — perguntei, ainda me sentindo tímida demais para o que estava prestes a fazer.
Uma tremenda besteira, mas por que eu sentia meus dedos tremulando tanto? Droga!!!
Ele concordou, mas não se curvou diante de mim como imaginei que faria. Apenas se recostou na borda de sua mesa, e flexionou as pernas, dessa maneira, ficou mais "acessível" ao meu toque.
Me aproximei e toquei a sua gravata, a ajustando em seu pescoço da maneira como achava que ficaria bom. Estávamos muito próximos e eu não pude deixar de perceber isso, por essa razão, eu só ficava cada vez mais nervosa, meu coração parecia querer saltar do meu peito, pela boca.
Eu sentia o perfume dele exalando de suas roupas, da sua pele, ao mesmo tempo que também sentia a sua respiração em meu rosto. Estava desregulada, ele também não parecia muito confortável com aquilo e eu só agilizei o processo, suspirando aliviada quando terminei. — Pronto! — avisei e imediatamente me afastei, para não o deixar tão desconfortável.
— Ok, obrigado. — agradeceu, passando os dedos suavemente pela gravata. — Agora já podemos ir.
Dito isso, ele assumiu a minha frente e abriu a porta para que finalmente pudéssemos sair. Eu já imaginava, mas queria prestar atenção para perceber se aquilo realmente estava acontecendo, e sim, estava! Os outros funcionários sempre me encaravam estranho quando eu saía da sala do Sr Hoffmann com ele do meu lado.
E os olhares não eram nada gentis... Eram acusatórios mesmo.
Seguíamos em silêncio para o elevador. Mas a voz de Yuri me fez parar o meu trajeto. — Nyanni! — ele resmungou, enquanto vinha atrás de mim. O olhei, com as sobrancelhas erguidas... O aguardava falar algo. — Acabei me esquecendo completamente... Você pode me mandar uma mensagem? — perguntou e já foi me entregando um pedaço de papel — Por favor. Já faz um tempo que eu quero conversar com você.
— Claro! — eu respondi com um sorriso, peguei o papel de suas mãos. Dei uma boa analisada no mesmo e só tirei as minhas atenções deste quando ouvi um murmúrio entediado.
Era o Sr Hoffmann. Ele estava bem atrás de mim.
— Vamos ou não, Nyanni? Já estou atrasado! — ele resmungou, ríspido dessa vez e eu fiquei bem assustada. O medo de perder o emprego já me dominou.
— Sim, sim, Sr Hoffmann. Me desculpe. — olhei para Yuri e me despedi dele. Notei como os olhos do garoto brilhavam, e eu só sorri mais com aquela cena.
Ele parece ser uma pessoa tão doce.
Segui com o meu chefe até o elevador. As portas do mesmo se abriram e ele entrou e logo o fiz também, pois me pareceu que este ogro pressionaria o botão do térreo sem esperar que eu entrasse.
Fiquei tensa e bem atrás dele. Estávamos sozinhos ali dentro, e eu podia ouvir o som da sua respiração. Dei uma boa encarada em seus ombros, seus músculos que pareciam tensos.
Isso me causou um rebuliço no estômago. Ele fica tão bem dentro de ternos!
Nós dois permanecemos em silêncio dentro do elevador. Faltando apenas alguns segundos para chegarmos ao nosso destino, ele me solta um: — Eu não admitirei distrações em seu ambiente de trabalho, Olliver.
— Não vou me distrair, Sr Hoffmann. Não precisa se preocupar quanto a isso. — garanti e ele sequer me olhou ou disse qualquer palavra. Somente me ignorou.
Eu sabia que não iríamos mais trocar uma palavra depois daquilo.
• • •
Como eu imaginava, o Sr Hoffmann sequer me olhou depois do que me disse no elevador da TransAtlantic. Mas também não tentei qualquer contato, tendo em vista que ele poderia estar estressado com algo e poderia descontar suas frustrações em cima da minha pessoa.
Eu já estava prestes a voltar para casa. Ele ligou para Alex, pedindo que o mesmo viesse me pegar aqui mesmo no estabelecimento onde sua reunião aconteceu; eu não precisaria ir até a sua casa. — Não precisa mais dos meus serviços por hoje, Sr Hoffmann? — questionei, cordialmente. Até porque é a minha função serví-lo dentro do meu horário de trabalho, é claro.
— Não, Olliver. Está dispensada! — respondeu, sério e com a mesma rigidez de sempre.
Dei de ombros, não me dando o trabalho de dizer mais nada. Alex chegou em poucos minutos e eu agradeci aos céus por isso. — Até mais, Sr Hoffmann! — sim, eu ainda tive a audácia de me despedir, até porque não entendo a razão pela qual ele ficou tão bravo de repente.
Poderia eu ter feito algo de errado?
Pensei nessa possibilidade por alguns segundos. Mas não muito, pois logo peguei o meu celular para checar as mensagens e também para mandar uma mensagem a Yuri, antes que me esquecesse completamente de o fazê-lo.
Respondi também a algumas mensagem de minha amiga, que ainda ostentava a mesma ansiedade de sempre pela sua festa que já estava chegando. Ela garantiu que me comprou um vestido e iria me presentar com ele, exigindo que eu o vestisse no dia dessa festa tão importante assim.
Inicialmente, ela comentou que iria me emprestar o tal vestido, mas de repente mudou de ideia.
Achei no mínimo estranho, mas não comentei nada sobre aquilo.
— Dia ruim? — perguntou Alex, me acordando daquele transe em que estava, imaginando como a festa de Marianne será.
— Oh, não! Não, foi um ótimo dia para mim. — respondi, sorrindo.
— Imaginei que fosse o contrário, pela expressão do Sr Hoffmann quando cheguei onde vocês estavam. — ele rebateu, me olhando brevemente pelo retrovisor.
— Você viu? Eu não sei o que aconteceu, mas acho que não tem nada haver comigo. Não fiz nada de errado! — eu poderia afirmar aquilo quantas vezes fossem necessárias. De fato não fiz nada demais.
Como alguém pode mudar de humor tão rapidamente?
Que cara estranho...
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Clarice Hoss
ele já está tá caidinho por ela só não percebeu ainda
2025-01-03
1
Carmem Damásio
mais mais mais
2024-05-06
0