Capítulo 16

Assim que a semana se iniciou, Nyanni seguiu a mesma rotina de sempre: Levantar-se cedo para que pudesse organizar tudo e sair para trabalhar mais tranquila. Organizou também a bolsa que usaria para ir à universidade, uma vez que havia conseguido transferir-se para o horário noturno. Tudo parecia ir bem e ela se sentia feliz, mesmo que preocupada com o ocorrido há alguns dias atrás.

Por sinal, Steve passou o fim de semana com a sua esposa, mas não parava de pensar no que aconteceu. Pensou até mesmo que Nyanni poderia ir embora do bairro e não aceitaria isso, por essa razão, decidiu que conversaria com ela num momento oportuno e, bem, ele chegou: Essa manhã, em que ela está prestes a sair de casa para trabalhar.

Loris estava dormindo. Ressonava levemente e assim que seu companheiro se levantou da cama, ela sequer se moveu, sinal de que estava imersa num sono profundo. Feita essa constatação, Steve correu até a casa de Nyanni e a aguardou ali na frente. Sabia que a mesma fica um tempo sozinha a esperar pelo motorista que a vem buscar todos os dias e aquele momento era perfeito para o que Steve pretendia fazer.

Terminei de passar o óleo reparador em meus cabelos e logo em seguida, os penteei para que qualquer embaraço que tenha se formado no mesmo fosse desfeito. Borrifei meu perfume favorito e uma vez pronta, me afastei um tanto do espelho para que pudesse me olhar através dele, buscando alguma imperfeição em minha roupa, algo que estivesse errado com ela.

Bom, o Sr Hoffmann não determinou que eu deveria usar um tipo de roupa específico ou até mesmo um uniforme (o que seria bem brega, vamos combinar); mas como eu não sou louca, sei muito bem que devo usar roupas sociais, afinal de contas, estou trabalhando para um ricaço. Preciso estar à caráter. Uma maquiagem simples já realça o meu olhar e esconde algumas imperfeições em meu rosto e além disso, também encontrei umas roupas mais "formais" em meu guarda-roupas e decidi usá-la no dia de hoje:

Aquilo parecia perfeito para mim.

Pus alguns outros itens que julgo importantes para o meu dia de trabalho e quando me vi realmente pronta, saí de casa o mais depressa possível, até porque gosto de estar a postos quando o motorista do Sr Hoffmann chega. Ele me parece bem sério e é compromissado com o seu trabalho, o que me instiga a ser também.

Tranquei a porta e fiquei ali na frente o aguardando. Ainda está bem cedo, posso ouvir o som dos pássaros a cantar e isso, de certa forma, me tranquiliza. O episódio que ocorreu há uns dias atrás ainda me assusta muito, por esta razão eu não saio de casa à noite e sempre tranco tudo da melhor maneira que posso. Mas mentiria se dissesse que ainda não me preocupo com a minha segurança, mas esse medo é algo que eu tento esquecer para não acabar me tornando mais paranóica do que já sou.

— Nyanni. — ouvi a voz característica de Steve e senti meu coração parando de bater por um momento. Arregalei os olhos e fitei em sua direção, sorrindo sem graça. Mas ele não parecia sério ou bravo, muito pelo contrário.

— Steve, bom dia. — o cumprimentei, tentando não soar tão assustada, porque não quero que ele pense que estou com medo.

— Queria conversar com você. — falou e eu olhei em volta, balançando a cabeça, pronta para inventar alguma desculpa para, sei lá, adiar esse momento. — Não se preocupe, eu não vou tomar muito do seu tempo. Até porque o que eu tenho para lhe falar é muito rápido, sei que você precisa trabalhar.

Ele justificou bem mais rápido do que o meu pensamento.

— Tudo bem. O que houve?

— Primeiramente, eu gostaria de me desculpar pelo ocorrido passado. Porque... Sinceramente, eu não esperava que Loris fosse desconfiar de você e isso é culpa minha. Eu não fui claro o suficiente com ela sobre o porquê de ter me aproximado de você e tampouco fui sincero com você. — explicou, se aproximando a passos lentos. Não se aproximou tanto, creio que para não acabar me intimidando. — Não se assuste com isso, por favor. Eu não quero te assustar.

— Só estou muito confusa e sem entender o que está tentando me dizer, Steve. — estou assustada sim, na verdade. Ele acabou de admitir que já me observa há um tempo e deu a entender que se aproximou da minha pessoa com um propósito, este que eu ainda não entendi ou descobri, mas pretendo descobrir.

Steve ficou em silêncio por alguns segundos e isso me apavorou muito mais. Senti vontade de sair correndo e não voltar mais, torci para que o motorista do Sr Hoffmann chegasse logo para que eu não precisasse ligar com o Steve por agora. Mas ao mesmo tempo, me sinto completamente desconfiada e curiosa.

— Estou buscando maneiras de dizer isso a você de uma maneira que não te assuste, eu- — por um momento, notei que ele ficou apreensivo. Mas nós dois vimos um certo carro característico se aproximar e naquele momento, pude respirar aliviada. — Só quero que saiba que eu lamento pelo que Loris fez. Ela não tem noção do que faz, é só muito ciumenta e possessiva. Para tudo existem explicações e eu te garanto que um dia lhe conto tudo.

— Bom dia, senhorita. Tudo pronto? — o motorista se dirigiu a mim, mas olhava diretamente para Steve. Parecia querer intimidá-lo.

— Sim, sim. Claro. — respondi, sem rodeios.

— Bom, eu já vou indo. Nos falamos depois, Nyanni. Até mais! — Steve se despediu e sequer esperou a minha resposta. Saiu andando.

Eu entrei no carro em silêncio, só pensando em tudo o que Steve me falou. Afinal de contas, o que ele queria tanto me dizer? Por que enrolou tanto? Mas que droga.

— Está tudo bem, senhorita? Você precisa de ajuda? — perguntou o homem ao entrar no carro. Ele me olhou pelo retrovisor e pareceu curioso e muito interessado na minha resposta.

— Eu estou bem sim. Aquele era só um conhecido meu. — menti e ele semicerrou os olhos em minha direção.

— Sabe, esse bairro é um tanto quanto perigoso. Você não sente medo em morar aqui? Há pouco patrulhamento da polícia por conta da criminalidade e por ser mais distante do centro da cidade. — disse tudo muito calmamente, ligando o carro.

— Eu sei sim, mas não posso ir embora. Por enquanto, este aluguel é o que cabe em meu orçamento. — respondi, sem qualquer vergonha. — Porém, de fato, é muito perigoso. Eu jamais escolheria morar aqui, senhor. Se não fosse por pura pressão e falta de opção.

Ele balançou os ombros.

— Eu te entendo perfeitamente. Mas agora que está trabalhando com o Sr Hoffmann, vai ter um pouco mais de estabilidade. Talvez, se você conseguir passar da experiência se dê muito bem em sua vida. E até mesmo com ele. — falou com bastante convicção — O Sr Hoffmann é um bom homem, só um pouco difícil de lidar. Mas você se acostuma rapidamente!

Sorri. Pensando comigo mesma que ele é sim muito difícil de lidar, o cara chega a ser quase um iceberg. É difícil até mesmo conversar com ele! Já que o mesmo te olha como se você fosse culpada por algo que ao menos fez.

— É, talvez você tenha razão, senhor.

— Me chame de Alex, por favor. — pediu. — Sou muito jovem para ser tratado com tanta formalidade.

Eu até me surpreendi que ele estivesse conversando comigo assim, já que desde a primeira vez que nos vimos ele se mostrou ser um ogro, bem como o seu patrão. — Ah, claro. Sim. E já que estamos falando sobre isso, você pode me chamar de Nyanni! — rebati e ele concordou, acenando com a cabeça.

— Combinado.

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Comments

Maria Aparecida Barbosa da Silva

Maria Aparecida Barbosa da Silva

Eu acho que o isteve é irmão da Anni

2024-05-28

6

Carmem Damásio

Carmem Damásio

mais mais mais mais

2024-05-04

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