Mesmo com a entrevista que estava prestes a fazer, precisava voltar ao trabalho. Então, logo após sair da universidade, voltei para casa e passei pela mesma rotina de sempre. Tomei um banho, comi um pouco só para forrar o estômago e depois de me arrumar, saí de casa muito rápido.
Fui caminhando mesmo, até porque tinha tempo de sobra. Como ainda está claro, o sol está alto, não tive tanto medo de andar pela rua, até porque o movimento estava agradável. Mas não demorou muito para Steve, o meu "perseguidor" aparecer. — Oi, gatinha. Poxa, você está linda pra caramba! — ele disse com um meio sorriso, num tom até que nem animado.
Ele não se aproximou muito, manteve a distância. Uma distância bem saudável, considerável e que não me deixasse desconfortável. Claro que eu estranhei e o olhei sem entender. Ele parecia saber o que eu estava pensando. — O quê? Não precisa ficar com medo de mim, não tenho a intenção de lhe fazer nenhum mal. — falou, dando de ombros. Ele olhou em volta e era como se fosse me falar algo, mas não fez isso quando ouvimos um grupo de homens estranhos se aproximando da gente. Estavam do mesmo lado da calçada que nós dois!
Fiquei morta de medo, principalmente quando eles nos encararam. — Bom dia, Steve! — um deles disse, com uma expressão cínica que me trouxe arrepios. Ruins, é claro.
— Bom dia, Malcolm. — respondeu ele, seriamente.
Steve parou um pouco de andar e os observou se distanciar de nós dois. Eu que não sou boba nem nada, me recusei a ficar parada e simplesmente saí dali, a passos extremamente apressados e um alívio tomou conta de mim quando eu notei que a lanchonete que eu trabalho estava bem mais perto.
— Por que você correu? — ouvi a voz do homem perguntar, bem atrás de mim. Eu estava só há alguns passos de entrar no meu trabalho.
— Eu só não quero me atrasar. Não posso perder esse emprego.
— Não se preocupe! Você só sai desse emprego se quiser. Jamais será despedida. — ele meio que me garantiu, o que me deixou muito confusa. Como ele pode afirmar isso com todas as letras assim? O olhei, como se esperasse respostas. E elas não vieram. — Confia em mim. Te prometo.
Dito isso, ele simplesmente saiu andando o mais rápido que podia, me deixando até mesmo sem entender. O que estaria acontecendo?!
— Nyanni, que bom que chegou! Vamos entrar e começar o trabalho agora! Nosso dia já não começou muito bem... A vigilância sanitária está aqui! — foi Luiz quem me gritou de dentro da lanchonete, chamando a minha atenção como se eu fosse uma criança irresponsável.
Bufei e revirei os olhos, sem que ele me visse fazendo tal coisa. Entrei no estabelecimento e já corri pros fundos para colocar meu uniforme e guardar minha bolsa, iniciar o meu expediente que já está mostrando que não vai ser tão fácil. Se a vigilância sanitária está aqui, então houve alguma denúncia a respeito da higienização da cozinha e eu devo confessar que realmente, não é das melhores.
Por sorte eu não trabalho lá. Caso trabalhasse, jamais a deixaria tão suja... Eu odeio imundícias, e se como algo que sai daquele lugar horrendo é porque não tenho outra opção. Mas como com um peso na consciência.
Mas enfim... Deixei de pensar muito e logo comecei a trabalhar. Obviamente, Luiz tomou uma linda multa por falta de higiene no ambiente de trabalho e pelos alimentos estragados que ele vem armazenando, servindo essas porcarias aos clientes. A multa foi altíssima, e quando ele colocou as mãos naquele papel, simplesmente se enfurnou em seu escritório, não saindo de lá durante o dia inteiro.
Trabalhei como uma condenada, como sempre. Nenhum funcionário ousou comentar sobre o ocorrido, até porque ninguém seria louco.
Entretanto, depois de algumas horas, logo quando o meu expediente estava prestes a acabar, Luiz surgiu. Ele não tinha uma expressão muito legal e gentil, mas quando saiu de seu escritório veio diretamente na minha direção.
— Você fica até mais tarde hoje, Nyanni. Vamos começar a dobrar o trabalho! — ele falou em alto e bom som, era como se estivesse se dirigindo a algumas outras pessoas — Marta, Jorge e Clara, vocês também ficam. O resto está dispensado, mas amanhã é o dia de vocês!
Ah, que ótimo! Eu já saio daqui muito tarde, imagina agora?
Eu mereço!
• • •
• Horas mais tarde
Tudo parecia estar conspirando contra Nyanni naquele momento. A multa que Luiz recebera foi altíssima, ele quase não poderia arcar com ela, caso não fizesse seus funcionários dobrarem seus trabalhos para conseguir juntar o dinheiro.
O problema é que não haveria como remunerá-los naquele momento por aquele serviço que seria prestado. Mas para Luiz era muito mais preocupante perder a sua lanchonete, o seu ganha-pão. Ele não estava se importando com o bem-estar dos seus funcionários.
Uma carga horária que já era abusiva, de 9 horas de trabalho (fora as horas extras), se tornaria pior; 12h de trabalho para que pudessem juntar aquela quantia. E ele só tinha 2 meses para conseguir tudo.
Mas Nyanni conseguiu vencer aquele dia. Por sorte, já era sexta e ela se via super animada para o dia seguinte. O sábado que mudaria a sua vida. Para sempre. Ou não... Mas ela preferia acreditar que sim.
Após chegar em casa, só teve tempo de trancar tudo e se jogar na cama. E então, acordou um pouco mais tarde para tomar um banho e comer algo antes de encontrar a sua amiga, que já tinha marcado com ela o horário em que a buscaria para que fossem juntas à casa de Apolo.
Ele, por outro lado, já amanheceu trabalhando. Não tinha descanso, estava numa reunião com alguns assessores da TransAtlantic, precisava daquele momento para fechar alguns contratos e discutir alguns outros assuntos. Por um momento, esqueceu-se completamente da entrevista que faria.
Mas lembrou-se quando sua sobrinha ligou para o telefone da sua casa e relembrou a funcionária que atendeu. Depois que a mesma informou o compromisso que Apolo tinha, ele finalmente se recordou. — Merda. — resmungou consigo mesmo, se perguntando inúmeras vezes a razão pela qual permitiu que sua sobrinha trouxesse aquela amiga dela.
"Eu só devia estar louco!" era o que ele mais dizia em seus pensamentos. Mas como sempre fora um homem de palavra, não voltaria atrás naquele momento... Sabia que havia uma grande probabilidade de odiar a menina que seria trazida até a sua casa, sabia que existia chance de ela não ser quem ele procurava.
Por isso mesmo, organizou seu escritório, tudo o que precisaria para ter aquela "reunião" com a tal garota (ele já havia esquecido o nome dela), mas estava encerrando as perguntas que faria.
Enquanto isso, Nyanni roía as unhas tamanha a ansiedade que sentia. Ela já tinha se arrependido, mas não iria voltar atrás... Era só lembrar aonde estava vivendo, o trabalho que exercia que já sentia a insegurança e o medo voando para longe do corpo dela.
Ela jogou pro universo o seu desejo... "Essa vaga é minha... Eu sei que é!", com muita fé de que seria atendida. Ela repetia aquela frase inúmeras vezes em sua cabeça, como uma espécie de mantra e a cada palavra repetida, mais a esperança se acendia em seu coração.
"Eu sei que já estou contratada... Oh, céus. Como seria bom! Eu só queria poder sair daquela droga de subúrbio."
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Amanhã teremos mais, paciência amigas! 💋💋💕 e obrigada às que estão acompanhando.
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Samanta Rufino
tem q ter hot sim
2024-05-30
3
Carmem Damásio
mais mais mais mais
2024-04-21
3