Capítulo 3

Mais um dia em que me torturam no meu trabalho, e quando finalmente acabou aquele dia, mesmo que meu corpo precisasse de um descanso a mais, eu sabia que precisava ir à universidade e levantei bem cedo, me aprontei e peguei o primeiro ônibus que encontrei para lá.

Marianne me ligou ontem e avisou que tinha uma boa notícia para me dar. Obviamente, fiquei sem entender até porque ela não disse mais nada sobre isso, somente me falou que conversaríamos melhor quando nos encontrássemos na universidade.

Assim que cheguei, não a vi de imediato. Hoje, as aulas começaram bem mais cedo, os primeiros horários de aula teriam professores então já corri para a minha sala. No intervalo mesmo, eu a encontrei e foi aí que a vi caminhar na minha direção com muita pressa, deixando de lado o seu grupo de amigos (aqueles que são da sua mesma classe social). Estes mesmos me encaravam com certa... Superioridade. Um comportamento que não passa despercebido por mim sempre que tenho o desprazer de encontrá-los pelos corredores da universidade, mas isso de longe me incomoda.

A presença deles pouco me importa, para ser sincera.

Também não deixei de notar como os olhos da minha amiga brilhavam, como sua expressão se mostrava ansiosa para o que tinha a me dizer. Eu fiquei muito mais curiosa do que já estava. — O que aconteceu, Mari? Já estou começando a me preocupar. — falei sério, mas preferi não comentar sobre a parte que só não fiquei sem dormir por ela não ter me adiantado o assunto por telefone por causa do meu cansaço.

— Você pode até não acreditar, mas eu consegui uma entrevista de emprego pra ti. — assim que me disse isso, eu não respondi no mesmo segundo, pois continuou: — E não é qualquer entrevista de emprego, não... É a sua oportunidade de sair daquela droga de subúrbio.

— Como assim? — fiquei sem entender. Como poderia? Eu já tenho um emprego.

— Ah, Nyanni... Nem vem com essa cara! Você não pode recusar, é um emprego bem remunerado e com vários benefícios, com uma carga horária... Ah... Pouco parecida com a que você exerce hoje, mas não importa. Não importa porque é um emprego muito melhor e que você poderá estar amparada pelas leis trabalhistas. Você sabe muito bem como isso é importante! — ela explicou tudo aquilo de maneira bem exasperada, como se estivesse com receio de eu acabar recusando.

— Me explique mais sobre isso, Marianne. Por favor!

Ela se dispôs a fazer isso. Com um sorriso no rosto! Nos acomodamos nas mesas do refeitório e ela então começou a discorrer sobre a vaga que me foi supostamente ofertada. Ela contou que era um de seus tios paternos quem estava precisando de uma assistente, alguém que fosse competente o suficiente para trabalhar quase que junto a ele, organizando seus compromissos, preenchendo suas agendas e lhe passando os inúmeros recados que recebe.

Ao que me parece, este homem é muito requisitado e importante. Logo quando ela me disse o seu nome eu não o reconheci, mas sabia que precisaria pesquisar sobre o mesmo para tirar as minhas próprias conclusões.

Marianne também me informou que, caso eu fosse contratada, precisaria me mudar para um apartamento de Apolo. Trabalhar como sua assistente me traria algumas obrigações, como esta... Morar perto dele para estar disposta, em qualquer momento que ele precisar de mim.

O salário, então... Tudo o que eu precisava. Porque era quase que o triplo do que eu ganho na lanchonete que trabalho atualmente. Então, claramente, fiquei tentada a aceitar, mas não deixei de me sentir nervosa e despreparada para tal vaga. Porque Marianne foi me contando todas as minhas atribuições (caso fosse contratada) e percebo que nada daquilo sei fazer. Ou melhor.... Até sei, mas posso não ser competente o suficiente para tal trabalho.

Fico temerosa em ser contratada e logo em seguida despedida. Porque não posso simplesmente abandonar toda a minha vida no subúrbio (que mesmo sendo um lugar extremamente perigoso e desagradável, esquecido pelas autoridades), ainda é o meu lar. Minha casa fixa!

— Amiga, quanto a isso, não precisa se preocupar porque é claro que você vai ter que passar pela experiência. Uma experiência de um mês... Em um mês, meu tio vai analisar as suas responsabilidades e se poderá contar contigo realmente. Caso você se dê bem na experiência, vocês vão assinar um contrato de três anos, é fixo e você não vai sair do emprego antes disso, a não ser que haja uma justa causa. Mas isso você já sabe! Não é?!

Mari estava muito mais animada que eu. Senti pela forma de ela comentar comigo sobre essa vaga de emprego que está muito ansiosa e confia em mim, confia no meu potencial. Isso já era motivo o suficiente para eu ficar insegura, porque, sem antes aceitar ir com ela no sábado até a casa do seu tio, eu já fico esperançosa de que possa ser contratada. Oh, céus... Sair daquele subúrbio assustador é o que eu mais quero, mas não deixo de ter medo.

Suprir as expectativas dessa gente riquinha é sempre um trabalho árduo. Claramente, o tio da minha amiga só está me dando a oportunidade de conceder-lhe a entrevista de emprego por causa da consideração que sente pela sua sobrinha. Se não fosse por isso, meu currículo jamais seria ao menos considerado, já que eu sou péssima em tudo o que faço.

— E então, amiga? Por favor... Me diz que você vai aceitar! Porque eu não vou viver em paz se souber que você vai recusar e continuar vivendo naquele lugar horrível. Meu Deus, se fosse para te ajudar de uma outra maneira eu faria, mas não posso, você não aceitaria também. Então me deixa te ajudar desse jeito, eu imploro de joelhos se você quiser!

Pensei por um momento, em tudo o que eu passei até aqui. Mesmo que não seja nada sério, também pensei no Bryant, que está insistindo para sair comigo. Pensei até mesmo no que ele iria considerar ao meu respeito quando visse o lugar em que estou morando atualmente. É completamente vergonhoso!

— Tudo bem, Mari. Eu aceito. Farei essa entrevista no sábado.

Ela não deixou de comemorar com um murmúrio feliz ao me ouvir. Seu sorriso era brilhante e a observando, eu percebi como ela se importa comigo.

Nunca imaginei que alguém se sentiria assim ao meu respeito... Porque só obtive o desprezo da minha família até aqui.

Ai, pai... Como eu queria que você estivesse vivo.

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Comments

Clarice Hoss

Clarice Hoss

aceita a vaga e da o teu melhor menina

2025-01-02

0

Neria Silva

Neria Silva

kkkk perfeito

2024-10-13

0

Neria Silva

Neria Silva

manda mais mais quero mais

2024-04-29

1

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