— Já vou logo lhe avisando, Nyanni... Você terá muitos problemas com a Sandra. — as palavras de aviso vieram de Marianne, que já estava bem acostumada com o comportamento da governanta da casa do seu tio. Não seria a primeira vez que a mulher se envolvia em assuntos pessoais de Apolo.
Nyanni olhou assustada para a amiga. — Como assim? Eu sequer falo com ela, somos praticamente estranhas na casa do Sr Hoffmann.
— Ela é extremamente ciumenta, Nyanni. Se envolve em tudo, se acha a dona do meu tio, sendo que não passa de uma marmita que ele come por pura preguiça de arranjar uma mulher que preste. — continuou falando. Não precisava de muito esforço para saber que ela não gostava nem um pouco de Sandra, e, convenhamos, ambas compartilham o mesmo sentimento uma pela outra. Sandra também a detesta.
Após aquelas revelações, se haviam dúvidas da "relação" de Sandra com Apolo, essas mesmas não mais existem. Nyanni desconfiava desde o primeiro momento, até porque Sandra é uma mulher muito bonita e passa quase a maior parte do tempo sozinha com Apolo. Seria meio óbvio, eles se envolvem de alguma maneira.
— Ah, amiga... Eles até combinam, vai. — Nyanni brincou e Marianne quase cuspiu o hambúrguer que estava comendo.
— O quê? — indagou num tom muito alto, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam ali perto — Tá maluca, Nyanni? A Sandra é simplesmente ridícula, não tem nada haver com meu tio. Sully sim era uma mulher à altura dele... Os dois combinavam muito e pareciam ter nascido para viver naquela relação.
A menção do nome da ex-esposa de Apolo atiçou a curiosidade de Nyanni, mas ela não se atreveria a comentar nada sobre isso, porque ela viu nos olhos de Marianne que aquele assunto era meio doloroso. Se era assim para ela, imagina para o viúvo.
Entretanto, ela não precisou perguntar nada. Marianne deu continuidade ao que estava falando: — Porém, aparentemente, meu tio deveria seguir com a sua vida sozinho, porque ela morreu de uma maneira muito trágica e até hoje é difícil para ele falar sobre isso. Na verdade, ele nunca fala nada... Até mesmo quando mencionamos o nome dela em reuniões de família, numa maneira de lembrá-la carinhosamente, ele não se sente confortável.
— Deve ser chato pra ele. Lembrar dela... Se os dois se amavam tanto assim. — comentou Nyanni, se sentindo entristecida de repente. Ela não se imagina vivendo num relacionamento tão bom e acabar perdendo o seu amado tragicamente.
Seria extremamente doloroso, ela sabe muito bem que não suportaria. E está aí um dos seus maiores medos.
Marianne não continuou falando, ela não se estendeu muito no assunto. Deixou no ar e Nyanni, mesmo que não parecesse certo, estava curiosa para entender mais sobre aquele casal que se desfez repentinamente. Ela iria tentar pesquisar para saber mais sobre.
As duas passaram boas horas juntas e só decidiram sair da lanchonete quando Paul, o namorado de Marianne, ligou para a mesma, a convidando para assistir a um jogo qualquer, para fins de distração.
— Amiga, agora eu tenho que ir. Mas tem algo que eu também queria ter comentado com você antes mas acabei esquecendo... — comentou a loura. — Meu aniversário está chegando e eu queria muito que, neste ano, você fosse. Como está trabalhando com o meu tio, será mais confortável para você participar, o apartamento que meu tio te cedeu fica bem perto do meu condomínio e-
A partir da frase "o apartamento que meu tio te cedeu...", Nyanni já não ouviu mais nada. — Seu tio não me cedeu apartamento nenhum, Mari. — explicou, com bastante cuidado para não parecer ingrata. — Ainda continuo morando no subúrbio.
Os olhos de Marianne se arregalaram.
— Como é? Você ainda está morando naquela pocilga? — questionou, embasbacada. — Não acredito!
— Mas está tudo bem, amiga. Porque pra mim está bem confortável, seu tio cedeu um motorista para me buscar e trazer de volta todos os dias até a minha casa. Não tem nada demais nisso... E ele me explicou tudo direitinho, vou continuar dessa forma até passar pela experiência e por mim, está ótimo assim. — justificou e a moça imediatamente relaxou mais um pouco. Ela estava prestes a ligar para o seu tio e tirar satisfações, mesmo sabendo que não iria ouvir coisas boas vinda dele.
— Mas- — ela não terminou de falar, pois seu motorista já foi estacionado ali perto.
— Não se preocupe, Marianne. E nada de arranjar confusão, ok? — a fez prometer e a moça só bufou.
— Não vou falar nada, prometo. — garantiu, arrancando um sorriso de Nyanni — Você quer vir comigo? Te deixo em casa e depois vou até o Paul. Se você-
— Hmm, não, não precisa! — respondeu — Eu vou à pé mesmo, passarei no mercado para comprar alguns itens que estão faltando lá em casa. Mais tarde conversamos amiga, fica tranquila.
As duas se abraçaram e beijaram uma a bochecha da outra — Sério, amiga? Eu não veria problema em te acompanhar, não. O John já está bem acostumado. — se referiu ao motorista.
— Não, eu estou bem, sério. Pode ir, o Paul está te esperando.
Logo após se despedirem, Marianne entrou no carro e foi embora. A tarde já estava indo embora e a noite dando as caras, por isso Nyanni decidiu ir ao mercado rapidamente comprar tudo o que ela estava precisando, voltando bem rápido para a sua casa. A programação agora só consistia em se trancar em casa e assistir a algo pelo celular, ou até mesmo pesquisar mais sobre a esposa de Apolo. Ela realmente queria saber quem era aquela mulher e o que a levou deste mundo.
As luzes na rua do seu bairro estavam fracas, como se estivessem prestes a queimar. Por isso mesmo, Nyanni apressou seus passos para chegar em sua casa. Já não haviam muitas pessoas pelas calçadas, justamente pela criminalidade que sempre é mais frequente por essas horas.
A rua não estava completamente vazia, os velhos bêbados ainda se mantinham nas calçadas e nos bares. Mas, mesmo com aqueles sons de conversas, foi impossível não ouvir passos. Alguém estava perseguindo Nyanni, e esse alguém era Loris, junto a Jackson e um outro rapaz que Jackson arranjou para apavorar Nyanni.
A moça notou algo estranho e quando passou para o outro lado da rua, finalmente percebeu que estava sendo perseguida. E os seus perseguidores também perceberam que ela notou, por isso a cercaram. — Posso ajudar vocês em alguma coisa? — questionou Nyanni, com o coração batendo acelerado no peito.
— Quem são esses caras que estão vindo atrás de você aqui dentro? 'Tá trazendo riquinhos pra dentro da nossa comunidade, piranha? — foi Loris quem perguntou isso, como se a sua preocupação fosse o motorista de Apolo que vem pegar Nyanni em casa todos os dias ou até mesmo Bryant, que só apareceu naquele bairro uma única vez.
— Eu estou trabalhando fora daqui, o motorista que vem me buscar não representa um perigo para qualquer morador. — tentou se defender, mas tudo o que Loris fez foi dar um tapa estalado na sua face.
Nyanni não caiu, mas se assustou com aquilo. Ficou sem entender nada. — Por que fez isso?! Você é doida?
— Olha como fala comigo, você acha que é quem? — perguntou a mulher, se aproximando. — Aqui você não é nada, Nyanni. Acha que eu não sei quem tu é? — a menção do seu nome a assustou muito mais.
Nyanni não fazia ideia de como sair daquela situação. Pensou em correr, uma vez que sempre odiou brigas, mas ao encarar aqueles dois homens que estavam lhe cercando, entendeu que as suas chances eram mínimas. Um dos homens a olhava como se fosse um pedaço de carne e, lembrando das notícias que vê nos telejornais, um frio assombroso subiu pela sua espinha.
Ela pensou que morreria.
Não estava entendendo o que aquela mulher queria. Não imaginava que todo aquele teatro era ciúmes de Steve; pois Loris sempre foi muito insegura e após tantas traições vindas de seu companheiro, ela decidiu que iria infernizar a vida de mulheres às quais ele se aproximava ali no bairro. Nunca pensou em conversar com ele sobre o que o mesmo fazia.
— Que porra é essa aqui?
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Carmem Damásio
mais mais mais mais mais
2024-05-02
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