Cheguei atrasada para a aula. Que ótimo! Assim que entrei na sala, a professora me olhou seriamente e me acompanhou visualmente até que eu me acomodasse numa mesa.
Sabia que ela não ficaria calada, porque não gosta de mim e é sempre muito rabugenta. — Você não está mais no colegial, Srta. Olliver. Trate de ser mais responsável, em um ano talvez você não esteja formada caso continue dessa maneira. — me alfinetou em alto e bom som, ela queria me constranger na frente de todos.
— Não se preocupe, dona Martha. — falei, olhando bem nos olhos dela. — Eu não vou adiar a minha formatura só por um único atraso. Hoje eu não consegui sair mais cedo de casa, se eu pudesse ter vindo mais cedo, viria. Não iria me atrasar propositalmente, justamente por saber que a primeira aula seria a sua.
Disse aquelas palavras a olhando bem no fundo dos olhos. Já faz um tempo que eu percebo que essa velha não gosta nada de mim e não é como se eu me importasse, porque até o momento ela somente me olhava com uma expressão de poucos amigos e sempre me dava piadinhas que dava para relevar. Jamais se dirigiu a mim de maneira tão arrogante antes. Ela é muito mais velha que eu, e obviamente nunca lhe faltei com o mínimo respeito, mas também exijo que ela me respeite.
Não recebi qualquer resposta. Pelo contrário, dona Martha só ficou me encarando com a mesma expressão de sempre, mas agora estava muito mais furiosa. — Bom, voltemos à nossa aula! — disse ela depois de alguns segundos em silêncio. Achei mesmo que iria me retrucar, mas não foi bem o que aconteceu. Ainda bem.
A aula se seguiu tranquila, assim como todas as outras. Como sempre, implorava internamente para que as horas se arrastassem, demorassem a passar porque não queria ter que lidar com o meu trabalho, com a droga do lugar onde moro.
Mas ao contrário dos meus desejos, as horas se passavam rapidamente e em um piscar de olhos, eu já estava rumando para a saída, pronta para correr e não perder a hora do meu trabalho.
Troquei poucas palavras com Marianne. Ela sempre me pergunta se o seu tio retornou, se me ligou ou pelo menos mandou um e-mail. Mas nada... O Sr. Hoffmann nunca mais entrou em contato e, sinceramente? Eu acho que isso nunca acontecerá. Ele deve ter contratado uma outra mulher que seja mais preparada e com um currículo mais atrativo que o meu.
Me despedi da minha amiga e notei nos olhos dela como estava desapontada. Eu também me sentia dessa forma no começo, nos primeiros dias quando implorava com tudo de mim para que eu recebesse a tal ligação que mudaria a minha vida.
Nada aconteceu e eu me obriguei a seguir em frente. Uma hora ou outra minha situação mudará.
— Nyanni! — ouvi uma voz muito familiar e tomei um grande susto. Era Bryant, o meu namorado! Droga, eu já havia esquecido completamente dele... Devido a minha rotina extremamente cansativa.
— Oi, querido! — respondi, sem conseguir esconder o quanto estou assustada e envergonhada pela presença dele.
— Já faz muito tempo que não te vejo. O que está acontecendo? Por que você não tem retornado às minhas ligações? Estava louco, preocupadíssimo com você! — ele meio que estava me repreendendo e eu não me atrevi a falar qualquer coisa para me defender, porque estou de fato, errada.
As suas ligações? Eu as vi e não retornei. Estava querendo o evitar ao máximo porque tenho muita vergonha da minha atual realidade. Bryant é uma pessoa completamente diferente de mim, e os seus pais já não gostam da minha pessoa, imagina se descobrirem que eu moro num subúrbio, numa casa velha caindo aos pedaços.
Eles obrigariam o filho deles a me deixar. Com toda a razão, é claro.
Eu gosto muito do Bryant. Sério, sem falsidades... Ele é muito importante em minha vida, fez parte dele num momento muito complicado que eu estava passando. Eu até respondi algumas das suas mensagens, mas não permiti que ele fosse atrás de mim, mesmo ele insistindo muito.
Todavia, agora já não adiante eu mentir e ocultar a verdade dele. Meu namorado pode estar pensando que eu o estou evitando por não gostar mais dele, ou o pior... Pode achar que estou o traindo! E isso eu jamais faria, eu adoro o Bryant.
— Me desculpa, amor. Eu juro que... Eu tenho muito a te explicar, mas eu estou envergonhada demais pra isso. — afirmei com muita sinceridade e ele me olhou com uma sobrancelha arqueada.
— Vou entender, Nyanni. Só preciso que você seja sincera e não minta pra mim... Está me traindo, é isso? — perguntou ele, a primeira coisa que veio em sua mente e eu quase engasguei com a minha própria saliva.
— O quê? Não, Bryant... Não é isso! Eu jamais te trairia. — olhei em volta depois de me justificar e ao constatar que ninguém estava nos olhando, eu fiquei mais calma.
— Está apaixonada por outro? — voltou a insistir, seu rosto ficava vermelho gradativamente.
— Não, querido, eu...
— Então me explica, pelo amor de Deus. Já não aguento mais todo esse mistério, o seu afastamento. Nyanni, isso está me machucando! Eu só queria passar um tempo com você, mas me parece que isso é impossível de acontecer. Você está distante, não me conta nada, eu fui à casa da sua tia e ela não quis ao menos me atender, então é óbvio que eu não estou entendendo nada do que está acontecendo. — ele falou tudo aquilo com muita rapidez, quase se atropelando nas palavras.
Me aproximei dele e tomei seus lábios num beijo doce, na tentativa de o acalmar. Bryant ficou estagnado no começo, mas logo retribuiu. Suas mãos foram parar na minha bunda, assim ele nos aproximou muito mais, grudando nossos corpos de uma maneira que me fez delirar. — Eu sinto tanto a sua falta, amor. Eu quero muito saber o que está acontecendo. — disse ao se afastar brevemente, nossas bocas ainda estavam bem próximas.
— Eu vou te explicar tudo, eu prometo. — garanti, falando a verdade. — Mas eu só quero que você saiba que a minha vida não está nada fácil, eu estou vivendo momentos turbulentos, tá tudo uma bagunça. Eu pretendia contar tudo a você, amor... Mas tudo aconteceu tão rápido e eu mal estou tendo tempo para mim mesma! — Bryant olhou no fundo dos meus olhos sem entender.
Mas quando foi dizer alguma coisa, eu uni mais uma vez os nossos lábios. Ele desistiu de falar qualquer coisa e só me agarrou mais, suas mãos exploravam o meu corpo sem qualquer pudor, ali na frente de todos mesmos. — Eu posso te ajudar, Nyanni. Me fala o que está acontecendo.
Pensei um pouco. Ainda estava meio temerosa, mas achei que seria de bom tom contar-lhe tudo. Saímos da frente da universidade e fomos para uma praça que ficava ali em frente e então começamos a conversar. Eu abri o meu coração pata o meu namorado e ele foi compreensivo. Extremamente compreensivo, bem ao contrário do que eu imaginava.
— Você tinha que ter conversado comigo sobre isso! Sabe que eu posso te ajudar, eu poderia fazer isso, Nyanni! Você não pode esconder algo tão sério assim de mim, eu sou teu namorado! — me repreendeu sério e eu suspirei.
— Eu só estava com medo, Bryant. Não é tão fácil como parece, você devia procurar me entender.
Mesmo que eu tentasse me defender, ainda não adiantaria. Meu namorado foi me acusando tanto que eu me sentia ainda mais culpada por ter ocultado dele a merda que a minha vida tem estado.
Talvez ele não me entenda tanto assim.
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Silvanetemelo5 Melo
não sei porque esconder do namorado sua realidade se ele gosta de vc ele vai entender e te apoiar não te largar
2025-01-13
0
Carmem Damásio
mais mais mais
2024-04-25
4