Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro. Teu olhar não me diz exato quem tu és, mesmo assim eu te devoro... | Eu Te Devoro - Djavan
Os dias vão se passando e eu continuo a notar que, de fato, talvez a minha sobrinha tivesse razão. A sua amiga é uma boa funcionária, pelo menos ao que me aparenta, a primeira impressão. Já fazem duas semanas que estou trabalhando com a mesma ao meu lado e já consigo me sentir bem mais confortável, não me preocupo com a situação de minha agenda, ou até mesmo com os emails que recebo que há muito não recebiam resposta e/ou só recebiam alguma depois de alguns [ou muitos] dias.
Sandra tem dado algumas indiretas sobre Nyanni e o seu trabalho. Faz dois dias que ela reclamou, garantindo que a garota lhe estava esnobando, dando algumas piadas e até a desafiando; também jurou que, enquanto uma das faxineiras limpavam o chão, Nyanni passou e sujou tudo — propositalmente.
Claro que aquilo não me estressou. Não esquentei a cabeça com isso, pois, pelo amor de Deus... Até mesmo um cego podia ver claramente que Nyanni era tímida, sabe muito bem como se comportar e jamais ficou, sem ao menos dar "bom dia" para os meus funcionários. Ela é uma moça muito educada, gentil, completamente o oposto de minha sobrinha, que consegue ser bem petulante quando quer.
Confesso que não a suporto em alguns momentos. Mas noutros, ela é uma boa pessoa.
Nyanni me lembra muito a minha ex-esposa. De verdade. E eu notei isso na primeira vez que a vi, mas tentei ignorar tudo pois achava ser algo que eu criei na minha cabeça, ou até mesmo os meus sentimentos tentando me enganar. Sully também era um doce de mulher, assim como Nyanni; quando nos conhecemos, ela se mostrou ser uma ótima e gentil pessoa. Mas a diferença é que eu a conheci quando não tinha absolutamente nada do que tenho hoje.
Sendo bem sincero, está aí uma das razões pelas quais eu não me sinto confortável em começar um novo relacionamento. Porque eu sei muito bem que existem diversas oportunistas por aí, e, inclusive, bem perto de mim. Sandra, por exemplo... Me mantenho com ela somente pelo sexo, pois para a minha pessoa é bem confortável, já que eu a conheço há uns anos e além disso, ela também transa muito bem e sabe fazer coisas que muito me agradam.
Somente por isso. Porém, eu entendo que não posso confiar nela.
— Sr Hoffmann? — a voz de Nyanni me despertou do transe em que me encontrava. A olhei e notei como suas bochechas ficaram vermelhas, mas não dei atenção aquilo para não a constranger ainda mais.
— Sim?
— O senhor recebeu um convite. — informou e eu ergui uma sobrancelha. Acenei, como se pedisse para que ela continuasse a falar. — É o aniversário da Marianne.
Revirei os olhos.
Deveria imaginar. Meu irmão comentou comigo sobre essa droga de festa que estavam planejando. Ele me informou com bastante antecedência, justamente para eu não dar alguma desculpa esfarrapada, como todo ano acontece. As desculpas variam muito, mas dessa vez eu não pude ao menos ter tempo de pensar em algo convincente o suficiente.
A desculpa do ano passado foi de que "fui informado muito em cima da hora", por isso, este ano, o meu irmão fez questão de que eu ficasse sabendo antes mesmo da minha própria sobrinha. Ou seja, dessa vez eu serei obrigado a comparecer. — Certo, me diga a data e o local, por favor. — pedi e Nyanni passou os olhos pela tela do notebook em sua frente.
— Será em duas semanas, senhor. — respondeu, rápido. — E será na casa da família dela, na praia Pfeiffer.
Pelos céus. Com certeza será extremamente entediante participar dessa droga, uma vez que em festas que a minha sobrinha dá, geralmente, existem muitos "jovens" com os hormônios estourando. Uma catástrofe total e tudo fica ainda pior quando passam das 00h, porque aí o sexo desordenado começa a acontecer em qualquer lugar e isso é simplesmente nojento e ridículo.
Marianne ao menos parece ser a minha sobrinha. E o pior de tudo é que o meu irmão acata esse comportamento sórdido da própria filha, com a justificativa de que ela "é jovem e só está aproveitando a sua vida".
— Veio mais algum recado no email? — indaguei contragosto. Não é que eu queira participar, mas me vejo na obrigação de fazê-lo, já que é importante para Marianne e para o meu irmão também.
— Sim, ela pediu para que o senhor confirmasse a sua presença.
— Pode reencaminhar a mensagem e avisar que estarei lá. Por favor. — assim que disse isso, notei que ela ficou surpresa. Seus olhos claros se arregalaram minimamente e eu não pude deixar de notar também, como seus longos e lisos cabelos deslizaram por seus ombros quando ela meneou a cabeça para encarar o notebook e começar a digitar, possivelmente, a resposta que eu lhe passei.
Quando notei que já estava a observando há muito tempo, balancei a cabeça e passei as mãos pelo rosto e cabelos, buscando me concentrar. Mas o que droga eu estou fazendo? É só uma menina. Eu tenho um pouco mais que o dobro da idade dela.
Busquei me controlar e tentar espantar da minha cabeça os pensamentos que já começaram a pairar sobre ela. Não poderia me permitir analisar dessa maneira Nyanni, até porque ela é só a minha funcionária. De problemas, já estou repleto.
• • •
— Sr Hoffmann, em duas horas o senhor tem aquela reunião que comentei há uns dias. Com os seus advogados. — Nyanni me informou.
— Me mande o endereço por mensagem, por favor. — pedi e já peguei o telefone para checar se havia recebido alguma mensagem suficientemente relevante.
Notei que haviam algumas de Sandra. Por sinal, ela tem me enviado muitas mensagens de texto há uns dias e elas já começaram a se acumular na minha caixa de entrada, pois não as respondo.
> "Eu estou com saudades, chefinho..."
Eu só abri esta. E além desses dizeres ousados (o que não é tão estranho, visto que é da Sandra que estamos falando), também havia uma foto. Ela me mandou uma selfie, onde seus peitos estavam bem em evidência; estava vestida, mas queria que eu pensasse que não.
Haviam outras fotos também. E por mera curiosidade, eu as abri. Todas em que ela estava desprovida de roupas, em posições que até me deixaram confuso, me fazendo refletir por um único segundo na forma como ela tirou aquelas fotos. Me pergunto se ela já não está em avançada idade para tamanhas artimanhas, pois eu, particularmente falando, já não me sinto mais confortável fazendo algumas coisas e até me colocando em certas posições.
Bufei. Em audível som, o que fez Nyanni me encarar rapidamente e no momento em que nossos olhos se encontraram, ela desviou depressa.
Digitei uma mensagem de volta para Sandra:
^^^>> "Se preserve, Sandra. Eu já não tenho mais idade para receber fotos e mensagens assim; tampouco você. Já alcançamos a meia-idade, pelo amor de Deus"^^^
Dito isso, esqueci completamente. — Se arrume, Nyanni. Você vem comigo para a reunião que terei em alguns minutos. — simplesmente avisei, não lhe dando outra opção a não ser me obedecer.
• • •
Meu horário de almoço, Marianne já me lotava a caixa de entrada com muitas mensagens.
> Amiga, pelo amor! Você precisa estar nessa festa, vai ser tão legal"
> "E você sabe... Só vai ter graça se você vier. Você é a minha melhor amiga, Nyanni! Precisa estar do meu lado num momento como esse, é o meu aniversário de 23 anos!"
> "Já convidei Bryant, não existem razões para você recusar. Vai ser incrível! E principalmente porque você estará lá :))"
Suspirei. Não gosto muito de festas, e Marianne as adora. Eu não queria ir, não me sinto confortável, mas vejo que devo. Afinal de contas, é a minha melhor amiga e eu não gostaria de desapontá-la. Logo agora que ela me arranjou um emprego tão bom.
^^^^^^>> "Tudo bem, Mari. Estarei lá... O que eu não faço por você?"^^^^^^
A sua resposta veio imediatamente. Depois de receber os inúmeros emojis de comemoração, notei uma movimentação estranha na minha frente. — Posso me sentar com você? — questionou a voz e eu ergui o olhar para ver de quem se trata.
É Yuri. O estagiário que eu pude conhecer quando pisei no local de trabalho do meu patrão pela primeira vez. Ele estava sorrindo, mas parecia envergonhado também.
— Claro. Fique à vontade!
Quando respondi, ele arregalou os olhos e soltou uma lufada de ar. — Aí, meu Deus. Achei que você iria recusar, isso sim. — disse e já se sentou em minha frente Desliguei o celular e decidi ignorar o surto da minha amiga por um momento. Porém, antes de afastar de mim o telefone, percebi que ela já me garantiu que me emprestaria um belo vestido para que eu usasse nesse "grande dia".
— Por que eu não aceitaria? — perguntei sem entender, mas também estava curiosa.
— Não sei, você me parece tão inalcançável. E é sempre muito séria, sempre tentei buscar uma brecha para esse pedido, mas nunca tive coragem.
Me surpreendi com as palavras dele. Mas fiquei bem feliz em ter chamado pelo menos a atenção de alguém - de uma maneira boa. E surpresa duplamente, porque estive sendo observada discretamente.
Isso é um bom sinal... Pelo menos eu acho.
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Mirian Silva
eu Tam bem não gosto deles anúncio e muito chatos amo ler mais ficou com raiva dos a nucios sem paciência e acabo parando de ler
2024-12-18
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isabel do monte
😍Amo ler ao som🎵de uma boa música🎶por outro lado me irrita fácil são esses anúncios insuportáveis q colocam na plataforma.👾😠
2024-05-17
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