Capítulo 6

— Nyanni Olliver. Este é o meu nome. — respondi, tentando ao máximo parecer confiante. Até mesmo organizei a minha postura.

— Certo. Qual a sua idade, Nyanni? Percebo que é bem nova.

— Tenho 21 anos. — novamente o respondi, e ele balançou a cabeça em concordância. Também pude notar que ele ergueu um pouco a sua sobrancelha.

— Ok. Bom, creio que a minha sobrinha deva ter lhe falado, mas... Eu estou em busca de uma assistente. Alguém que possa fazer por mim aquilo que eu não tenho tempo para fazer. Sou um homem muito ocupado e não consigo conciliar muitas das minhas atividades, não consigo fazer tudo sozinho, por isso preciso de ajuda. Uma ajuda competente o suficiente para isso... Algumas das suas atribuições seria, especificamente, atuar junto a mim no meu trabalho. Mais como uma secretária mesmo, organizando a minha agenda semanal, recebendo ligações e anotando recados. Coisas parecidas, deu pra me entender?

— Sim, Sr. Hoffmann. Consigo lhe entender perfeitamente. — afirmei, falando a verdade até.

— Então, você acha mesmo que poderia dar conta disso tudo? Tem a certeza de que esse emprego é o que você espera e quer? — indagou-me num certo tom de mistério e uma pitada de ameaça. Acho que ele pensa que posso sair correndo por medo.

Se ele soubesse como preciso desse trabalho!

— Senhor, eu sei da minha competência. E não é como se eu tivesse alguma escolha, porque eu realmente preciso desse trabalho. Não posso me dar ao luxo de sair escolhendo aonde eu quero trabalhar. Se o senhor ao menos tivesse uma noção de onde eu trabalho hoje... — deixei no ar e ele semicerrou os olhos.

— Você tem alguma experiência com informática? Não precisa nem ser experiência, mas algum curso? Algo do tipo. Você vai precisar trabalhar no notebook quase que o dia inteiro quando não precisar sair comigo para alguma reunião ou coisa relacionada.

— Eu trabalhei por alguns meses como operadora de telemarketing. Então sim, eu tenho uma experiência com informática, quanto a isso o senhor não precisa se preocupar. — falei o olhando no fundo dos olhos.

— Você tem como me provar isso? Trouxe consigo o seu currículo? — rebateu.

— Sim, eu trouxe sim. — dito isso, abri a minha bolsa e tirei de dentro uma pasta, que era onde estava a cópia do meu currículo. Este que eu fiz questão de refazer inteiro, deixar um pouco mais "agradável" aos olhos. Sabia que ele me pediria.

O Sr. Hoffmann pegou-o de minhas mãos e já começou a lê-lo. Atentamente. — Eu poderia ligar para cada uma dessas empresas e perguntar sobre a senhorita? Você tem certeza que eles teriam algo bom para falar sobre a sua pessoa? Tanto profissional como pessoal?

— Claro que sim. Sempre dei o meu máximo em todos os empregos que passei. Não tive regalias em minha vida, Sr. Hoffmann. Sempre precisei lutar para obter o que eu queria, e não podia vacilar ou ter uma conduta ruim mediante as oportunidades que me foram ofertadas. — garanti — Caso seja do seu interesse, pode ligar para cada um dos meus antigos chefes e eles te dirão o que precisa saber. Agora mesmo, diante dos meus olhos. Eu sei muito bem da minha índole e do meu caráter.

Ele ficou em silêncio me encarando por alguns segundos. Sem desviar os seus olhos nem por um momento. Então, é fato que eu ficaria nervosa e com medo do que ele possa estar pensando. Fiquei até temerosa... Será que falei demais? Será que falei o que não devia?

Abriu a boca uma, duas vezes. Como se quisesse me questionar acerca de algo, mas desistia no meio do processo. — Eu acho que é só isso, Srta. Olliver. Muito obrigado por ter vindo e pela sua disponibilidade para trabalhar comigo. Mas preciso de um tempo para pensar em tudo e analisar melhor o seu currículo. — explicou e eu me levantei, ele fez a mesma coisa. — Me dê duas semanas. Entrarei em contato se assim me parecer correto.

Ele estendeu a mão em minha direção e eu a peguei, sem pensar e nem demorar muito. — Sou eu quem lhe agradeço pela oportunidade, Sr. Hoffmann. Ficarei extremamente agradecida pela oportunidade e aguardarei ansiosa pelo seu retorno. — fui educada em minhas palavras e ele acenou com a cabeça. Após nos despedirmos devida e formalmente, eu virei as minhas costas e comecei a caminhar na direção da porta. Toquei a maçaneta e quando a tentei puxar, não consegui.

Era como se estivesse emperrada.

— Jesus. — resmunguei comigo mesma, enquanto lutava contra aquela maldita porta para que abrisse. Eu a empurrava para o lado contrário, e outras vezes puxava para o meu lado, mas não conseguia abrí-la de nenhuma forma.

Fui surpreendida pela presença do tio da minha amiga bem atrás de mim. Ele colocou a sua mão por cima da minha mesmo e disse, baixo, eu o sentia próxima do meu ouvido: — É um pouco pesada. Precisa de um pouco mais de esforço e costume para abrir. — ao dizer assim, ele a puxou com muita facilidade e finalmente já estava aberta.

O perfume dele entrou no meu sistema de maneira que me deixou até tonta. A roupa dele também cheirava muito bem e, senhor... Que homem é este? Como pode ser tão elegante assim? Nunca imaginei que veria alguém como ele na minha frente. Nunca mesmo.

— Oh, sim. Muito obrigada, senhor. — agradeci, morta de vergonha. Cheia de vontade de me enfiar dentro de um buraco qualquer e só sair de lá daqui uns meses.

Do lado de fora, Marianne me aguardava impaciente. O tio dela saiu do seu escritório comigo e a viu ali fora, mas os dois não se falaram verbalmente, somente se cumprimentaram com acenos de cabeça. Mas a minha amiga olhava para ele de maneira convencida, como se tivesse lhe provado alguma coisa.

Algo que eu não entendi muito bem, mas sabia que ia comentar com ela sobre isso mais tarde.

Caminhamos juntas até o lado de fora da mansão estupenda do Sr. Hoffmann. Diferente de quando cheguei, eu já não estava tão confiante... Sabia que ele não me contrataria. O jeito que aquele homem me olhava, como fez tão poucas perguntas... Era como se ele tivesse me analisado sem precisar falar muito.

Eu sei que já estou descartada. Ele não vai me ligar em duas semanas.

— E então, Ny? Como foi lá? — perguntou Mari, sem se aguentar de tanta curiosidade. Seu motorista estava nos aguardando ali fora e abriu a porta do veículo para nós duas.

— Não sei, amiga. Acho que eu não vou conseguir essa vaga, não. — respondi, desesperançosa.

— Por que? Você é maravilhosa, mulher.

— Isso não me torna suficientemente competente para conseguir um emprego que paga tão bem assim, Marianne. — retruquei, muito triste para falar a verdade. Estou me sentindo completamente estúpida por ter aceitado vir, era óbvio que eu não seria contratada, até porque esse ambiente, essas pessoas são muito diferentes de mim.

— Não fala isso, Nyanni. Meu tio vai te contratar, você é a assistente que ele está procurando.

Olhei para a minha amiga e notei que ela estava falando muito sério ao me dizer aquelas palavras. Eu não atrevi a falar mais nada, até porque eu já tenho a minha certeza.

Para ela é muito fácil falar assim... Droga.

Vou precisar ser humilhada no meu emprego atual por mais um tempo. Pelo menos até me formar.

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