Ficamos a tarde toda treinando tiro com diferentes armamentos, e confesso que estou impressionado com as habilidades que Bella tem na mira. Talvez um pouco receoso, mas eu realmente não sabia do gosto dela por armas e tiro. Deixo-a em uma sala na extremidade direita do local e sigo meu assistente até o lado de fora, encostando a porta.
— Que porra foi aquela mais cedo, Henry? Quem aquela mulher achou que era para apontar a arma para Bella?
— Ela ainda está em treinamento, senhor, mas isso não se repetirá.
— E como você pode me garantir isso?
As suas sobrancelhas se juntaram em um linha reta perfeita, com seus pensamentos podendo ser lidos pelo seus olhos. Consigo ler o que ele está pensando, mas jamais consegui o reconhecer sem ser pela forma como anda e se porta e sua voz.
— Ela está sendo treinada pela sua equipe nesse momento, senhor, então não voltará a incomodar o senhor nem a senhorita Armani.
— Assim espero. E sobre a missão que adiei, marque-a para daqui a duas semanas. Analisei o comportamento da família Mills durante esses dias e está um pouco estranho e diferente do comum. Suspeito que a máfia espanhola esteja tentando alguma coisa no nosso território.
— Como assim, senhor? Por que Juan agiria contra o senhor? Vocês são amigos desde a adolescência, e temos uma aliança de séculos.
— Não é o Juan. É Sebastian.
Sua expressão foi totalmente mudada, com um ar de apreensão, afinal, uma pessoa que não tem nada para perder é a mais perigosa. E Sebastian é essa pessoa. Isso me intriga. Não tenho medo e muito menos receio, porém, agora tenho pessoas para proteger além de Crystal, e tanto ela quanto Bella são alvos fáceis. Muito fáceis.
— Aumentarei a segurança na sua casa, senhor.
— E coloque seguranças disfarçados ao redor de Bella.
— Os senhores estão juntos?
— Ela é a futura dama da máfia, Henry, cuide dela com primazia. Não irei ter misericórdia se algo acontecer com ela, entendeu?
Ele assentiu, e então volto para dentro da sala, enquanto Henry foi providenciar todas as mudanças que mandei. Bella está sentada na cadeira, olhando para todas as pessoas com certa curiosidade, como se estivesse esperando alguma resposta deles. Me aproximo com cautela, analisando sua mudança de reações ao notar minha presença.
— O que você estava fazendo, Diavoletta?
— Algumas perguntas. Ah, treine os seus funcionários para responder as minhas perguntas, é chato eles ficarem somente me olhando como se pudessem me ler com facilidade.
— Amore mio...— Me abaixo e seguro o seu rosto, beijando o seu pescoço. Noto que os funcionários desviam o olhar, de acordo com a conduta necessária. São bem treinados, então posso confiar em uma conversa segura com Bella.— Pergunte para mim o que você quer saber.
— Você vai ser sincero?
— Claro.
— Eu perguntei a eles se você tem alguma coisa com esse seu assistente, afinal, estão sempre juntos; e quem é Crystal, pois houvi você falando com um funcionário sobre ela mais cedo. Mas eles não quiseram me responder nenhuma das duas perguntas.
— É isso que você quer saber?— Ela assente. Seguro a sua mão, fazendo-a se levantar da cadeira.— Amore, eu não tenho nada com o meu assistente.
— Então por que vivem juntos? Ele fica contigo desde a adolescência, pelo que eu me lembro.
Eu sabia que esse momento iria chegar, só não imaginei que teria que falar sobre a minha fragilidade agora. Olho para os funcionários, mandando-os saírem daqui, e então encaro Bella quando ficamos sozinhos.
— Diavoletta, eu escondi isso de você por muito tempo, mas acho que chegou o momento que eu tenho que falar.
— O quê? É sério?
— Um pouco. Você sabe o que é prosopagnosia?
— Não, nunca houvi falar. O que é?
— É uma doença em que o portador dela não consegue identificar rostos, nem mesmo das pessoas mais próximas.
— Nossa, que ruim. E o que isso tem a ver com você?
Desvio o olhar do dela por alguns instantes, criando coragem para falar do meu ponto fraco mais fácil de ser usado contra mim. Sinto as minhas mão suarem e os meus pensamentos se embolam na minha mente, causando uma pequena ansiedade, mas me esforço para me controlar.
— Eu tenho essa doença, Diavoletta. E é congênita.
Sua expressão de espanto foi muito evidente. Sua boca abriu, suas sobrancelhas se tornaram uma linha rígida, assim como os seus olhos, que se estreitaram. É evidente a multidão de perguntas que estão passando diante dos seus olhos nesse momento, e estou com medo. Com medo que ela exponha o meu ponto fraco; com medo que ela peça para ir embora e nunca mais me ver, por mais que eu saiba que Bella não faria uma coisa dessas, porém, o medo de perder a única pessoa que eu identico o rosto é exorbitantemente amedrontador.
— Você não enxerga ninguém desde pequeno?— Assinto.— Você me identifica?
— Diavoletta, você é a única pessoa que eu consigo identificar, além de mim.
— É sério?— Seus olhos se arregalaram em ansiedade e surpresa, juntamente com as suas mãos me segurando com mais força.
— Sim.
Ela me abraça. Seu movimento foi tão rápido e repentino que eu nem consegui prever, mas retribuí, deixando todas as minhas angústias irem embora mais rápido do que vieram.
— Como você identifica as pessoas?
— Movimentos, voz, modo de se portar, penteados e roupas. É por isso que fico perto do meu assistente o tempo todo, pois ele me ajuda a identificar as pessoas, pois somente meus pais, ele, seus pais e você sabem disso.
Bella quebra o abraço, levantando a cabeça para poder olhar nos meus olhos.
— Obrigada por confiar em mim para compartilhar sobre a sua fragilidade, mas eu estou preocupada sobre a outra pergunta. Quem é Crystal?
— Venha, vou te mostrar.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Simone Silva
parabéns autora pelo seu livro por favor colocar mais capítulos quando você puder
2024-06-28
2
amalia de oliveira muniz
vic volta aqui.... tbm estou curiosa. parabéns e sucesso
2024-06-28
1