CAPÍTULO 10

Avistei Bella sentada em frente ao balcão, com alguns homens ao seu lado. Todos esses problemas devem tê-la abalado demais, pois ela não é de ficar bebendo, muito menos sozinha. Para a Sophy não estar aqui, acho que a Bel está chateada com ela também.

Me aproximo dela, segurando seus ombros e fazendo os homens se afastarem.

— Chega de beber, amore mio — falo, tirando o copo de bebida, já vazio, da sua mão.

— Não... Eu quero beber mais. Tenho que beber mais!— refutou, com a voz toda embolada. Sento ao seu lado e a olho nos olhos, percebendo que ela está triste, muito triste, então vou deixar que beba.

— Tá. Mais um deste, por favor — pedi para o barman, no entanto, assim que Bella desviou a atenção para a pista de dança, continuo a minha fala — Sem álcool.

Ele concordou, e então seguro os ombros da pequena mulher, fazendo-a voltar a olhar para mim.

— O que aconteceu? Quem te deixou triste?— questionei.

— Todo mundo esconde coisas de mim...— respondeu de imediato, deitando a cabeça no balcão.— E eu sou muito trouxa de nunca ter notado.

— O que esconderam de você?

O garçom coloca o copo com a bebida ao lado de Bella, que sorri e pega com as duas mãos, tomando um gole.

— Tá estranha a bebida.

— Está? Deixe-me provar.

Pego da sua mão e tomo um pouco, fingindo que a bebida estava forte e então devolvo para ela.

— Está muito forte. Você vai aguentar beber?

— Vou! Eu consigo.

Ela volta a sorrir ao tomar o restante do que tinha no copo, e então olha para mim com a expressão séria, como se estivesse me analisando. O que esconderam dela? E por que ela está tão chateada com isso?

— Vem aqui — ordenou, e logo me aproximo, fazendo-a cochichar no meu ouvido.— Sophy é advogada da sua máfia; meus pais são sócios da sua máfia; e você é líder da sua máfia. Eu fui enganada por todos vocês.

Então era isso... A gente sabia que não deveríamos ter escondido dela, mas Bella sempre é franca com as pessoas que ama, e se ela falasse algo para o Rafael, nós estaríamos perdidos, por isso guardamos o segredo por tanto tempo. No entanto, não posso falar isso para ela agora, não com ela nessa situação.

— Você está chateada que a gente tenha escondido ou que você não tenha descoberto?— Voltei a perguntar, fazendo com que ela se afastasse para pensar um pouco. Apoio um dos meus cotovelos no balcão, encarando a linda mulher, que está com as sobrancelhas franzidas tentando saber o que responder.

— Os dois, mas como eu não notei? Estava... óbvio, não é?

— Não. Nós soubemos esconder isso muito bem, Diavoletta. A culpa não é sua, e nunca será. Culpe a mim, fui eu quem ordenou que todos não te contassem sobre isso.

— O quê? Por quê? Você não confia em mim?— Ela se levantou do banco, segurando um dos meus braços com força.— Sou eu, a Bella, a mulher que você sempre amou, por que você não confia em mim?

Cubro a minha boca com a mão que está apoiada no balcão, evitando que ela veja que estou segurando uma risada, pois a forma como Bella está agindo está engraçada.

— Ei, Alex, você tá vendo que sou eu? É eu. Tá me vendo?

— Sim, Diavoletta, eu estou vendo.

— Então por que não confiou em mim?

— Eu confiei. Mas isso é assunto para quando você estiver sóbria. Vamos embora.

Chamo o barman e pago, segurando os ombros de Bella e a guiando para fora do bar, até o meu carro, onde a coloco no banco do passageiro, com o cinto de segurança. Logo, vou para o lado do motorista.

— Alex, você é muito bonito, sabia?

— Eu sei.

— Então... O que acha de...— Ela não terminou de falar, e na mesma rapidez que bebeu aquele último copo no bar, soltou o cinto e sentou no meu colo, virada para mim. Meu coração disparou, meu corpo paralisou. Tenho que me segurar, tenho que lutar contra todos os meus instintos, pois ela está bêbada, e não posso me aproveitar disso.

Sem que eu pudesse reagir, Bella colou a sua boca na minha, segurando o meu rosto e tomando o controle do beijo. Sua língua invadiu a minha boca, e encontrou a minha, entrando em completa sintonia. Tomo o controle do meu corpo, movendo uma mão para a cintura dela, trazendo-a para mais perto, enquanto a outra agarra a sua nuca.

O beijo se torna cada vez mais necessitado e desesperado, como se fosse o último ou até mesmo como se fosse o nosso único refúgio, eu estou me sentindo como o refúgio de Bella, e queria ser. Com esse pensamento, retomo a consciência, segurando o seu corpo e a colocando de volta no banco do passageiro, afivelando o cinto.

— Por que parou?

— Eu não posso me aproveitar de você, Diavoletta. Se o beijo continuasse por mais um segundo eu não responderia por mim, e isso poderia estragar tudo. Você pediu um mês, e tenho que obedecer a isso — suspiro, ligando o carro e começando a dirigir para o condomínio onde ela mora.— Eu tenho que pensar no futuro, pois você é o meu maior investimento. Não posso jogar isso fora.

Assim que paro em um semáforo vermelho, olho para o lado, vendo que Bella está dormindo. Deve ter apagado após toda a bebida. Quando entro no seu apartamento com ela em meus braços, tiro as suas roupas e coloco um pijama leve no seu corpo, deixando-o deitada na cama.

— Desculpa por ter te causado tantos problemas. Vou resolver isso tudo em breve, e então poderei te dar tudo o que quiser. Te prometo, amore mio — sussurrei.

Beijo a sua testa e a cubro com o cobertor, e então coloco o seu celular para carregar e apago as luzes, deixando somente a led azul ligada, pois ela nunca gostou do escuro. E então fecho a porta do quarto.

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Comments

Francisca Deusinha Costa Ramos

Francisca Deusinha Costa Ramos

Adoro a forma como ele cuida dela

2024-05-13

4

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