CAPÍTULO 5

O som estridente da campainha ecoou pelo meu apartamento, arrancando-me de um sono leve. Os tênues raios de sol que se infiltram através das cortinas lutavam contra a penumbra do quarto, forçando-me a piscar várias vezes enquanto me acostumava à luminosidade. Voltei-me para o relógio digital na mesa de cabeceira, que marcava quase nove da manhã. Apanhei meu celular, ainda com os olhos semicerrados, e acessei o aplicativo de automação residencial para descobrir quem ousava perturbar meu repouso matinal.

A imagem da câmera de segurança mostrava uma figura alta, com cabelos loiros pelos ombros e olhos castanhos inconfundíveis: Sophy, minha melhor amiga. Ignorando a enxurrada de mensagens e chamadas perdidas que ela havia enviado, respondi que já estava a caminho.

Ao me levantar, notei um bilhete no pequeno caderno sobre minha mesa de cabeceira. A caligrafia impecável e elegante não deixava dúvidas de que era de Alexsandro.

"Diavoletta,

Tive que ir embora cedo por conta de uma reunião e não quis te acordar. Espero que tome sua decisão em breve. Estarei esperando.

^^^Com carinho,^^^

^^^Alex."^^^

Fechei o caderno e o guardei na gaveta, tentando esquecer os eventos da noite anterior e não pensar muito sobre as revelações de ontem. Caminhei até o hall de entrada e abri a porta, sendo imediatamente envolvida num abraço apertado de Sophy.

— Você está bem? Eu vi o noticiário...

— Mais ou menos. Mas não precisa me apertar tanto assim, Soph, eu não vou morrer.

Ela relaxou o abraço gradualmente, me examinando com um olhar tão penetrante que parecia vasculhar cada canto da minha mente. Aproveitei para fechar a porta e seguimos para a sala de estar, onde um aroma inesperado de comida me surpreendeu.

— Você estava cozinhando?

— Não.

Olhei para o balcão da cozinha e vi um prato com torradas, ovos mexidos e algumas frutas. Alex devia ter preparado tudo, pois conhecia bem meu café da manhã favorito desde a adolescência, sempre que eu estava abatida.

— Hmmm... Parece que alguém passou por aqui — comentou Sophy, já deduzindo que fora Alexsandro. — Ele não perdeu tempo.

— Como assim? — perguntei, virando-me para ela enquanto pegava um morango.

— Você acha que eu não sei que a morte de Rafael é coisa do Alexsandro?

Tentei manter minha expressão neutra, disfarçando o espanto que suas palavras me causaram.

— Como assim, Sophy?

— Ele é louco por você. Só tem olhos para você no mundo todo. E você acha que a gente não sabe que seu pai está envolvido com a máfia e que o Alex é o atual Capo de tutti cappi, assumindo a posição de seu pai?

Engasguei com o morango que estava comendo, necessitando de um gole d'água para me recompor.

— C-como você sabe?

— Eu sou a advogada da máfia italiana, Bella.

Essa resposta me pegou completamente desprevenida. Então, todos ao meu redor estavam envolvidos com a máfia italiana, e eu era a única que não sabia? Era possível que até Noah, meu primo de dezoito anos, estivesse a par de tudo e eu não.

— Vocês planejaram isso?

— Mais ou menos.

— Mais ou menos como? Explique melhor, Soph.

Ela revirou os olhos, jogando sua bolsa sobre a bancada e se acomodando em uma banqueta enquanto mordiscava uma torrada.

— Descobrimos as traições de Rafael quando ele sugeriu abrir o relacionamento. Foi então que Alex começou a se aproximar mais de você, para mostrar que era muito melhor que seu ex. Mas você voltou para ele, e Alex o ameaçou, fazendo com que Rafael parecesse fiel por um tempo... Até alguns meses atrás. Quando Alex descobriu, ele ficou furioso, mas montamos todo esse plano para não levantar suspeitas. Por isso a imprensa ainda falava que vocês eram namorados, pois se fossem ex, já haveria policiais à sua porta.

Apoiando-me na bancada, tentei absorver a frieza e o cálculo do plano que haviam arquitetado. E se eu ainda amasse Rafael? E se eu ficasse dividida como minha mãe ficou entre seu ex e meu pai? Muitos julgariam minha lealdade, assim como julgaram Rachel quando ela hesitou em voltar para Henrique.

— Vocês fizeram isso pensando no meu bem, eu sei. Mas não precisava ser tão extremo.

— Não mesmo. Mas foi uma promessa de Alexsandro, e ele sempre cumpre suas promessas. Custe o que custar — ela afirmou, segurando minha mão com um gesto de conforto. — Convenhamos, Bel, ele merecia. Ele tinha que pagar pelo que te fez sofrer. Espero que agora você faça a escolha certa. Só uma pessoa neste mundo é tão obcecada por você e te ama mais do que tudo.

Baixei a cabeça, sabendo já a resposta que todos esperavam.

— Eu não...

— Bel — interrompeu Sophy, seu olhar firme em mim. — Você sabe muito bem disso.

— Mas ele é um mafioso, Soph. E dos mais perigosos! — exclamei, encarando-a, buscando entender o que seus olhos tentavam me transmitir.

— Mas é o único que daria o mundo para te proteger. É o único que deixaria de ser o líder da máfia italiana para te ter. É o único que te esperou por mais de dez anos. E você sabe muito bem disso.

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Comments

Erika Paixão

Erika Paixão

mais capítulo por favor... volta logo autora...

2024-04-25

5

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