Passei a noite em claro. Não conseguia conter minha preocupação ao ver a Aurora deitada naquela cama de hospital, parecendo tão frágil e lutando contra a febre alta.
Eu já tinha mandado mensagem para o Diego e para a minha mãe explicando que a Aurora tinha passado mal e que estávamos no hospital.
Eles prontamente se ofereceram para vir, mas eu disse que o melhor seria eles não virem porque já estava tarde e eu ficaria como acompanhante. Eles entenderam, mas disseram que assim que amanhecesse eles viriam. Não pude discordar, até porque eles não me deram essa opção, apenas me informaram que viriam.
Toda a minha atenção estava na minha filha. Aurora parecia tão pequena e frágil deitada naquela cama de hospital, seu rostinho pálido e marcado pela febre alta. Seus olhos estavam pesados e sem brilho, e sua respiração parecia um pouco ofegante. Ela estava tão quieta, tão diferente da criança cheia de energia que eu estava acostumada a ver. Sua mãozinha segurava firme a minha, como se buscasse conforto naquela situação desconhecida. Apesar de todo o meu cansaço, eu não podia desviar o olhar dela nem por um segundo, minha preocupação só aumentava a cada minuto que passava. A sensação de impotência era avassaladora, mas eu sabia que precisava ser forte por ela.
Fui tirada de meus pensamentos quando o médico entrou no quarto.
— Bom dia. O doutor Rubens Torres disse, entrando no quarto. Ele estava trazendo consigo a sua inseparável prancheta.
Levantei os olhos, desviando momentaneamente a atenção de Aurora. — Bom dia, doutor Torres. Respondi com a voz cansada e acho que a minha voz deixou transparecer a minha preocupação.
— Tenho uma boa notícia. Estou aguardando a pediatra para finalizar a avaliação da Aurora e realizar os exames necessários. O médico disse se aproximando da cama.
Antes que pudesse responder, alguém bateu na porta e logo em seguida uma voz suave pediu licença para entrar. Estava de costas para a porta, mas reconheci a voz imediatamente, senti um arrepio percorrer o meu corpo, fechei os olhos e respirei fundo. Talvez fosse apenas a minha mente tentando me enganar, já faz tanto tempo que não a vejo, talvez seja alguém com a voz parecida, não pode ser ela.
— Que bom que você chegou rápido, doutora. Comentou o Dr. Torres.
—Deixe-me apresentá-la à senhora Ribas. Esta é a nossa pediatra Eva García. Decidi passar o caso da Aurora para ela.
Senti às minhas mãos começarem a tremer um pouco, senti um arrepio percorrer o meu corpo e senti às batidas do meu coração acelerar.
Não pode ser... Talvez eu tenha ouvido mal. Será possível?
Depois de tanto tempo, será que isso é uma ilusão?
Após tanto tempo, estava no mesmo ambiente que ela. Meu coração ainda batia descompassado. Será apenas uma coincidência? Pensei, tentando processar a situação.
— É claro que isso só irá acontecer se a senhora permitir e estiver de acordo. A Eva apressou-se em dizer, talvez percebendo a minha hesitação.
Ao me virar para cumprimentar Eva, encontrei seus olhos verdes, e notei que o reconhecimento passou pelo rosto dela. Também percebi que ela sentiu-se desconfortável? Talvez. Prefiro acreditar que talvez ela só esteja surpresa.
Será que Eva também estava sentindo o mesmo que eu?
— Não vou me opor. Respondi firme tentando disfarçar a minha agitação. — Se o doutor Torres disse que você é a melhor opção, então confio em sua eficiência.
Eva sorriu, um sorriso breve, mas o suficiente para fazer sentir o frio na barriga intensificarem e sentir as minhas bochechas corarem.
— Estou certa de que a Aurora estará em boas mãos com você, doutora García. Concluiu o doutor Torres.
E eu tentei recuperar a compostura.
O Dr. Torres, percebendo que sua presença não era mais necessária, despediu-se e saiu do quarto, deixando Eva e eu a sós. Nossos olhos se encontraram e, por um momento, fiquei sem saber o que dizer.
— Então... Ela começou, desviando o seu olhar do meu e se concentrando na prancheta em suas mãos.
— Não sabia que você tinha voltado ao país. Comentei tentando ao máximo esconder a surpresa que senti ao vê-la ali. Era estranho reencontrá-la dessa forma, especialmente em um momento tão difícil como esse.
Eva se aproximou da cama da Aurora e começou a examiná-la, mantendo-se profissional e concentrada. Em silêncio, eu observava cada movimento dela, lembrando de uma época que agora parece tão distante. Uma mistura de memórias felizes e questões não resolvidas preenchia minha mente.
Observo atentamente enquanto Eva examina Aurora, sentindo-me um pouco desconfortável com sua presença ali. Afinal, reviver o passado não estava nos meus planos, especialmente em uma situação tão delicada como essa. Mas, por mais estranho que seja, a saúde da minha filha é minha prioridade absoluta.
Eva terminou o exame físico e se voltou para mim, mantendo uma expressão neutra. —Veja bem, senhora de Lucca...
Ela começou, mas interrompi educadamente. —Pode me chamar apenas de Luiza—, sugeri, e Eva assentiu em concordância.
—Luiza, sua filha precisa passar por alguns exames adicionais para identificarmos o que está causando esses sintomas—, explicou Eva, com um tom calmo e profissional. Meu coração apertou com a ansiedade, mas confiei nela.
—Primeiro, preciso realizar um teste para avaliar a rigidez no pescoço da Aurora. Isso nos ajudará a determinar se há sinais de irritação das meninges, comum em casos de suspeita de meningite.
Assenti, preocupada, mas tentando manter a calma. —Entendo. E depois desse teste, quais serão os próximos passos?, perguntei, controlando a ansiedade em minha voz.
—E depois do teste de rigidez no pescoço, faremos uma punção lombar para coletar uma amostra do líquido cefalorraquidiano da coluna vertebral da Aurora—, explicou Eva, enquanto se preparava. Meu coração pareceu parar por um momento ao ouvir sobre o procedimento invasivo, mas sabia que era necessário para o bem da minha filha. —Essa amostra será enviada para análise laboratorial, onde poderemos detectar a presença de agentes infecciosos, como bactérias ou vírus, que podem estar causando os sintomas dela.
Senti um nó na garganta ao imaginar Aurora passando por tudo isso, mas mantive a compostura. —Isso parece assustador, mas entendo que seja necessário—, murmurei, segurando firme a mão da minha filha.
Eva colocou uma mão reconfortante no meu ombro. —Compreendo sua preocupação, Luiza. Estarei ao lado da Aurora durante todo o procedimento e farei o meu melhor para garantir seu conforto e segurança—, ela assegurou, transmitindo confiança.
Respirei fundo, sentindo um pouco de alívio com suas palavras reconfortantes. Sabia que a minha filha estava em excelentes mãos.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Joy
A história está ótima, mas confesso que não gosto de ver crianças sofrendo, tenho um filho, e só de imaginar quantas vezes tive que ir ao médico com ele, dói meus coração ❤️🥺🥺🥺
2024-04-26
2
Flor
Acho que esse problema de saúde da Aurora vai acabar fazendo com que a Eva e a Luiza se reaproximem. Espero que a Eva não esteja namorando e que elas possam conversar e esclarecer tudo. Mais mais autora, seria pedir muito uns dois cap por dia? 🙃
2024-04-25
1
Thais Coutinho
Mdsss eu tô surtando!
2024-04-25
1