Não sei exatamente o que significava aquele olhar que estava sendo direcionado a mim. Não entendi como ela tinha certeza de que poderia decifrar até a minha alma daquele jeito que estava me olhando.
O que eu deveria fazer?
Pedir desculpas e sair correndo de lá. O meu cérebro enviava essa ordem que ficava brilhando em minha mente como se fosse luz neon.
Mesmo assim, as minhas pernas não atendiam os comandos que eram enviados.
Meu coração parecia ter parado por um momento. O olhar penetrante dela me deixava sem reação, como se pudesse ver todas as minhas fraquezas e medos apenas com um olhar. Mal conseguia formular uma frase coerente, mas tentei manter a compostura.
— Não sabia que você estava de volta ao país. Ela comentou em um tom educado, porém ainda parecendo surpresa com a minha presença, e havia um brilho de curiosidade em seu olhar direcionado a Aurora.
A voz dela era suave, mas carregava uma quantidade imensurável de significados ocultos. Consegui apenas concordar, sem saber o que mais dizer. O constrangimento entre nós era palpável, e eu me sentia como se estivesse em um filme surreal, sem saber qual seria o próximo passo.
Aquela situação estava tão constrangedora quanto a primeira vez que nos conhecemos, a diferença é que naquela época eu não sabia quem ela era.
— Já faz um tempo desde a última vez em que nos vimos. Ela comentou e eu assenti em concordância.
— Sim, realmente faz muito tempo, desde então muitas coisas mudaram. Eu murmurei em resposta.
Seus olhos se fixaram na aliança em meu dedo, e eu senti um arrepio percorrer minha espinha. Ela parecia avaliar cada detalhe em mim, e seus olhos voltaram para Aurora.
— Ela se parece muito com você. Ela falou com um pequeno sorriso e eu retribuí um pouco sem jeito.
— Tenho escutado muito isso ultimamente. Falei um pouco sem graça e tentei mudar de assunto. — Gostei das mudanças que foram feitas no restaurante. Eu falei tentando tirar o foco de mim.
— Foi ideia da Eva, eu estava juntando as minhas economias para investir nos estudos dela, mas como ela conseguiu uma bolsa universitária, ela insistiu para que eu investisse as nossas economias em melhorias no restaurante. A dona Elena falou de forma orgulhosa e eu apenas assenti, sabia o quanto a Eva se preocupava com as notas e com os estudos, ela sempre se esforçava e tentava não trazer preocupação e nem gastos extras para mãe.
— E como a Eva está? . Eu perguntei realmente interessada.
— Ela está fazendo um intercâmbio no Canadá e está muito entusiasmada com a cultura, com a universidade. Ela está aproveitando ao máximo às oportunidades, tenho até medo de que ela decida ficar para terminar os estudos lá. A dona Elena falou e isso me pegou totalmente de surpresa. Uma coisa era um intercâmbio em outro país e outra muito diferente era se estabelecer lá.
— Ela deve estar muito feliz e imagino que a senhora esteja muito orgulhosa dela. Eu comentei e a mulher me encarou de forma séria.
— Estou muito orgulhosa da minha filha, ela está muito contente com as escolhas dela, ela sempre soube lutar muito, mas ela entende quando uma guerra está perdida, e ela foi madura o suficiente para focar em outros objetivos, ela decidiu parar de lutar por alguém e passou a lutar por algo. Ela decidiu que era o momento de fazer novas escolhas e decidiu arriscar. A Eva está satisfeita com às escolhas que ela fez, espero que você também esteja satisfeita, Luiza. Seria muito triste você se dar conta de que talvez você tenha perdido algo muito valioso em troca de algo que, apesar de reluzir muito, não tenha tanto valor. A dona Elena falou e eu engoli em seco.
Talvez ela fez isso para me magoar. Se foi isso, então eu não poderia ficar chateada com ela, afinal, eu quebrei o coração da sua filha e no processo acabei destruindo o meu.
— Ela me odeia? Eu questionei quando ela estava se afastando de mim, a mulher virou-se para mim e sorriu.
— Odiar é uma palavra muito forte e muito pequena diante de tanto sentimento que ela nutriu por você. Acredite, Luiza, a minha filha não te odeia. Não sei o que ela sente em relação a você, mas posso lhe afirmar que não é ódio. Apesar de tudo, estou feliz em te ver novamente, Luiza, se cuida e cuida bem dessa princesinha. Ela é linda. A senhora Elena falou e me deixou sozinha.
Quando voltei à mesa, pedi para irmos embora, e ninguém protestou. Durante o caminho, descobri que ainda não tínhamos casa própria, e ficaríamos na mansão da minha avó. Um lugar que carregava tantas memórias dolorosas, onde vivi um dos dias mais infelizes da minha vida.
A dor e a nostalgia me envolviam enquanto adentrava aquela casa, revivendo cada lembrança. Daquele dia me lembro de cada momento, me lembro do olhar que a Eva me lançou, lembro da sua pergunta, lembro dela se afastando e levando um pedaço do meu coração . Era um tormento estar ali, onde eu poderia recordar constantemente que as minhas decisões não feriram só a mim, eu também destruí o coração da Eva. Eu sabia que a partir daquele dia nada mais seria como antes. E, no silêncio daquela mansão, eu sentia a presença fantasmagórica do amor perdido, da felicidade desfeita, da vida que nunca mais seria a mesma.
Cada canto daquela casa guardava um pedaço da minha história, um pedaço da minha alma dilacerada. E ali, naquele lugar de sombras e lembranças, eu me via confrontada com as escolhas que me trouxeram até ali, com as consequências de cada decisão tomada.
E no silêncio da noite, envolta pela escuridão e pelo peso do passado, eu me perguntava se algum dia poderia encontrar a redenção, se algum dia poderia curar as cicatrizes deixadas pelo amor perdido e pela dor profunda que me consumia. Era como se a casa sussurrasse lembranças e angústias, como se cada parede, cada móvel, cada espaço vazio ecoasse a melancolia que habitava em mim.
E naquela noite, deitada em um quarto estranho e familiar ao mesmo tempo, eu me deixei envolver pela solidão e pela tristeza, pelas lembranças que me assombravam e pelas perguntas sem respostas que martelavam em minha mente. E ali, na escuridão da noite, eu me vi confrontada comigo mesma, com a garota que um dia fui e com a mulher que me tornei, com as dores que carregava e com as esperanças que ainda guardava no fundo do meu coração partido.
E assim, na quietude da noite, eu adormeci, sonhando com um futuro incerto e com a possibilidade de encontrar a paz que tanto almejava, mesmo que fosse apenas por um breve momento. Pois, no fim das contas, era isso que restava: a esperança de que um dia, de alguma forma, eu pudesse me reconciliar com o passado e encontrar a redenção que tanto buscava.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Joiceane Silva
e eu pensando que fosse a Eva acabando é a mãe dela ,pelo que vejo vai demora pra esse reencontro.
2024-05-16
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Allan Ricardo Araujo
poxa mim ilude pensando ser a Eva 🥺🥺🥺🥺🥺, espero que ela volte para lutar pelo seu amor pq luiza está sofrendo muito por ter deixado os outros tomar suas atitudes, bora Luiza reage mulher coloca um fim nisso tudo vai ser feliz
2024-04-18
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Maria Andrade
eu também achei que fosse a Eva, aí Luiza saí dessa casa vai viver com sua filha larga essa família escrota que vc tem
2024-04-18
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