Acordei com uma pulsação intensa na cabeça, como se martelos estivessem batendo em todas as direções. A simples claridade do quarto me incomodava, trazendo ainda mais desconforto.
Eu ainda me sentia exausta, tanto física quanto mentalmente, tudo isso fruto de uma noite mal dormida.
Pensamentos conflitantes pairavam em minha mente, embaralhados e confusos, mexendo com minhas emoções.
Ao olhar para o outro lado da cama, senti um misto de alívio . Felizmente, estava vazio. Levantei-me lentamente, como se cada passo pesasse toneladas, e enfiei-me no banheiro, buscando desesperadamente por algum alívio. Aquela dor de cabeça precisava sumir de uma vez por todas.
Liguei o chuveiro e deixei que a água fria caísse sobre mim, na esperança de que isso poderia me despertar completamente. Mas, assim que a água gelada tocou meu corpo, um arrepio percorreu a minha espinha e me arrependi amargamente da decisão. O líquido gelado parecia penetrar em minha pele, causando um desconforto excruciante em todo o meu ser.
Após alguns minutos agonizantes, saí do chuveiro, com o queixo trêmulo devido ao frio intenso. Ao menos, eu estava acordada e a dor de cabeça havia diminuído, pelo menos temporariamente.
Enquanto eu secava o cabelo, a porta do quarto se abriu e Ulisses entrou, vestido de maneira mais casual, seus cabelos bagunçados e um óculos escuro adornando seu rosto.
— Você parece péssimo. — Falei, tentando adicionar um toque de ironia em minha voz. Ele sorriu em resposta.
— Muito obrigado. — Ele agradeceu, fazendo uma breve reverência. — Você também está horrível, e é por isso que eu te trouxe isso. Achei que você ia precisar. — Ele colocou um copo de café em cima da cômoda.
— Obrigada. — Agradeci, enquanto concluía a tarefa de secar meu cabelo.
Após meia hora, finalmente chegamos ao aeroporto, prontos para embarcar rumo à Grécia , para a nossa lua de mel , se é que podemos chamar assim . A escolha do destino foi uma ideia da minha avó e dos pais de Ulisses, acreditando que uma semana naquelas terras ancestrais poderia, de alguma maneira absurda, despertar uma paixão arrebatadora entre nós. Eu, por outro lado, duvidava que nem mesmo todos os deuses do Olimpo juntos seriam capazes de realizar tal milagre.
Lembro-me da conversa com minha avó sobre a escolha do local da nossa viagem. Me sentia indiferente, então disse a ela que não importava para onde fôssemos, já que o resultado seria o mesmo. Ela sorriu, interpretando erroneamente minhas palavras, e resolveu me dar alguns conselhos. Segundo ela, o amor era apenas uma invenção das pessoas para se sentirem bem, uma desculpa para justificar escolhas estúpidas e preencher a solidão. Para ela, os casamentos arranjados e por conveniência eram mais comuns do que se imaginava, mas as pessoas preferiam não admitir para não parecerem superficiais.
Aconselhou-me a seguir meus instintos e me esforçar para fazer o casamento dar certo. Afinal, Ulisses era atraente, e não seria difícil manter relações com ele, ainda mais em um lugar paradisíaco como a Grécia. Minha avó, no entanto, esqueceu-se de mencionar que, assim como o país é o berço de amores épicos e belezas incríveis, também é o berço de grandes tragédias. Talvez, minha lua de mel se tornasse apenas mais uma dessas tragédias para a história.
Chegamos à Grécia e, para minha surpresa e agonia, Ulisses começou a fazer de tudo para chamar minha atenção. Ele estava determinado a tentar me conquistar , sempre sendo gentil e procurando maneiras de se aproximar. Por vezes, eu o pegava me encarando de forma diferente, como se tentasse decifrar o que se passava em minha mente.
Nos primeiros dias de viagem, exploramos as belezas deslumbrantes do país. Visitamos templos antigos, caminhamos pelas vielas pitorescas das ilhas gregas e nos maravilhamos com o pôr do sol nas praias de areia dourada. Ulisses fazia questão de me mostrar o lado mais bonito da Grécia, estava sempre presente e se colocando a disposição para atender qualquer pedido . Não sei o que ele estava esperando ganhar com isso ou talvez ele simplesmente ache que isso pudesse despertar algum tipo de sentimento em mim.
No entanto, uma sexta-feira à noite, Ulisses insistiu para irmos a uma festa. Eu não estava com vontade e nem tinha qualquer interesse, mas ele continuou a insistir, argumentando que seria divertido e que não gostaria de ir sozinho. Acabei cedendo ao seu pedido, mesmo que contrariada.
Ao chegarmos à festa, a música alta e a agitação do ambiente preenchiam o ar. Começamos a beber e a conversar com outras pessoas, enquanto tentava evitar qualquer assunto relacionado a Ulisses e a forma estranha que ele estava agindo. Ele, porém, decidiu questionar o motivo pelo qual eu me recusava a dar uma chance a ele.
— Por que você continua resistindo a mim? O que mais eu posso fazer para te convencer de que posso ser quem você precisa? — ele indagou, com um olhar profundo.
Suspirei, olhando para o copo em minhas mãos. Não sabia ao certo como responder a essa pergunta tão complexa. — Ulisses, não é que eu não te dê uma chance. É só que… não vejo isso de alguma maneira dando certo — confessei, desviando o olhar.
Ele segurou minha mão suavemente, acariciando-a com o polegar. — Eu entendo seus medos, sei que não começamos de uma maneira tradicional e nenhum pouquinho convencional, mas estou disposto a lutar por você. Dê a si mesma a oportunidade de ser feliz, não precisamos transformar isso em uma tortura ou em algo desagradável. Eu prometo que farei tudo ao meu alcance para te proteger e te fazer sentir amada.
Fiquei em silêncio por um momento, considerando suas palavras. — Eu aprecio sua dedicação, Ulisses, mas não posso prometer nada. Meus sentimentos são confusos, e essa viagem não vai mudar tudo de uma hora para outra — respondi, com sinceridade.
Ele assentiu, compreensivo.
— Eu entendo que não será fácil, mas estou disposto a esperar. Só peço que você abra o seu coração e confie em mim. Talvez, com o tempo, possamos construir algo verdadeiro juntos.
Sorri timidamente.
— Vamos aproveitar a festa, então. É melhor dançar do que ficar aqui discutindo nossos sentimentos — sugeri, tentando mudar de assunto.
— Com certeza! Vamos nos divertir, afinal, estamos na Grécia! Vamos criar memórias incríveis juntos - Ulisses concordou, sorrindo , puxando-me para a pista de dança.
A noite continuou com música alta, risadas e danças animadas. Ulisses fazia questão de estar sempre ao meu lado, sorrindo e se divertindo como se não houvesse amanhã. Eu me permiti relaxar um pouco, deixando de lado as preocupações e aproveitando o momento.
No entanto, à medida que a noite avançava, as bebidas pareciam ter um efeito mais forte sobre mim. Ria e sorria sem motivo, sentindo-me leve e perdida nas batidas da música. Ulisses aproveitava essa oportunidade para se aproximar cada vez mais, tocando minhas mãos.
Quando eu senti que estava muito alterada eu decidi voltar para o hotel em que estamos hospedados, o Ulisses não queria, mas então eu disse que eu iria sozinha então por fim ele decidiu ir comigo.
Assim que entramos no quarto ele me prensou contra a parede e me beijou , eu fui pega completamente desprevenida.Mas ao invés de corresponder ao beijo, eu me afastei bruscamente, com os olhos arregalados de surpresa.
— Desculpe, eu… não posso . murmurei, sentindo como se estivesse traindo meu verdadeiro amor.
Ulisses, um tanto atordoado, se afastou também. Sentamos na cama do quarto em silêncio por um instante, olhando para qualquer direção, evitando contato visual. Aos poucos, ele começou a acariciar meu rosto suavemente, como se tentasse me acalmar.
— Me desculpe — ele sussurrou, sua voz cheia de arrependimento. — Eu não deveria ter feito isso. Não quero te pressionar ou te colocar em uma situação desconfortável.
Balancei a cabeça, ainda confusa e atordoada pela mistura de emoções.
— Não é sua culpa, Ulisses. Eu também não sei o que estou fazendo. Minha mente está uma bagunça.
— Podemos apenas descansar agora. Amanhã é um novo dia, e podemos conversar com calma sobre tudo isso.
Me deitei na cama, sentindo o cansaço me dominar. Ulisses deitou-se ao meu lado, não proferindo mais nenhuma palavra. Ele começou a fazer um cafuné suave em meus cabelos, e aos poucos, adormeci, tentando encontrar paz entre a confusão que se tornara minha mente.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Maria Andrade
autora, eu fico apreensiva lendo a história, a Luiza não pode Seder as investida do Ulisses, ela tem que voltar e lutar pelo seu amor. eu sei que a história só tá começando ainda tem muito drama pela frente
2024-04-04
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Allan Ricardo Araujo
ah não Luiza não cai na lábia desse ridículo 😡😡😡 se tu fizesse vc estará traindo seu verdadeiro amor e tu vai ficar com um peso na consciência por ter feito besteira pensa bem viu, eu só queria que esse Ulisses morresse de vez
2024-04-04
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