Nos primeiros dias sem a presença do Diego foram mais difíceis e mais doloridos do que eu pensei que seriam, e até a Aurora sentiu falta do tio dela.
Depois que o Diego foi embora, algumas mudanças aconteceram nesta casa, e uma das grandes mudanças foi a realização de alguns almoços e jantares com possíveis aliados do Ulisses e membros de alguns partidos políticos nos quais ele tentava se encaixar.
Era quase deprimente testemunhar suas tentativas fracassadas. Em outros tempos, provavelmente eu teria empatia, mas atualmente não posso me dar ao luxo de me importar com alguém que não se importa com a própria filha, com a nossa filha.
A Aurora está começando a tentar dar seus primeiros passos, e em um dia estávamos no jardim brincando e tentando fazê-la perder o medo. Infelizmente, nesse dia, Ulisses decidiu realizar mais uma de suas reuniões com possíveis apoiadores e investidores.
É claro que, se soubesse que haveria essa reunião, eu estaria em outro lugar com minha filha. Não acho correto expor minha filha a um ambiente tão hostil quanto essas reuniões chatas com homens que em sua maioria não possuem escrúpulos.
Imaginei que Ulisses não se aproximaria de nós, mas infelizmente estava enganada. Ele se aproximou com um sorriso largo no rosto, e imediatamente levantei e peguei minha filha em meus braços, em alerta diante dessa situação, sabendo que nada de bom viria disso.
— Olá, querida. – Ulisses disse, depositando um beijo no rosto de Aurora. – Então, senhores, permitam-me apresentar: esta é minha esposa, Luiza Ribas, uma das herdeiras do grupo Ribas e filha mais velha do falecido Leonardo Ribas, e esta é nossa filha, Aurora. – Ulisses falou tranquilamente, pegando Aurora dos meus braços e nos apresentando como se estivesse apresentando um objeto de sua posse.
Havia cinco homens acompanhando Ulisses, todos com boa postura e bem vestidos com ternos sob medida. Eles estavam em uma faixa etária entre 30 e 60 anos, com semblantes sérios e pareciam avaliar cada detalhe.
— Luiza, estes são alguns senhores que estão possivelmente interessados em apoiar minha carreira política. – Ulisses falou, mantendo um sorriso no rosto que o fazia parecer um psicopata.
Um senhor mais idoso me olhava de forma curiosa, e ele me parecia estranhamente familiar. Quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu.
— Olá, Luiza, eu sou Carlos Navarro. – Ele se apresentou. – Imagino que você não se lembre de mim, mas seu pai e eu fomos grandes amigos. Lamento não ter podido comparecer ao velório dele, não estava no país na época, mas gostaria de expressar minhas condolências. Sempre tive um carinho muito grande pela sua família. – Ele estendeu a mão e me ofereceu um sorriso gentil.
Retribuí o cumprimento por pura cortesia e fingi acreditar nas palavras dele. Aprendemos com o tempo que nesse meio não há amigos, apenas conveniências, e eles só se importam com você se puder oferecer algo.
— Agradeço as condolências, mas, se me dão licença, devo levar minha filha para se alimentar. Família em primeiro lugar, sabem como é. – Disse, pegando Aurora dos braços de Ulisses.
— Imagino que você nos presenteará com a sua companhia essa manhã e se juntará a nós. Um dos homens aparentando ser um dos mais novos em média de idade disse, provavelmente ele tinha 30 anos , tinha um olhar arrogante e uma postura autoritária.
— Agradeço o convite, mas devo priorizar o bem-estar da Aurora, sabe como é. Mas não se preocupem, tenho certeza de que haverá outras oportunidades para nos conhecermos melhor. Afinal, a política pode esperar, mas o estômago da minha pequena não!
Enquanto me afastava deles, ouvia comentários. Alguns elogiavam Ulisses pela "nossa família". Foi nesse momento que percebi que estava sendo usada como meio para atingir um fim. Ulisses não mencionou esse almoço, queria apenas exibir sua família, pois se tivesse me avisado, certamente não estaríamos ali.
Em breve, Aurora completará um ano, e essa foi a primeira vez que Ulisses a pegou no colo. Certamente, ele não faria isso sem uma razão por trás.
Estava extremamente chateada. Tínhamos um combinado, e ele não cumpriu.
Assim que Ulisses entrou na sala, certifiquei-me de que estávamos sozinhos.
— Pensei que almoçaria conosco. – Ele caminhou até a adega, pegou um uísque e tomou um gole. – Parece que Valentino estava interessado em sua companhia.
— A minha companhia é um privilégio que qualquer um gostaria de desfrutar, pois tenho conteúdo e não sou vazia. – Disse, com firmeza. – Mas não é sobre isso que quero falar. Quero uma explicação plausível para justificar esse teatro mais cedo. Por que fez isso, Ulisses?
— Teatro? Não faço ideia do que está falando, Luiza. – Respondeu de forma irônica.
— Teatro é exatamente o que fez, pegando minha filha no colo e tratando-a com carinho como se fosse algo recorrente, quando na verdade você não se importa com ela. Se não tem capacidade para conseguir apoiadores por si só, é problema seu, não me envolva nem envolva minha filha neste meio de pessoas questionáveis. Sugiro também que pare de beber, Ulisses. Se um gole já o deixa assim, ao ponto de esquecer suas próprias ações questionáveis...
— A Aurora também é minha filha, posso pegá-la nos braços e apresentá-la aos meus amigos. – Esbravejou.
— Não seja ridículo. Essas pessoas não são amigas de ninguém. E Aurora não é sua filha, você abriu mão dela há muito tempo, e não vou admitir que brinque assim com minha filha. Se quiser se aproximar dela, faça quando for conveniente para ela, não quando parecer conveniente para você.
- Luiza, eu não vou discutir com você. Finalmente as coisas estão dando certo para mim. Consegui apoio e vou me filiar a um grande partido. Assim que Aurora completar seu aniversário, nós iremos voltar ao país. O Ulisses mencionou isso e a única coisa que realmente chamou minha atenção foi a parte de voltar ao meu país.
De repente, um arrepio percorreu meu corpo e minha mente imediatamente mergulhou em memórias bem guardadas. Eu realmente iria voltar.
Em um instante, também me lembrei de que talvez não a visse. Talvez Eva ainda esteja estudando no exterior e não sei se ela também voltaria para o nosso país.
Mas e se ela voltar? Será que ela voltaria acompanhada? E se nos encontrássemos, como ela reagiria?
Será que ela me odeia? Será que ela me ignoraria? Será que nos olharíamos como duas estranhas que, apesar de termos tido um passado juntas, éramos apenas desconhecidas naquele momento?
Será que ela me olharia da mesma forma que fez da primeira vez e se aproximaria de mim? E se ela fizesse isso, minhas reações seriam as mesmas? O nervosismo, a antecipação curiosa para descobrir por que aquela garota se aproximou de mim...
Será que ela guarda memórias dos bons momentos que tivemos juntas? Das brigas por coisas bobas? Será que ela ainda se lembra das pequenas mentiras que contávamos aos nossos pais para poder nos encontrar? Será que ela se lembra das broncas que ela levou por perder a hora devido ao tempo que passamos juntas?
Será que ela ainda guarda um pouco de mim em suas memórias? Ou será que, para me esquecer e seguir em frente, ela faz questão de evidenciar apenas meus erros e falhas? Será que ela transformou o amor que sentia por mim em ódio?
Honestamente, nada disso importa. Estou feliz por saber que vou voltar, e se nos encontrarmos, serei a pessoa mais feliz do mundo, independentemente dos sentimentos que ela nutre por mim.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 55
Comments
Thais Coutinho
Ai MDSSS, ansiosa pra que eles voltem pro país deles, esse reencontro promete!!
2024-04-16
1
Allan Ricardo Araujo
aiaiaiaiaiai não vejo a hora delas se encontrarem de novo e espero que a Eva não esteja com ninguém
2024-04-16
1
Maria Andrade
ansiosa por esse encontro ☺️
2024-04-15
1