Não sei exatamente que reação eu esperava dele, eu nem ao menos o conheço. Não sei onde eu estava com a cabeça quando aceitei essa história de casamento arranjado.
Tomei o papel dos exames das mãos do Ulisses e caminhei até o meu quarto, não sabia exatamente o que eu faria, mas definitivamente não ficaria nem mais um segundo nessa casa.
Comecei a tirar as roupas do closet e jogá-las em cima da cama, minha cabeça fervilhando.
— O que você está fazendo? — Ulisses perguntou ao entrar no meu quarto.
— Não é óbvio? — respondi de forma sarcástica.
Peguei umas malas e comecei a arrumar minhas coisas.
— Olha Luiza, eu sinto muito... Eu me expressei mal, não deveria ter falado daquela forma, me desculpa. — Ulisses disse, mas eu não me importava mais, então nem dei atenção e continuei arrumando as malas. — Eu tive um dia estressante e não estava preparado para essa notícia.
— Você não vai falar nada? — ele questionou.
— Sabe esse acordo? Sabe esse casamento? Sabe tudo isso para mim acabou. — falei, sem me importar mais com nada.
— Acabou? Não, não Luiza. Você está muito enganada, temos um acordo, assinamos um contrato. No contrato diz 4 anos, temos que ficar casados por quatro anos para termos uma união estável. Você aceitou se casar e em troca desse casamento, a minha família pagou toda a dívida da sua família, os meus pais vão ajudar nos negócios da sua família. Esse foi o combinado.
— As coisas mudam, as circunstâncias mudam e eu não me importo em quebrar esse contrato. — falei firme.
— Olha Luiza, eu te entendo, você está chateada, mas você está certa em todos os momentos as circunstâncias mudam, as coisas mudaram, o nosso casamento iria nos unir por 4 anos e agora esse bebê irá nos unir por toda a vida. — Eu conversei com o meu pai Luiza, falei sobre a sua gravidez e ele ficou feliz e conversando com ele eu percebi que a gente pode fazer isso dar certo pelo nosso filho, essa criança vai precisar de nós dois.
— Você não pensava dessa maneira até alguns minutos atrás. Não seja hipócrita Ulisses, eu estou cansada disso, até agora eu não entendi as razões que levaram você a concordar com esse casamento e eu acho justo você me explicar, já que fui eu quem acabou pagando por isso. Acho justo eu saber do que tudo isso se trata, afinal.
— Tudo bem Luiza, você tem razão. Eu acho melhor a gente conversar sobre isso amanhã.
— De forma alguma Ulisses, eu quero uma explicação e eu quero agora. — falei e Ulisses abaixou a cabeça.
— Olha, a sua avó concordou com tudo isso, os nossos pais eram sócios em alguns empreendimentos, o seu pai começou a desviar dinheiro e logo após, infelizmente, ele morreu. O meu pai, a minha família na verdade é estrangeira, não somos tão importantes assim na alta sociedade e seria muito conveniente acusar o seu pai que tinha acabado de falecer por roubo, ele não teria como se defender, e o seu pai sempre foi um homem muito respeitado e o sobrenome de vocês tem muito impacto. Então o meu pai decidiu entrar em contato com a sua avó, o meu pai sempre sonhou com o poder, sempre imaginou como seria um De Lucca chegar ao topo, o meu pai sempre quis uma ascensão política mas somos estrangeiros, então ele conversou com a sua avó e contou sobre tudo isso, falou sobre os desfalques, as dívidas e a sua avó e o meu pai negociaram e usaram você como moeda de troca. A gente se casa, passamos a lua de mel na Grécia e depois iríamos morar um ano fora do país, tempo suficiente para mim te conquistar, depois iríamos retornar ao país e eu conseguiria a minha cidadania e assim começaria a minha carreira política, ninguém desconfiaria que o nosso casamento é por conveniência, afinal teríamos um ano de casados. E quando você me contou da gravidez, eu me assustei, não estava pensando direito e quando liguei para o meu pai, ele me tranquilizou e me fez ver que essa gravidez chegou em um bom momento e que agora...
— Nem ouse terminar essa frase Ulisses, essa gravidez não será usada como parte desse plano ridículo e mesquinho, eu quero que você marque uma reunião amanhã mesmo com o seu pai e iremos discutir esse contrato. Mas sobre a minha gravidez, sou eu e apenas eu que vou decidir.
— Olha Luiza, a sua avó concordou com todos os termos. — Ulisses disse.
— E por acaso é a minha avó que está casada com você? Não, então é melhor fazer o que eu mandei.
Falei e Ulisses saiu batendo a porta do quarto.
Eu peguei o telefone e disquei o número do meu irmão, Diego. Contei toda a situação e pedi desesperadamente para que ele viesse me ajudar, pois eu precisava de alguém de confiança ao meu lado na reunião com o pai de Ulisses. Diego concordou prontamente e disse que estaria lá o mais rápido possível.
No dia seguinte, durante a reunião, as tensões estavam palpáveis. Eu, Diego, o pai de Ulisses e o próprio Ulisses estávamos presentes. A discussão logo se tornou acalorada, e foi quando o senhor De Lucca jogou na nossa cara que eles poderiam colocar a nossa avó na cadeia por fraude e roubo, já que o nosso pai não estava mais em vida para pagar pelos crimes dele.
— Isso é um absurdo! Vocês não têm o direito de nos ameaçar assim! — exclamei, indignada.
Diego segurou meu braço com firmeza, demonstrando apoio silencioso.
Eu pedi para ver o contrato e entreguei a Diego para analisar. Ele leu todas as cláusulas e afirmou que a assinatura no final não era minha e nem de Ulisses; o acordo tinha sido assinado entre minha avó e pelo pai do Ulisses.
— Essas cláusulas são totalmente inválidas! Não há nada aqui sobre gravidez ou obrigações relacionadas a um herdeiro — disse Diego, com a voz firme.
O pai de Ulisses interveio dizendo que o bebê não fazia parte do acordo, mas passaria a fazer parte da família. Eu, sarcástica, lembrei a Ulisses que ele havia sugerido o aborto antes.
— Que tipo de pai você seria, sugerindo algo tão cruel? — questionei, com um tom de desdém.
Deixei claro que aceitaria um novo contrato, desde que Ulisses abdicasse de qualquer direito de paternidade sobre a criança e da disputa pela guarda após o término do casamento.
— Você não terá controle sobre a vida do meu filho! — declarei, com determinação.
O pai de Ulisses argumentou, mas Diego lembrou que ele já havia aberto mão do direito de ser pai ao sugerir o aborto.
— Você não tem base legal para reivindicar nada — disse Diego, com calma, mas com firmeza.
Finalmente, o pai de Ulisses sugeriu um contrato onde eu abriria mão de qualquer direito da criança sobre a fortuna dos De Lucca, bem como qualquer vantagem futura. Aceitei imediatamente, deixando claro que não me importo mais com os acordos entre nossas famílias e estava preocupada apenas comigo e o bebê.
— Eu só quero que isso acabe — murmurei, com os olhos marejados de emoção.
Diego prometeu que tanto a criança quanto eu estaríamos bem amparados, sem depender dos De Lucca.
— Você e o bebê serão protegidos, não importa o que aconteça — disse Diego, com uma expressão determinada.
Ulisses questionou o que um "pirralho como ele" poderia fazer, e Diego respondeu que reconstruiria a fortuna da família e garantiria que nada faltasse para mim e para este bebê que eu carrego em meu ventre.
— Eu farei o que for preciso para cuidar da minha família — disse Diego, com determinação nos olhos.
A reunião pode ter acabado em um acordo, mas as tensões permaneciam palpáveis. Eu sabia que teria um longo caminho pela frente, mas pelo menos agora tinha o apoio de meu irmão ao meu lado.
— Esses serão os quatro anos mais longos da minha vida — falo, e Diego me abraça.
Nesse momento, o pai de Ulisses interveio.
— Quando o prazo de validade de 4 anos terminar, o contrato terá chegado ao fim. Assim, acabará qualquer responsabilidade da família De Lucca com os Ribas. E, além disso, quando o casamento terminar, a obrigação do Ulisses com essa criança também chegará ao fim.
— Não espero menos que isso vindo de pessoas tão desprezíveis — falei com nojo.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Maria Andrade
gente do céu não dá pra matar essa vó desgraçada 😭
2024-04-12
2
A.Maysa
que o raiva desses escrotos 😡
2024-04-12
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