O tempo, segundo o dicionário, é a sucessão contínua e irreversível de momentos, marcada pela mudança e pelo movimento.
Desde tempos antigos, tem sido considerado como um remédio sagrado para algumas das questões mais complexas da vida. Frases como "dá tempo ao tempo" ou "o tempo cicatriza todas as feridas" são conselhos comuns em nossa jornada.
É inegável que o tempo seja implacável, irrevogável e imparável. Ele passa rapidamente, escorrendo entre nossos dedos como pequenas gotas de água. Segundos se transformam em minutos, minutos se convertem em horas, horas se tornam dias, e dias se estendem para meses. Por vezes, nem percebemos o tempo passar até que a dor que outrora parecia rasgar a alma já não nos atormente com a mesma intensidade.
Enxergamos o passar do tempo quando nos deparamos com reflexos no espelho, notando sutis mudanças em nossos rostos e em nossa forma de vestir. O que antes era verão, agora já se transformou em inverno.
No entanto, minha percepção do tempo passar foi completamente diferente.
A descoberta da gravidez veio para mim no início do verão, quando o calor abrasador parecia ecoar meus sentimentos de incerteza e medo.
As dúvidas invadiram minha mente e transbordaram pelos meus pensamentos, eu não me sentia pronta para esse novo capítulo da minha vida.
Os medos e receios pareciam rondar meus dias, mas algo dentro de mim sabia que não poderia tomar uma escolha fácil. O fácil não seria justo com um ser inocente que estava se formando dentro de mim.
No segundo mês, os enjôos e os desejos mais malucos que eu poderia ter invadiram meu corpo. Nunca imaginei que o doce e o salgado poderiam combinar tão bem em uma única refeição. Os sintomas da gravidez se faziam presentes a cada momento, me lembrando que uma pequena vida estava crescendo em meu ventre.
Foi no terceiro mês que tive a primeira ultrassonografia. Ver aquele pequeno ser se mexendo dentro de mim trouxe uma mistura de emoções indescritíveis. O coração acelerou ao ouvir pela primeira vez as batidas do coraçãozinho, um som que se tornou a trilha sonora dos próximos meses.
No quarto mês, descobri que seria uma menina. A alegria inundou meu coração ao imaginar todas as aventuras que teríamos juntas. As primeiras compras foram feitas com a mesma emoção de escolher um futuro brilhante para minha pequena Aurora. O primeiro sapato que comprei parecia pequeno demais e delicado demais para os pezinhos que em breve iriam correr pela casa.
A escolha do nome foi uma tarefa difícil, mas ao descobrir o significado de Aurora, não tive dúvidas. Aurora significa amanhecer, e ela seria minha luz, o raio de sol que iluminaria meus dias mais sombrios. Cada mês gestacional foi marcado por sintomas, momentos especiais e muita emoção. E finalmente, no momento do nascimento, pude segurar nos meus braços a materialização do amor mais puro e verdadeiro que já senti. A passagem do tempo pelos meses gestacionais foi repleta de desafios, mas cada momento valeu a pena ao ver o rosto da minha pequena Aurora pela primeira vez. assim, meu coração transbordava de gratidão e amor de uma maneira incrível.
Durante esse período, eu pude perceber claramente a falta de apoio por parte do Ulisses e de toda a família De Lucca. Não era surpresa, mas ainda assim era decepcionante. Porém, quando minha avó soube da minha gravidez, ela foi tomada de uma alegria imensa. Sentia-se orgulhosa e reafirmava que havia tomado a decisão certa para a minha vida. Era como se ela estivesse aliviada por acreditar que meu interesse repentino por mulheres não passou de uma fase passageira.
Mas meu coração, meu corpo, minha mente e meus sonhos noturnos revelavam que tudo que vivi com Eva não era apenas uma fase e muito menos algo passageiro.
Mesmo que não tivesse mais oportunidades com ela ou passassem anos sem nos vermos, tenho certeza de que jamais a esqueceria. Coisas inesquecíveis não podem ser apagadas da memória, principalmente quando carregamos pedaços delas gravados em nossa pele, nosso corpo, nosso coração e nossa alma.
As pessoas que cruzam nossas vidas deixam um pouco delas e levam um pouco de nós, de nossa essência. E eu tenho muito dela em mim: o gosto pelas músicas, pela aventura, pelo desejo de novas descobertas. Também tenho o colar que ela me devolveu, um presente que escolhi pensando nela e para ela. Mesmo que ela não o queira mais, não o joguei fora e nem o mantive guardado em uma gaveta. Ele continua em meu pescoço e não sairá daqui, a menos que seja para voltar à verdadeira dona. Até lá, o guardarei com carinho.
Quanto à minha avó, devo dizer que foram duas semanas terríveis em minha vida. Por sorte, minhas alterações de humor eram frequentes e, quando ela tocou em feridas abertas, minha ignorância falou mais alto. Felizmente, ainda não sei controlar minhas emoções e acabei desabafando todas as angústias que carregava dentro. Expressei minha raiva, minha indignação e, felizmente, isso resultou no fim da estadia dela aqui.
A única pessoa que eu queria ao meu lado era meu irmão e ele esteve presente durante todo o tempo. Diego me acompanhou nas consultas, não se importou com meu estresse e minhas reclamações. Nos momentos em que eu estava mais emotiva, falando e reclamando da minha sorte, ele ainda estava lá, me consolando e dizendo que tudo ficaria bem. Mesmo que talvez não fosse verdade, eu tentava acreditar em suas palavras, pois elas me convenciam, mesmo que por um instante.
Foi nesses momentos tumultuados que comecei a refletir sobre a importância de ter alguém que realmente esteja ao meu lado, que me apoie e me console, independentemente das circunstâncias. A presença de Diego foi um lembrete de que, mesmo em meio a todas as dificuldades, sempre haverá alguém disposto a estar lá por nós.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Anonymous
Saindo pra outra história
2025-02-20
1
A.Maysa
é Luiza não será nada fácil mas vc vai conseguir
2024-04-13
3
Maria Andrade
mais autora
2024-04-13
0