A raiva queimava dentro de mim como brasas ardentes, alimentada pela mágoa, pela sensação de traição e pela dor dilacerante. Parecia que o mundo desabava ao meu redor, deixando-me à deriva em um mar de angústia e desespero.
E a vergonha também se unia a esse combo de emoções, Ulisses me encarava com uma expressão culpada no rosto, e eu supunha que a minha cara devia estar péssima, provavelmente refletindo tudo que eu estava sentindo por dentro.
Ulisses, observando minha tormenta emocional, presumiu que tudo aquilo se relacionava a ele e ao tumulto do nosso casamento. Ele tentou acalmar meu turbilhão de emoções, oferecendo palavras de conforto e promessas de respeitar meus limites no futuro. Por mais que eu agradecesse isso e sinceramente ficasse feliz por saber que ele não iria ficar forçando toda uma situação desconfortável entre nós.
No entanto, suas palavras caíam como gotas de chuva em um incêndio furioso, incapazes de extinguir a dor que me consumia por dentro. Eu só queria escapar, esquecer de tudo, peguei minhas roupas e fui tomar um banho, demorei o máximo que pude. Neste momento, eu não me importava com nada ao meu redor, não me importava com esse casamento, não me importava com Ulisses do outro lado da porta, não me importava com a quantidade de água que estava gastando, tudo que eu queria era esquecer.
Quando finalmente terminei o meu banho, saí do banheiro imaginando que, pelo tempo que eu demorei, Ulisses entenderia que eu queria ficar sozinha e talvez até já teria saído do quarto. No entanto, Ulisses tinha outros planos.
Ele estava sentado na cama com uma bandeja de café da manhã ao seu lado, oferecendo-me um sorriso gentil e a refeição matinal.
Eu queria apenas deitar e dormir o dia todo, mas Ulisses estava determinado em me distrair. Ele insistiu em sairmos para passear, e depois de muitas compras e idas e vindas por diversos pontos turísticos, eu estava começando a me sentir melhor.
Parecia que tinha encontrado uma maneira mais saudável de lidar com o que estava acontecendo.
Tudo estava indo bem até meu irmão decidir me importunar incessantemente com suas ligações, que agiam como álcool sendo jogado em feridas abertas. Eu ignorava suas chamadas, não queria falar com ele.
E então veio a ligação da minha avó. Ela queria saber sobre a lua de mel, se o casamento já havia sido consumado. Minha resposta negativa desencadeou uma nova onda de pressão e manipulação. Ela insistia que um casamento só tinha validade se fosse consumado, alimentando minhas dúvidas e medos.
Diante da pressão da minha avó e da sensação avassaladora de abandono e traição, tomei uma decisão impulsiva. Peguei uma garrafa de uísque e convidei Ulisses para me acompanhar.
Eu já tinha meu novo plano traçado. Eu buscava refúgio no álcool, ansiava afogar minhas mágoas em um mar de uísque. No entanto, Ulisses estava determinado a não permitir que eu cometesse o erro de descontar minhas frustrações no álcool. Ele tentou me convencer de que não era uma boa ideia, tentou incansavelmente, mas eu deixei claro que se ele não quisesse beber comigo não tinha problema, eu beberia sozinha.
E então começamos a beber e a conversar. Perguntei a ele o porquê de ter aceitado se casar comigo.
Ele disse que não achou a ideia de se casar tão ruim assim, pelo menos não quando o pai dele mostrou minha foto a ele. Ulisses afirmou que ele tinha tirado a sorte grande e então não contestou. Eu sabia que essa não era uma resposta sincera, ele só estava sendo um bom galanteador.
Continuamos conversando e ele perguntou se eu tinha alguém antes de toda essa bagunça e quais eram as minhas razões para ter aceitado me casar.
Mas eu desconversei, não iria expor ninguém dessa maneira, e eu também estava com raiva, não queria falar mais do passado, essa noite eu estava determinada a esquecer de um jeito ou de outro, eu ia fazer isso.
— Minha avó perguntou se já havíamos consumado o casamento. Eu falei e Ulisses engasgou um pouco com a bebida e começou a tossir, ficando vermelho, e eu ri dele.
— Consumar o casamento? Ele questionou, tentando se recompor.
— É. Ela queria saber se já tivemos relações. Segundo ela, precisamos consumar o casamento para ter alguma validade. Declarei, determinada a seguir em frente e terminar com isso logo de uma vez. Já estava tudo dando errado mesmo.
Nós bebemos juntos, compartilhando nossas dores e nossos medos.
Ulisses perguntou se eu tinha certeza, mas a verdade é que eu não tinha certeza de mais nada. Naquela noite, nasceu uma conexão diferente entre nós, não marcada pelo amor, mas pela dor e pela necessidade desesperada de nos agarrarmos a algo em meio à escuridão que nos cercava.
Enquanto Ulisses falava, minha mente vagueava para a mulher que ocupava meus pensamentos dia e noite.
Decidi tomar uma decisão imprudente e beijei Ulisses, o pegando de surpresa. Eu imaginava que ele me afastaria, mas ele não fez isso. Ele retribuiu o beijo, colocando mais intensidade.
Aos poucos, Ulisses encerrou o beijo quando a falta de ar se fez presente e passou a distribuir beijos pelo meu maxilar, descendo pela minha garganta, onde ele revezava entre beijos e leves mordidas.
O toque de Ulisses em meu corpo e seus beijos nos meus lábios eram suaves e carinhosos, mas eu não conseguia evitar a comparação com as carícias ousadas e apaixonadas com que meu corpo e minha mente estavam acostumados. Eu me praguejei por estar pensando nela nesse momento, sendo que provavelmente ela estava com meu irmão. E quando comecei a pensar nisso, fiquei com raiva.
Eu tentava me concentrar no presente, em Ulisses, em nosso momento compartilhado, mas as lembranças da outra mulher continuavam a atormentar minha mente. Era como se ela estivesse presente ali, julgando cada movimento, cada suspiro.
Ao sentir minha tensão e desconcentração, Ulisses me abraçou com mais firmeza, tentando me trazer de volta ao momento presente.
Enquanto ele me beijava com ternura, eu me esforçava para apagar as memórias que continuavam a me atormentar. Mas era inútil. Cada toque, cada carícia, era uma lembrança constante da paixão que eu sentia por outra pessoa.
Mesmo assim, eu continuei. Peça por peça era retirada dos nossos corpos, nossas respirações estavam ofegantes, seus toques, por mais gentis que fossem, pareciam ásperos, como se estivesse me arranhando.
Nossos corpos se moviam em um ritmo dolorosamente lento, torcia para que tudo isso chegasse logo ao fim.
Quando tudo terminou e a escuridão da noite deu lugar à luz do amanhecer, o arrependimento me envolveu como um manto frio.
Nossos corpos estavam desnudos, minha cabeça doía. Eu me sentia suja, usada e triste. Ulisses merecia mais do que isso, e eu também merecia bem mais. E eu sabia que havia cometido um erro terrível.
Eu me levantei e olhei para Ulisses, com lágrimas nos olhos. Aos poucos, o sorriso no rosto dele deu lugar à preocupação.
— Ei, o que houve? Ele perguntou preocupado, acariciando meu rosto. — Eu te machuquei? Ele perguntou, sem entender minha reação.
— Sinto muito, Ulisses. Fiz tudo errado. Usei você como uma distração, uma forma de tentar esquecer outra pessoa. Mas isso não é justo com você, nem comigo.
Ele me olhou com compreensão e tristeza nos olhos.
— Luiza, eu entendo. Eu só queria te ajudar, de alguma forma. Mas se você acha que foi um erro, então vamos lidar com isso juntos. Eu estou aqui para você, não importa o que aconteça. Se você não me quer como homem, então posso ser apenas seu amigo e, com o tempo, tentar ganhar um pouquinho do seu carinho.
Eu assenti e um sentimento de gratidão misturado com vergonha me preencheu por completo. Eu sabia que tinha uma longa jornada pela frente para descobrir quem eu era e o que realmente queria.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Allan Ricardo Araujo
poha luiza tu fez besteira das grandes e isso tudo foi armação pra isso acontecer entre você e esse Ulisses 😡😡😡 daqui a pouco vem o resultado dessa sua besteira 🥺
2024-04-09
5
Maria Andrade
e Luiza vc fez besteira e agora vai ter consequências
2024-04-08
1