Dizer que foi fácil seria mentira, seria tentar me enganar. Pontos finais e recomeços são sempre difíceis, são complicados, mas não são impossíveis.
Quando os resultados das eleições saíram declarando que o Ulisses tinha sido eleito governador, eu senti um alívio muito grande, não por ele, é claro, mas por mim e pela minha filha. Desde o princípio, este sempre foi o objetivo dele e, uma vez que ele foi concluído, não havia razões para continuar mantendo uma farsa.
Um mês após a eleição, eu entrei com o pedido de divórcio. Obviamente, minha decisão não foi bem vista, nem pela Amélia, tampouco pela família De Lucca, mas sinceramente já não me importava mais com nenhum deles. Mesmo assim, eles retardaram o processo o máximo que conseguiram.
O Ulisses alegou que a nossa separação seria um escândalo e ele não queria manchar a imagem dele com algo assim. Ele quis evitar rumores. Para mim, no entanto, os rumores não me assustavam, e eu não pretendia voltar atrás na minha decisão, mas, infelizmente, a minha avó usou de sua influência e ajudou o Ulisses a retardar o divórcio.
Esse divórcio se arrastou por um longo ano, e este certamente foi um dos piores anos da minha vida até o momento. O Ulisses começou a se fazer presente na vida da Aurora, dando presentes, sendo gentil, carinhoso, e obviamente isso fez com que a minha filha se apegasse a ele. Ele é o pai dela, é óbvio que em uma relação entre pai e filha essas atitudes seriam comuns.
O problema é que tudo isso foi uma grande jogada. O Ulisses estava se fazendo de pai presente e carinhoso, e essa foi uma maneira dele manipular tudo ao seu favor. Por um momento, eu pensei que suas intenções eram nobres, pensei que ele estava realmente querendo fazer parte da infância da Aurora, mas não era isso. Ele só estava manipulando a situação. Quanto mais próximo da Aurora ele estava, mais apegada ela ficava, e isso o favorecia porque assim ele podia me manipular, brincando com os sentimentos da minha filha, e foi dessa forma que ele conseguiu fazer com que o divórcio se arrastasse por mais tempo que o necessário.
Os comentários eram sempre jogados de forma sutil. "Olha como ele se esforça", "ele está se saindo um excelente pai", "como ele é um pai atencioso", "com tantas obrigações ele ainda encontra tempo pra se dedicar à família". Em que momento fazer o básico se tornou algo digno de elogios? Essas atitudes são o mínimo que se espera de um pai. Por que elogiar alguém por fazer o mínimo?
A partir daí, eu me tornei a vilã, a pessoa egoísta que pretende destruir a própria família em troca de sabe-se lá Deus o que.
De qualquer forma, máscaras não duram muito. É muito difícil manter um personagem, é cansativo, é exaustivo, e é muito difícil fingir. E é claro que o Ulisses não conseguiu manter o personagem de pai presente por muito tempo. Resultado final: a única prejudicada nessa história foi a minha filha, que, independente de qualquer coisa, é inocente e achou que os carinhos e atenção recebidos eram sinceras.
Quando uma criança não recebe carinho e atenção, ela pode internalizar a ausência desses afetos como algo normal, o que pode afetar profundamente sua percepção de si mesma e de seu valor. Assim, quando ela finalmente começa a receber carinho e atenção, pode ter dificuldade em aceitá-los, pois não se sente merecedora ou digna desses gestos.
Por outro lado, quando uma criança está acostumada a receber carinho e atenção e de repente isso é retirado, ela pode sentir-se confusa, desvalorizada e até mesmo culpada, sem entender o motivo dessa mudança brusca. Essa falta de compreensão pode levar a uma queda na autoestima e a sentimentos de rejeição.
E foi isso que aconteceu com a Aurora, ela ficou abatida, triste e eu fiquei com muito ódio e, graças a isso, ameacei que, caso ele se recusasse a assinar os malditos papéis, eu iria expor o contrato e mostraria a todos que tipo de homem o governador Ulisses de Lucca era. Após isso, ele assinou o divórcio e a única coisa que fez foi pedir para visitar a Aurora aos finais de semana. Eu, obviamente, neguei, mas o juiz autorizou as visitas e, com isso, eu passei a não gostar mais tanto assim dos sábados. Normalmente ele aparecia e ficava duas horas, aos poucos as horas foram diminuindo e agora ele costuma aparecer às vezes ou em alguma data comemorativa. Eu não me incomodo com a ausência, mas a Aurora, por mais que esteja mais acostumada, ela ainda sente falta. Com isso, eu tento me desdobrar ao máximo para conseguir dar toda a atenção e carinho que a minha filha precisa.
A parte boa é que nos últimos três anos eu tenho aprendido que os golpes só nos deixam mais fortes. Eu cortei relações com a minha avó e, sinceramente, ela não me faz tanta falta. Aprendi que é mais fácil respirar longe de tudo que te sufoca, finalmente entendi que não basta dizer que te ama ou que fazer às escolhas por você se apoiando na justificativa de que é para o seu bem. Aprendi que qualquer palavra pode ser questionável, mas as atitudes, elas são evidências que falam por si só.
Diego não me deixou sozinha em nenhum momento, foi meu anjo da guarda e o meu amigo mais fiel. Minha mãe também mostrou com as atitudes que ela estava ao meu lado, sempre cuidando da Aurora, respeitando o meu tempo e, principalmente, ela não interferia nas minhas decisões.
Depois do divórcio, me mudei para o apartamento do meu irmão, não era nada exagerado, mas era confortável e ele me permitiu ficar por aqui o tempo que eu julgasse necessário. Resultado: ainda estou morando com ele.
E as coisas estavam indo muito bem até a minha filha passar muito mal esta noite. Ela estava ardendo em febre e reclamando de dores, e eu tive que vir correndo para o hospital.
Chegando aqui, fomos rapidamente atendidas. A Aurora foi levada para uma sala de emergência e colocada no soro. Agora estou aqui aguardando alguma notícia.
— Boa noite. Um homem usando um jaleco branco cumprimentou entrando no quarto, ele tinha uma aparência cansada e uma prancheta em mãos. — Sou Doutor Rubens Torres, o médico que está atendendo a sua filha.
— Boa noite, Doutor. Então, o que ela tem? — Questionei preocupada.
— Eu solicitei alguns exames e acho melhor mantê-la em observação até amanhã para que possam realizar mais exames e assim termos um diagnóstico mais preciso. Amanhã, assim que tivermos os resultados dos exames, eu vou encaminhar a Aurora para uma consulta com a pediatra aqui do hospital. Apesar dela ser jovem, é uma excelente profissional e muito competente. Ela chegou recentemente do exterior e possui uma vasta experiência. Tenho certeza de que cuidará muito bem da Aurora.
Confesso que estou preocupada, mas confio no cuidado médico que ela está recebendo. Estou ao lado dela, segurando sua mão e tentando transmitir tranquilidade. Ainda que ela esteja doente, ver a minha filha enfrentando essa situação me deixa com uma sensação de impotência e um aperto no coração.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Flor
Mais mais autora, continua por favor 🙃
2024-04-25
2
Bea Andrade
continua autora
quem e essa medica
2024-04-25
1
Allan Ricardo Araujo
vixe a pediatra é a Eva jesus amado o encontro delas vai acontecer de maneira não esperada e a aurora vai se dá super bem com a Eva, só espero que a Eva não esteja em um relacionamento para poder viver seu amor que lhe foi retirado de uma maneira suja, agora chegou a vez delas serem felizes juntas depois de tudo de ruim ter acontecido com elas
2024-04-24
3