O tempo passa para todo mundo, não importa se você considera que ele está indo rápido ou lento, ele caminha na sua própria velocidade e a sua medida é igual todos os dias.
A única diferença é que quando estamos tendo um bom dia, quando estamos felizes ou ocupados, temos a percepção de que o tempo passa rápido demais.
Quando estamos em um dia ruim, queremos que ele acabe logo, queremos que o tempo passe depressa para que a dor ou o incômodo chegue logo ao fim. Mas, em momentos assim, parece que o tempo passa bem devagar.
Mas não é bem assim, ele corre no mesmo ritmo todos os dias, a diferença é que algumas pessoas usufruem melhor dele.
E quando eu entendi isso, foi que eu tomei a decisão de usufruir bem do meu tempo. Afinal, ele ia passar de qualquer forma, então por que não usar ele de forma produtiva?
Conversei com o Diego e disse a ele o que eu queria fazer, e ele me apoiou. Na verdade, ele foi o único que me apoiou quando eu contei que pretendia retomar os meus estudos universitários e concluir o meu curso.
A minha avó disse que era bobagem, que a minha obrigação era ser uma boa mãe e uma excelente esposa, e que eu não precisava me preocupar, que Ulisses não iria me deixar faltar nada.
Mas eu não queria depender de ninguém. Eu queria ser suficiente e, por mim mesma, ser capaz de não deixar faltar nada, nem para mim e nem para minha filha.
Porque eu não podia pensar apenas em mim, Aurora havia se tornado a minha prioridade, todos os meus planos de agora em diante eram feitos pensando nela.
Quando mostrei pela primeira vez que iria fazer a minha decisão valer, que eu não cederia, isso assustou a minha avó. Ela começou uma série de chantagens, falando que eu não estava pensando no bem-estar da minha filha, que eu estava sendo egoísta e que eu não teria tempo para cuidar da minha filha.
Mesmo eu explicando que estudaria à noite, dedicaria a maior parte do tempo à minha filha e ajudaria Diego trabalhando meio período na empresa, ainda assim a minha avó implicava.
— Ela vai continuar te pressionando até você ceder. — Minha mãe disse enquanto segurava Aurora no colo.
— Não pretendo ceder. — Falei firme. — Não quero ceder, não consigo continuar colocando as vontades dos outros acima das minhas.
— Então ela vai continuar te infernizando. — Minha mãe disse, e eu a encarei. Ela deu de ombros, como se estivesse constatando o óbvio.
— Por que ela é assim?
— Assim como? Uma louca obcecada por controle, dinheiro e poder, e que não se importa com nada além das próprias vontades? — Minha mãe questionou, com um sorriso presunçoso.
— Como a senhora aguenta ela, mãe? — Questionei, genuinamente curiosa se existia alguma receita. Eu precisava dela com urgência.
— Normalmente, eu ignoro. Era seu pai que lidava com ela, ele que batia de frente com ela, ele conseguia ser tão teimoso quanto ela. — Minha mãe disse, com um sorriso nos lábios, mas havia um brilho de tristeza no olhar.
Eu senti uma pontada no estômago. Ela sentia falta dele, e ela, apesar de não dizer, ela não havia me perdoado. Ela apenas estava próxima porque ela gostava de Aurora.
— Se é o que você quer e se for de alguma forma te ajudar... Eu posso ficar com Aurora enquanto você estiver estudando ou precisar estar no trabalho. Não será tão ruim assim, durante a noite ela estará dormindo e durante o dia eu ficarei com ela por poucas horas, e com isso, a Amélia não usará aquele discurso de que você estará abandonando sua filha aos cuidados de um estranho. — Minha mãe propôs, e eu fiquei feliz por ela sugerir isso.
Minha avó estava interessada apenas em dinheiro e nas vantagens que ela poderia obter com minha filha e com o fato de ela ser uma herdeira dos De Lucca.
Ulisses e a família dele não se importavam com o bem-estar da garota, Aurora só era lembrada por Ulisses quando ele se apresentava como um homem respeitável e pai de família.
Em meio a tudo isso, eu tinha apenas Diego, e era nele que me apoiava. Apesar dele sempre estar disposto a me ajudar, eu não queria sobrecarregá-lo, e era por isso que eu iria trabalhar na empresa e cursar administração. Eu não queria deixar tudo nas mãos dele. Ele também precisava de apoio, e se eu não fizesse, ninguém mais ia fazer.
— Eu não entendo, já não basta ela ter que se intrometer em tudo, agora quer colocar esse cara na nossa empresa. — Diego disse irritado.
Ele estava muito chateado, e eu não tirava a razão dele.
Ele estava se esforçando entre os estudos e a empresa, e agora minha avó estava praticamente entregando a administração da empresa nas mãos de Ulisses e do pai dele.
— Já conversou com ela? — Questionei, e Diego praticamente deu gargalhadas.
— Não seja ingênua, Luiza, você sabe muito bem que com ela não tem diálogo, ela só escuta o que convém a ela. — Diego disse, passando a mão pela têmpora.
— Você é que está sendo ingênua, nossa avó é interesseira e só se importa com dinheiro. Ela não sabe do novo contrato.
— Novo contrato? — Questionou confuso. — E em que exatamente isso iria nos ajudar?
— Assim que eu me divorciar, não vai mais ter ajuda dos De Lucca, e eu não vou tirar nenhum centavo desse divórcio, você acha mesmo que nossa avó, sendo do jeito que é e o medo que ela tem de perder dinheiro, vai colocar tudo que é nosso ao alcance deles? Você acha mesmo que ela vai confiar neles? — Questionei.
Pra mim estava óbvio que minha avó queria deixar os negócios aos cuidados de Ulisses para que ele injetasse capital, mas é claro que ela não permitiria que ele assumisse o controle de tudo, especialmente se ela soubesse que eu não levaria nada nesse divórcio.
Esse casamento foi planejado para que ela ganhasse dinheiro e não para que ela perdesse o resto que ela tinha.
Maldito o homem que confia no outro. Esse conselho desde os primórdios nunca saiu de moda, e tenho certeza de que minha avó está há muito tempo nesse meio para saber disso.
— Ela vai ficar furiosa com você. — Meu irmão constatou.
— Isso não vai ser bem uma novidade, né? — Perguntei com um sorriso gentil no rosto, tentando aliviar o clima um pouco.
Meu irmão não iria me colocar na linha de frente, mesmo que necessário, ele sempre iria se certificar de que eu ficaria bem.
— Acho melhor a gente conversar com ela juntos. Assim, ela pode descarregar a raiva em nós dois. — Meu irmão sugeriu.
— Ela vai tentar anular esse contrato. — Falei, e meu irmão sorriu de forma convencida.
— Esqueceu que fui eu que te ajudei com isso? Não existe como ela anular esse contrato, tudo foi perfeitamente planejado, não tem erro. — Meu irmão disse, me tranquilizando.
Eu não faço questão de um centavo sequer vindo de nenhum deles.
Mas faço questão de que minha filha seja apenas minha, sem nenhuma preocupação futura.
Não quero ter que me preocupar com a guarda da minha filha virar disputa ou ser motivo de chantagens e ameaças. Não quero mais dramas para minha vida.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Joiceane Silva
Ó venha cruel em.
2024-05-16
0
Ana Faneco
Autora na história está maravilhosa parabéns contnuaaa por favor
2024-04-22
1
Maria Andrade
eita Luiza não dá pra matar essa velha 🤣
2024-04-22
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