Desde que voltei, tenho visitado frequentemente os lugares que Eva e eu costumávamos frequentar juntas. Não sei se isso é uma busca consciente por reviver minhas antigas memórias ou se é uma busca inconsciente na esperança de reencontrá-la em algum desses lugares.
Talvez seja a segunda opção. Talvez, inconscientemente, eu tenha me apegado à esperança de um possível reencontro. Pensei que morando aqui seria mais fácil ter um possível reencontro, e admito que me tornei um pouco obcecada com essa ideia.
Mas não foi bem isso que aconteceu. Admito que, apesar de estar frustrada e talvez até mesmo um pouco decepcionada, me conformei com a ideia de que talvez eu não a veja mais. Talvez Eva nunca mais volte para cá, e eu também não posso continuar sendo ingênua a ponto de acreditar que ela pensa em mim da mesma forma que eu penso nela.
Dizem que as mudanças são necessárias ao longo do tempo, algumas até inevitáveis. Eu até entendo e concordo, mas às vezes é um pouquinho doloroso aceitar.
Acredito que ela não pretenda mais voltar. Acho que o momento das mudanças finalmente chegou para ela, e talvez tenha decidido seguir em frente por lá. Nas vezes em que pude conversar com Elena, ela fez questão de me contar o quanto Eva está feliz, o quanto ela se adaptou bem lá e o quanto ela estava adorando tudo.
Ela me mostrou fotos, e tenho que reconhecer que Eva aparenta estar muito bem. O sorriso sempre presente no rosto em todas as fotos, sempre acompanhada por pessoas que julguei serem os novos amigos dela.
Passando por algumas fotos e olhando com um pouco mais de atenção, era possível reparar em simples detalhes que talvez passassem despercebidos por outras pessoas, mas que para mim não passaram. Por exemplo, todas as imagens que vi, sempre tinha uma garota ruiva ao lado dela, sempre próxima. Às vezes, a mão encostada na cintura, às vezes a cabeça apoiada no ombro de Eva.
Pequenos detalhes que revelam intimidade.
Eva estava bem, estava feliz. Ela estava seguindo em frente...
Quando cheguei em casa naquela tarde, senti-me uma egoísta estúpida.
Estava triste e chateada, mas não tinha o direito de estar assim, e por isso eu era uma estúpida.
— Ei, Luiza - Diego me chamou, se aproximando de onde eu estava. — Que carinha é essa, hein? - perguntou, sentando ao meu lado e me olhando de forma confusa e preocupada.
— Eu estava no restaurante, conversando com Elena, e ela estava me contando o quanto Eva está bem e feliz. Ela me mostrou umas fotos, e Eva está seguindo em frente. Não acho que ela pretende voltar, e caso algum dia ela volte, não acho que seja sozinha - falei, tentando afastar aquela sensação incômoda.
Meu irmão me olhou de forma avaliativa e respirou profundamente, parecendo que estava escolhendo adequadamente as palavras.
— Posso ser sincero com você? - ele perguntou, e eu apenas assenti levemente com a cabeça. — Já faz tempo que vocês terminaram, muitas coisas aconteceram depois disso. Você casou e teve uma filha. Tecnicamente, sua vida seguiu depois do término, e é normal que a vida dela também tenha seguido. É natural que ela conheça outras pessoas, se envolva e se apaixone... Em algum momento, isso ia acontecer, e acho que nós dois sabemos disso.
— Você tem razão, Diego. Eva é solteira, ela tem total direito de seguir em frente e se envolver com quem ela quiser. Eva é uma mulher incrível, e em algum momento ela iria se interessar por outra pessoa. Como você mesmo disse, esse é o ciclo natural, mas isso não significa que não doa.
— Eu sei que deve doer. Vocês tinham uma conexão incrível, e existia um sentimento lindo entre vocês. Mas acho que agora não é o momento de ficar se apegando ao que poderia ter sido. disse Diego com sinceridade. — O que você faria se Eva voltasse e ainda estivesse apaixonada por você? Você a transformaria em sua amante? Encerraria o acordo com Ulisses? Pediria o divórcio? O que você poderia oferecer a ela? . Questionou ele enquanto abaixava a cabeça.
Infelizmente, ele estava certo. A dor persistia, mesmo que eu tentasse negá-la. Era difícil aceitar o fato de que o tempo passa e as pessoas seguem em frente com suas vidas. No entanto, não poderia ser egoísta ao ponto de desejar que Eva ficasse presa ao passado, assim como eu estava.
Ainda havia uma pequena chama de esperança dentro de mim, alimentando a ideia de um possível reencontro. Mas era importante reconhecer que a vida tinha seus próprios planos. Eu precisava aprender a aceitar as mudanças, mesmo que isso causasse dor.
Nos dias seguintes, comecei a me dedicar mais à minha própria vida. Eu tinha uma filha, e Diego estava certo quanto ao que eu poderia oferecer a Eva. Naquele momento, eu não tinha nada para oferecer nem a ela, nem à minha filha. Era hora de seguir em frente, de me reconstruir e lutar por algo.
Aceitar que Eva estava seguindo em frente não significava que eu deveria ficar estagnada no passado. Eu precisava aprender a amar a mim mesma e aproveitar o presente. Talvez um dia, nossos caminhos voltem a se cruzar, mas até lá, eu precisava ser forte e continuar vivendo minha vida da melhor forma possível.
Percebi que estava na hora de redescobrir quem eu realmente era e o que eu queria para o meu futuro. Era hora de me dedicar e encontrar um trabalho, precisava deixar de depender dos outros. Estava determinada a explorar novas possibilidades.
Decidi que era hora de focar em me reconstruir emocionalmente. De me estabelecer financeiramente.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Allan Ricardo Araujo
não acredito que a Eva está com outra 🥺🥺. eu sei que a Luiza errou mas foi por sua própria decisão fazer isso ela foi obrigada, só espero que vc Luiza consiga se fazer na vida e sai desse casamento de fachada 🤬 e vai ser feliz independente ou não dessa situação toda
2024-04-22
2
Ana Faneco
a história está maravilhosa parabéns contnuaaa por favor
2024-04-21
1
Joy
Amei esse capítulo..
2024-04-21
1