Diego e eu fomos ao encontro da minha avó para mostrar a ela que estava cometendo um erro.
Meu irmão estava com os documentos nas mãos e tinha um ar confiante no rosto.
Eu, por outro lado, estava apenas fingindo estar tão confiante quanto ele.
Nossa avó estava sentada na sala, apreciando seu chá enquanto lia algum livro que, pela capa, era tão antigo quanto ela.
— Amélia, precisamos conversar com a senhora. – meu irmão disse, chamando a atenção dela, que nos examinou com um olhar altivo por trás dos óculos de grau e parou o movimento da xícara que ia em direção à sua boca.
— Se for sobre o mesmo assunto de sempre. – minha avó disse, fazendo uma longa pausa e olhando para meu irmão com desgosto. – Não mudarei de ideia. – ela disse confiante, deixando o livro de lado e concentrando-se apenas em seu chá.
Observando as expressões de Diego, deduzi que ele estava se segurando para não mandá-la para o inferno. Suas mãos apertavam a pasta de documentos com uma força que considerei desnecessária, afinal, elas não sairiam correndo de suas mãos.
Seu olhar fulminante estava focado em nossa avó, sua mandíbula estava cerrada e ele mordia o lábio inferior, provavelmente tentando manter a calma, o que exigia dele um grande esforço.
— Vejam bem, Amélia. – falei, com uma calma um tanto forçada, e ela me olhou com aborrecimento, pois ela odiava quando a chamávamos pelo nome, segundo ela, soava desrespeitoso. – Não vamos dizer à senhora o que deve ou não fazer, sabemos que a senhora é a dona da razão, no entanto, viemos apenas mostrar algo que vai clarear seus pensamentos. – falei, e Diego se aproximou, entregando a pasta.
Minha avó não demonstrou interesse, então meu irmão teve que abrir a pasta e entregar o documento em suas mãos.
— Que papéis são esses? – ela perguntou, encarando meu irmão, esperando que ele dissesse algo para ver se valia ou não a pena ela ler os documentos.
— É um contrato que Ulisses e eu assinamos após chegarmos ao consenso de que aquele acordo que a senhora e o pai do Ulisses assinaram não tinha valor para mim e para Ulisses, portanto, ele foi rasgado e redigimos um novo. – falei, mostrando para minha avó que as minhas aulas não eram uma completa perda de tempo.
Minha avó parecia perplexa. E Diego continuou explicando.
— Precisávamos garantir que todos estivessem em pé de igualdade e que Luiza não fosse prejudicada por um acordo no qual não participou ativamente. Assim, decidimos elaborar um novo contrato, no qual todos os envolvidos concordaram com os termos de forma transparente e voluntária, termos estes que provavelmente não irão agradá-la, vovó. – meu irmão disse com deboche e sorriu, afastando-se um pouco.
Minha avó pegou os papéis e começou a ler. Ela lia devagar, vi suas mãos começarem a tremer, ela me encarou com a testa franzida e retornou sua atenção ao papel. Vi também quando ela engoliu em seco e se levantou de forma atrapalhada e raivosa, amassando os papéis e vindo caminhando em minha direção em completa fúria, jogando os papéis em minha cara. Meu irmão se colocou na minha frente e evitou que ela se aproximasse o suficiente para me agredir.
— Você ficou louca? – ela rosnou com fúria. – Do que me adianta mover céus e terra para fazer um bom negócio para você fazer isso? – ela perguntou indignada. – Você, Luiza, tem uma mina de ouro nas mãos com a Aurora, seria uma garantia segura para o futuro, mas você simplesmente abre mão disso. Qual é o seu problema?
— E você, seu idiota, como pretende que eu deixe você à frente dos negócios quando permite que sua irmã cometa atrocidades dessas? – minha avó perguntou, dirigindo sua fúria para Diego.
— Minha filha não vai fazer parte de nenhum negócio e não será tratada como apólice de seguro. Se a senhora não pretende ficar na miséria, aprenda a administrar seu dinheiro e pare de ostentar. – falei, irritada.
— Ainda bem que seu pai não está mais entre nós para ver uma coisa dessas. Você, Luiza, é uma vergonha. Você é incapaz de lutar por suas convicções, não tem pulso firme para contornar a situação e por um momento acreditei que você tinha aprendido alguma coisa.
— Eu aprendi muitas coisas e uma delas é que só somos bons para a senhora se formos úteis. – falei, sentindo raiva.
— Você percebe o que você fez? – Amélia questionou com raiva. Eu podia notar como seu rosto estava vermelho e uma veia em sua testa ficava cada vez mais evidente. – Você foi imprudente. – ela me advertiu.
— Já cumpri minha parte do acordo. Se a senhora não está satisfeita, não posso fazer nada.
— Você está sendo estúpida. Você não estava pensando na sua filha. Aurora é apenas uma criança, ela precisa de um pai e precisa de apoio, e se você se divorciar, não vai conseguir tirar nada do Ulisses porque foi burra o suficiente para assinar um contrato onde sua filha, que é herdeira legítima, não tem nenhum direito sobre a herança. – minha avó vociferou com fúria em minha direção.
— Minha filha não precisa de nenhuma herança, é por isso que retomei meus estudos e comecei a trabalhar, para que eu possa fornecer a ela tudo de que precisa. – falei, irritada.
— O Ulisses em breve será governador, ele tem muitos negócios em seu nome e é herdeiro de uma fortuna. Você não percebe que Aurora tem um bom pai e que precisa dele, e se você algum dia se divorciar, ela não terá direito a nada. – minha avó argumentou.
— Já reparou que a única qualidade que admira em Ulisses é o maldito dinheiro? Na verdade, o dinheiro é a única qualidade que busca nas pessoas. Ele não é um bom pai e está muito longe disso. Ele não se importa com minha filha e não faz parte da vida dela. Não dá nenhum pingo de atenção e carinho para minha filha. Então me diga que malditos requisitos são esses que fazem de Ulisses um bom pai e em que balança mede meu maldito valor, porque nada do que faço nunca parece bom o suficiente. Eu sou sua neta... Fui eu, vovó, que abri mão de meus sonhos e sentimentos para ceder aos seus caprichos, então me diga por que mesmo fazendo tudo o que a senhora quis, ainda não tenho valor, por que prefere ficar ao lado de um estranho do que me apoiar?
— E adiantou o que, hein? Me diga, do que vale ter uma herdeira com o sobrenome de Lucca se não terá direito a um maldito centavo. Nunca vi um acordo tão estúpido em toda minha vida, somente Ulisses levou vantagens. Ele não precisará cuidar de uma criança, não precisará dividir nada e nem pagar nada.
— Se é a senhora quem faz tão bons negócios, como explica o fato de nossa empresa depender de outras pessoas injetarem capital para não declararmos falência? – Diego questionou com raiva.
— Não devo explicação para nenhum de vocês dois. Se querem brincar de empresários, façam isso. Se acham fácil reerguer a empresa, vão adiante. Mas uma coisa deixo clara: não irão tocar na herança e não se desfarão de nenhum imóvel da família ou qualquer outra coisa para investir naquela maldita empresa. – minha avó falou e atirou o livro e a xícara na parede.
— Eu também não devo mais satisfação, Amélia, e se a senhora não se importa conosco, também não me importo com a senhora. Não serei mais uma peça no seu jogo e tampouco pagarei pelos erros de ninguém. Já fiz muitos sacrifícios e a única coisa da qual não me arrependo em tudo isso é da minha filha. Mas já que não tenho valor para a senhora, fique ciente de que pretendo esperar apenas a eleição acabar e, depois disso, me divorciar, independente de Ulisses ganhar ou não. – falei e saí da sala em completa fúria.
Eu odiava essa casa.
Odiava meu sobrenome.
E principalmente, odiava minha avó.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Ana Faneco
tá demais autora continua
2024-04-23
1
A.Maysa
alguém quer fazer picadinho dessa velha escrota 😈 eu ajudo kkk
2024-04-23
0
Maria Andrade
Luiza eu já falei nós temos que matar está velha só assim vc fica livre 😜😅
2024-04-23
3