Capítulo 7 Narrado pela Luiza Ribas

Responsabilidade: Capacidade de assumir as consequências das próprias ações.

Nas primeiras semanas após nosso retorno da Grécia, nossa relação consistia basicamente em breves cumprimentos e poucos diálogos.

Tomávamos café e jantávamos juntos algumas vezes, durante esses breves momentos conseguíamos manter uma boa conversa.

Conversamos e chegamos à conclusão de que não havia mais necessidade de dividirmos o mesmo quarto e muito menos a mesma cama.

Parecíamos dois bons amigos dividindo o mesmo espaço, o que era razoavelmente bom. Junto com essa monotonia, vieram também algumas sensações estranhas.

Já fazia algumas semanas que eu não estava me sentindo muito bem. Nos primeiros dias em que comecei a me sentir mal, coloquei a culpa no clima, no cansaço e na irritabilidade. Quando as náuseas surgiram, coloquei a culpa em alguma comida típica que provavelmente não estava acostumada a comer.

Como os sintomas não passaram, comecei a realmente ficar preocupada. A ansiedade me consumia e eu torcia para aquele mal-estar passar logo. Como não havia sinais de melhoras, comecei a questionar se poderia estar grávida. A ideia em si era assustadora e eu me sentia completamente despreparada para lidar com uma situação tão monumental. Afinal, como eu poderia ser mãe quando mal sabia cuidar de mim mesma?

Cada pensamento sobre a possibilidade de estar grávida era seguido por uma onda de pânico. E se fosse verdade? E se eu estivesse realmente carregando um ser dentro de mim? A ideia de ter que lidar com essa responsabilidade era avassaladora.

Depois de muito ponderar e enfrentar a realidade dos sintomas persistentes, decidi que precisava de respostas. Mas a ideia de fazer um teste de gravidez me deixava apavorada. Era como se a simples ação de pegar o teste confirmasse todos os meus medos e dúvidas.

Finalmente, reuni coragem suficiente para marcar uma consulta médica. O tempo até a consulta parecia se esticar infinitamente, enquanto eu lutava para manter a calma e não entrar em completo desespero.

No dia da consulta, me senti nervosa e ansiosa, mas também aliviada por finalmente estar buscando ajuda profissional. O médico ouviu atentamente meus sintomas e suspeitas, e então sugeriu fazer um exame de sangue para confirmar ou descartar a possibilidade de gravidez.

O período de espera pelos resultados foi uma tortura agonizante. Cada segundo parecia se arrastar, enquanto eu me via mergulhada em um turbilhão de pensamentos e emoções conflitantes.

Quando finalmente recebi a notícia do médico, meu coração batia tão forte que parecia prestes a saltar pela garganta. As palavras do médico ecoaram em meus ouvidos, confirmando minhas piores suspeitas: eu estava grávida.

O impacto da notícia foi avassalador. Todas as minhas dúvidas e medos se materializaram diante de mim, e me senti completamente perdida. Eu não estava pronta para ser mãe, não sabia como lidar com essa responsabilidade.

Eu precisava conversar com alguém, desabafar sobre meus sentimentos e encontrar um pouco de orientação. Mas quem poderia entender o que eu estava passando? Certamente não Ulisses. Eu não tenho a mínima ideia do que ele pensa sobre isso, já que nem nosso casamento foi planejado, quem dirá uma gravidez. Não posso contar a ele neste momento, porque não sei que reação esperar.

A ideia de falar com minha mãe estava fora de cogitação. Ela não me ouviria, nem mesmo apareceu no meu casamento, não está demonstrando muito interesse na minha vida recentemente. Ela me culpa pelo acidente que tirou a vida do meu pai, e se aproveita de cada oportunidade para jogar isso na minha cara. Eu não posso suportar o peso da culpa que ela jogaria sobre mim.

Minha avó, por outro lado, provavelmente se aproveitaria disso e usaria minha gravidez para me manipular ainda mais. Ela tem ideias antiquadas sobre casamento e maternidade. Provavelmente insistiria para que eu levasse a gravidez adiante, sem considerar meus próprios sentimentos e desejos.

Restava apenas uma opção: Diego. Mesmo que nossa relação estivesse abalada, ele ainda era meu irmão e, no fundo, eu sabia que podia contar com ele. Já não posso me dar ao luxo de me intrometer na vida dele e nem nas escolhas dele. Não posso agir como uma garota mimada.

Com o coração acelerado, liguei para Diego, sentindo o gosto amargo na boca. Ele atendeu imediatamente, e sua voz familiar trouxe um certo conforto em meio ao caos que era minha mente.

— Oi, Diego. Desculpa te incomodar, mas eu preciso conversar com você. Falei, sentindo um aperto no peito.

— Que bom que você me ligou, Luiza. Eu também preciso conversar. Tentei entrar em contato com você, mas você preferiu ignorar minhas ligações. Ele falou, parecendo realmente chateado.

Diego tentou se explicar, mas suas palavras pareciam distantes, irrelevantes diante da magnitude da minha situação. No entanto, eu sabia que precisava ouvir o que ele tinha a dizer, mesmo que fosse apenas para aliviar um pouco minha angústia.

— Sinto muito, irmão, eu realmente agi de maneira infantil, mas não se preocupe que não vou agir mais dessa forma e prometo não me intrometer entre vocês. Falei, e meu irmão riu com escárnio.

— Por Deus, Luiza, de onde você tira essas ideias? Meu irmão perguntou, incrédulo. — Você acha mesmo que eu seria capaz de tamanha traição? Acha mesmo que eu me atreveria a te apunhalar dessa forma? Ele me bombardeou de perguntas, parecendo revoltado.

Passei a mão pelos cabelos, me sentindo uma estúpida.

— Diego, não precisamos falar disso, você não me deve explicações e...

— Não precisamos falar disso? Ele questionou, incrédulo. — É lógico que precisamos falar disso. Se você não tivesse desligado o telefone naquela noite, eu poderia ter te explicado o porquê de estarmos juntos naquele momento. Mas você preferiu tirar suas próprias conclusões. O Diego voltou ao assunto que me machucava.

— E o que você quer que eu pense, Diego? Já era tarde da noite, você estava ofegante e pouco depois eu escutei ela te chamando. É normal que eu tire minhas conclusões, não acha? Questionei, de forma irônica.

— Pois fique sabendo que suas conclusões estão completamente equivocadas. Eu estava com ela sim, mas não dessa forma. Estávamos em um bar, estávamos bebendo e conversando. Quando meu telefone tocou e vi que era você, corri para atender em um lugar mais tranquilo, longe do barulho e um pouco longe dela, porque não queria magoar nenhuma de vocês duas. Eu não queria que ela soubesse que eu estava falando com você, mas ela veio atrás de mim e me chamou. Quando percebi, você estava chorando, e quando me dei conta dessa associação maluca que você fez, tentei me explicar, mas você não me ouviu e nem leu minhas mensagens.

Ele me assegurou que sua relação com Eva nunca passou de amizade, e enquanto eu queria acreditar nele, minha mente estava ocupada demais com a revelação que acabara de receber.

Eu queria agradecer pelo alívio que suas palavras me trouxeram, mas logo a realidade bateu à minha porta na forma de um forte enjoo, me lembrando cruelmente do meu atual estado.

Com um nó na garganta, me desculpei e contei a Diego sobre minha gravidez. Sua surpresa foi palpável, mas ele se manteve calmo e solidário, garantindo que não iria me julgar. Apesar de saber que ele estava chateado comigo por causa das minhas paranóias.

Expliquei minhas dúvidas e medos, confessando que ele era a única pessoa que sabia da minha situação até então. Diego ouviu atentamente, oferecendo apoio e conforto em meio ao caos que era minha mente. Ele me deu conselhos e disse que eu deveria pensar com calma, agora não era mais apenas sobre mim. Agora eu era responsável por alguém, e se eu decidir levar isso adiante, eu tinha que saber que não poderia mais me esconder, teria que passar a impor minhas vontades para defender as necessidades, tanto minhas quanto as deste bebê.

Quando finalmente desliguei o telefone, senti um peso imenso sendo tirado de meus ombros. Eu ainda não sabia o que fazer, mas pelo menos não estava mais sozinha nessa jornada incerta.

Agora restava apenas uma pessoa para quem eu precisava contar sobre minha gravidez: Ulisses. Eu não sei qual será a reação dele, nem se ele estará pronto ou não para ser papai. Mas, assim como eu tenho que lidar com as consequências dos meus atos, ele também terá que aprender a lidar com tudo isso, independentemente de estar pronto ou não.

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Comments

Valquíria Moreira Santana

Valquíria Moreira Santana

Calma gente tudo vai dar certo eu torço pro marido kkkk, ela vai apaixonar

2024-05-22

1

Maria Andrade

Maria Andrade

eita Luiza agora aguenta as consequências da besteiras que vc fez a sua vó vai querer tirar proveito dessa gravidez já estou até vendo

2024-04-09

5

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1 Capítulo 1 Narrado pela Luiza Ribas
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