Capítulo 5 Narrado pela Luiza Ribas

Depois de tudo o que houve ontem, tudo o que fiz foi me afastar. Preferi acordar mais cedo e sair para caminhar. Sei que precisávamos conversar, mas eu não estava pronta para isso, não estava pronta para ter um diálogo, pelo menos não neste momento.

Enquanto caminhava pela praia, sentia a areia fina acariciar os meus pés. A brisa suave tocava o meu rosto, balançando os meus cabelos e os desarrumando. Os primeiros raios de sol surgiam ao longe, e eu me sentei para admirar o nascer do sol. Respirei fundo, tentando sentir o aroma de tudo o que estava ao meu redor.

Esse lugar é incrível, e seria muito mais incrível se ela estivesse aqui comigo.

Quando me dei conta dos rumos que o meu pensamento estava tomando, logo tratei de balançar a minha cabeça, como se isso pudesse sacudir os pensamentos para longe.

Eu precisava conversar com alguém, ou acabaria enlouquecendo. Peguei o meu celular, desbloqueando a tela e procurando o nome da única pessoa que me ouviria desabafar sem me repreender, sem fazer insinuações descabidas ou invalidar os meus sentimentos. E o melhor de tudo, ele não me culpava pelo que houve. Ao contrário da minha mãe, que me culpa, ou da minha avó, que se aproveita ao máximo de tudo isso para me fazer sentir culpada e, assim, conseguir me manipular.

Senti a minha visão ficar turva por causa das lágrimas que começaram a inundar os meus olhos. Respirei profundamente, tentando controlar a minha respiração e tentando me acalmar.

Quando me senti melhor, liguei para o Diego, o meu irmão e melhor amigo, a pessoa em quem mais confio. Chamei uma vez, chamei duas vezes, e, na terceira vez, ele finalmente atendeu.

— Luiza? - ele questionou com a voz entrecortada, parecendo sua respiração pesada. - Está tudo bem? - ele questionou, parecendo se esforçar para regular a respiração.

— Acho que estou atrapalhando algo, né, irmãozinho? - eu questionei, rindo, imaginando exatamente o que eu estava interrompendo.

— O quê?... Não... - O Diego se atrapalhou nas palavras, parecendo se dar conta do que eu tinha acabado de insinuar.

Foi nesse momento que eu escutei uma voz ao longe chamando por ele. Não era qualquer voz...

Eu reconheceria essa voz em qualquer lugar, por mais abafada e distante que ela estivesse. Ainda assim, eu a reconheceria. Ainda que fosse apenas um sussurro, mesmo assim, eu reconheceria.

Senti as minhas mãos tremerem e começarem a suar frio. A minha garganta secou, e as batidas do meu coração começaram a falhar. Senti o ar ficar rarefeito, parecia intragável. Senti lágrimas silenciosas escorrerem pelos meus olhos, deslizando suavemente pelo meu rosto, contornando as minhas bochechas. Senti o gosto salgado em minha boca, junto à percepção de que algo estava muito errado.

— Vem logo, Diego, não me faça esperar mais. - eu escutei a voz feminina novamente, agora mais audível, mais perto, mais clara, mais limpa.

— Luiza, me escuta! - meu irmão implorou com certo desespero, e foi nesse momento que eu percebi que o meu choro era alto, os meus soluços eram constantes.

Tirei o meu celular da orelha e olhei a tela, o meu celular estava marcando que eram 5 horas da manhã. A diferença do fuso horário era de cinco horas, então lá ainda era meia-noite.

Desliguei o meu celular e atirei-o ao longe. Me amaldiçoei por ter ligado, me amaldiçoei pela percepção que me atingia, me amaldiçoei por sentir tudo o que eu estava sentindo.

É como se um punhal tivesse perfurado meu peito, arrancando não só a esperança, mas também a própria essência da minha alma. Minha garganta se fecha, como se o simples ato de engolir se tornasse uma tarefa impossível. Cada batida do meu coração é uma martelada de dor, ecoando como um grito silencioso dentro de mim. Sinto como se o ar ao meu redor estivesse carregado de um peso insuportável, como se cada respiração fosse um esforço sobre-humano. Meu coração parece espremido por mãos invisíveis, uma dor física que acompanha a devastação emocional. O mundo ao meu redor perdeu a nitidez, enquanto me afogo em um mar de tristeza e desespero, lutando para encontrar uma saída desse abismo de dor.

Eu queria que tudo aquilo não passasse de um pesadelo. Eu queria tanto que tudo isso não estivesse acontecendo. Eu só queria que isso não fosse verdade.

A ideia de que, nesse exato momento, a mulher que eu amo pudesse estar buscando consolo nos braços do meu irmão mais novo era inconcebível, incrivelmente dolorosa, surreal.

Eu não podia acreditar, eu me recusava a acreditar. Ele sabe exatamente o quanto eu a amo. Já confidenciei isso a ele diversas vezes. Ele sempre foi o meu cúmplice nas minhas fugas noturnas para que eu pudesse me encontrar com ela, nas vezes que saímos juntos e ele ia me acompanhar para que ninguém desconfiasse.

E ela... Eu entendo e até aceito que ela esteja com raiva e que me odeie neste momento. Aceito que ela busque vingança, que queira descontar a sua frustração de alguma forma. Mas não aceito que seja com ele. Ela sabe que o meu irmão é o meu melhor amigo, a única pessoa que se importa comigo naquela família. Ela sabe que, depois da morte do meu pai, a minha situação dentro daquela casa ficou insustentável. Ela sabe que o meu irmão é o único que não me culpa pelo que aconteceu, o único que não ficou contra mim, o único que não gritou comigo, o único em quem eu podia confiar. O único que me respeita, ou, pelo menos, era isso que eu acreditava.

Meu Deus, por que isso dói tanto?

Fechei os meus olhos e me deitei na areia. A minha cabeça latejava, parecia estar pesando muito. E realmente ela estava muito pesada.

Respirei fundo, tentando encontrar o ar, e me levantei. Caminhei até onde o meu celular estava jogado, peguei-o do chão e desliguei-o assim que vi o nome do meu irmão brilhar na tela.

Caminhei de volta ao hotel, cada passo mais lento que o anterior. Tudo que desejava era desaparecer, acabar com a angústia, deixar as lágrimas fluírem até secarem e ansiava por não sentir nada.

Ao chegar na porta do quarto, abri-a com cautela para evitar ruídos adicionais, já que não precisava de mais motivos para dor de cabeça. Com cuidado, alcancei minha mala na escuridão, tentando minimizar qualquer barulho. Por um breve momento, fiquei aliviada por não ter feito barulho, mas como sempre, a bagunça da minha vida insistia em se manifestar. A mala escorregou e caiu, ecoando o suficiente para acordar Ulisses.

Ele se levantou abruptamente, acendendo a luz do abajur, preocupado. Senti-me patética, minhas bochechas queimando de vergonha imediata. Ulisses se aproximou, seus cabelos desalinhados denunciando o sono.

Encarei o chão, envergonhada, até que ele ergueu meu queixo, forçando-me a encará-lo. Sua expressão preocupada enquanto acariciava meu rosto só intensificava minha vergonha.

— O que aconteceu? — Ele perguntou, analisando-me.

Afastei sua mão, recuando. Sua expressão mudou ao perceber minha reação.

— Você está assim por causa de ontem, não é? — Ele questionou.

Queria que fosse por isso, mas não era. Preferia estar devastada por qualquer outro motivo, mas nada se comparava à dor que sentia.

— Olha, Luiza... — Ele começou, segurando minha mão. — Sinto muito pelo que aconteceu. Não vou culpar a bebida, pois, embora estivesse embriagado, queria te beijar. Fui imprudente e agi mal. Prometo não mais ultrapassar seus limites, não mais te tocar sem sua permissão. Por favor, não chore por minha causa. Ele parecia sincero em suas palavras.

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Comments

Allan Ricardo Araujo

Allan Ricardo Araujo

cara que situação complicada só espero Luiza que você não faça nenhuma besteira que você possa se arrepender mais tarde e tbm espero que seu irmão não tenha feito isso com você

2024-04-09

1

Maria Andrade

Maria Andrade

estou torcendo, pra que seja um engano e o irmão não tenha traído ela com o amor de sua vida

2024-04-06

1

Joy

Joy

Eu acredito que foi tudo um engano, né não? 🥺

2024-04-06

1

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